Washington — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta segunda-feira (29) que representantes americanos e iranianos se reunirão na terça-feira em Doha, no Catar, para prosseguir as discussões sobre o memorando de entendimento assinado em 17 de junho. A afirmação foi feita poucas horas depois de o governo iraniano negar que haja encontros técnicos agendados para esta semana.
Segundo Trump, “o Irã pediu uma reunião” e o encontro ocorrerá amanhã em Doha. Já o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibabadi, afirmou à agência estatal Irna que “nenhuma reunião técnica dos grupos de trabalho foi marcada” e que a primeira rodada só acontecerá quando houver consenso sobre data e local.
Suspensão de ataques e trânsito no Estreito de Ormuz
As declarações contraditórias surgem um dia após Washington anunciar a interrupção dos recentes bombardeios entre os dois países e confirmar que ambos voltarão a cumprir, “por ora”, os termos do memorando. Um funcionário americano disse à AFP que as negociações técnicas continuam previstas e que, durante esse período, navios poderão transitar livremente pelo Estreito de Ormuz.
O Paquistão, um dos mediadores, chegou a indicar que as conversas seriam retomadas nesta terça. A Casa Branca, por sua vez, informou no domingo que nenhum encontro havia sido cancelado e que a agenda permanece “para os próximos dias”.
Liberação de ativos iranianos
No mesmo dia, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que US$ 6 bilhões dos US$ 12 bilhões em ativos do país congelados no Catar serão liberados “conforme os planos estabelecidos”. Autoridades americanas e o governo catariano ainda não confirmaram a transferência dos recursos.
Tensão regional persiste
Apesar do anúncio de trégua, a situação no Golfo segue volátil. O Irã atacou recentemente duas embarcações que navegavam por uma rota próxima à costa de Omã, o que provocou bombardeios de retaliação dos EUA. Teerã insiste que detém o controle exclusivo do Estreito de Ormuz e critica qualquer proposta de rotas alternativas.
Imagem: Atta Kenare
Paralelamente, Israel manteve ataques no sul do Líbano, mesmo após a assinatura, em Washington, de um acordo-quadro que prevê a retirada israelense de territórios libaneses ocupados condicionada ao desarmamento do Hezbollah. O grupo, apoiado pelo Irã, disse nesta segunda-feira que “reserva o direito à autodefesa”.
As tratativas entre Estados Unidos e Irã contam com a mediação de Catar e Paquistão e envolvem diplomatas de escalões inferiores responsáveis por acertar detalhes antes de uma nova rodada de negociações de alto nível.
Com informações de O Globo