O memorando de entendimento assinado por Estados Unidos e Irã em 17 de junho, com o objetivo de encerrar confrontos na região do Golfo, entrou em crise em menos de 14 dias. Divergências sobre a navegação no Estreito de Ormuz, a continuidade dos ataques entre Israel e Hezbollah e uma sucessão de ações militares reacenderam o risco de confronto direto entre Washington e Teerã.
Assinaturas e primeiras declarações
14 de junho – O vice-presidente norte-americano, JD Vance, e o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, autorizado pelo líder supremo Mojtaba Khamenei, firmaram o texto de forma eletrônica.
15 de junho – Durante a cúpula do G7, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou publicamente o acordo. Em Teerã, o presidente Masoud Pezeshkian chamou o memorando de “passo importante”, mas ressaltou que uma paz duradoura exigiria novas medidas.
17 de junho – A formalização presencial ocorreu em dois atos: Trump rubricou o documento durante jantar com Emmanuel Macron em Versalhes, e Pezeshkian assinou em cerimônia na capital iraniana. O texto previa o fim imediato das hostilidades, a reabertura do Estreito de Ormuz, a suspensão do bloqueio naval dos EUA, a liberação de ativos iranianos congelados e a criação de um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões financiado por países do Golfo.
Primeiros impasses
20 e 21 de junho – Teerã ameaçou fechar novamente o Estreito de Ormuz alegando falta de cessar-fogo no Líbano, onde Israel continuava a bombardear o Hezbollah. Trump reagiu afirmando que, se o estreito fosse bloqueado, o Irã “não teria mais um país”. JD Vance iniciou negociações técnicas com representantes iranianos, mediadas por Catar e Paquistão, para tentar salvar o entendimento.
Crise marítima
24 de junho – A Agência Marítima da ONU lançou um plano de evacuação para retirar centenas de navios e cerca de 11 mil marinheiros retidos na zona de risco.
25 de junho – O UKMTO reportou que uma embarcação da taiwanesa Evergreen Marine foi atingida por um projétil de origem não identificada no Estreito de Ormuz. Em visita ao Golfo, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, alertou que a cobrança de tarifas pelo Irã em águas internacionais poderia gerar “caos total”. No mesmo dia, Teerã declarou que a passagem segura dependeria de autorização direta do governo iraniano. Diante da escalada, a ONU suspendeu a operação de evacuação.
Imagem: Internet
Escalada militar
27 de junho – Um petroleiro panamenho foi atingido por drone iraniano. Os EUA reagiram com bombardeios a alvos militares em Sirik, incluindo instalações de drones e de minagem naval. O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou ter realizado ataques “defensivos” contra posições ligadas aos EUA, enquanto a mídia estatal classificou a ação como “resposta decisiva” ao ataque americano que danificou uma torre de comunicações.
28 de junho – Na madrugada, Teerã lançou mísseis e drones contra bases norte-americanas no Kuwait e no Bahrein; um edifício residencial em Muharraq, Bahrein, foi danificado. Pelas redes sociais, Trump ameaçou “concluir militarmente o trabalho”, declarando que, se necessário, a República Islâmica “deixará de existir”. Mesmo após um acordo de desescalada fechado com o governo libanês no dia anterior, Israel voltou a atacar militantes do Hezbollah, alegando que estes portavam lançadores de foguetes.
Com ataques, ameaças e acusações mútuas, o entendimento originalmente articulado para reduzir a tensão regional enfrenta agora o maior teste desde sua assinatura.
Com informações de G1