Com a vitória da direita na maioria dos países sul-americanos desde 2022, integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitem que será necessário reformular a política externa voltada à região caso o presidente conquiste um quarto mandato.
Virada no mapa político
Quando Lula reassumiu o Palácio do Planalto, em janeiro de 2023, apenas Equador e Uruguai eram comandados por presidentes conservadores. De lá para cá, Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e, na última semana, Colômbia e Peru também migraram para o campo oposto ao do líder petista.
De blocos a acordos pontuais
Diplomatas ouvidos pela reportagem avaliam que a estratégia brasileira, antes centrada no fortalecimento de instâncias como Mercosul, Celac e UnaSul, terá de se tornar majoritariamente bilateral. A avaliação é que negociações “caso a caso” ganham força em detrimento de iniciativas coletivas impulsionadas por afinidade ideológica, batizadas pelo Itamaraty de “frente soberana”.
Segundo esses interlocutores, o cenário favorece um discurso mais próximo ao defendido pelos Estados Unidos sob Donald Trump, cujo protecionismo estimula alianças entre governos considerados “ideologicamente semelhantes”.
Pragmatismo como aposta
No Planalto, a expectativa é que os recém-eleitos Abelardo de la Espriella, na Colômbia, e Keiko Fujimori, no Peru, mantenham relações diplomáticas e comerciais estáveis com Brasília, diferentemente do argentino Javier Milei, conhecido pelos atritos públicos com Lula.
Assessores presidenciais lembram que interesses conjuntos — como a construção da ligação ferroviária transoceânica entre Atlântico e Pacífico, com investimento chinês que desagrada Trump — tendem a sobrepor divergências políticas. Energia, combate ao crime organizado e ações contra desastres naturais, reforçadas após o terremoto na Venezuela, também figuram entre os temas de cooperação que colocam a ideologia em segundo plano.
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Peso do comércio brasileiro
O Brasil segue como um dos principais parceiros comerciais de todos os vizinhos. Mesmo com o arrefecimento de fóruns regionais, a interdependência econômica alimenta as negociações bilaterais, ressaltam diplomatas.
Auxiliares do governo concluem que, diante do novo equilíbrio de forças na América do Sul, a política externa precisará combinar pragmatismo comercial com diálogo político, ajustando-se às preferências de cada Executivo estrangeiro sem abrir mão de projetos considerados estratégicos.
Com informações de UOL