Paris – As duas funerárias municipais da capital francesa operam no limite desde sexta-feira (26) em razão do aumento de mortes provocado pela última onda de calor, informaram autoridades nesta segunda-feira (29).
A agência nacional de saúde pública estima que, entre quarta-feira (24) e domingo (28), ocorreram cerca de 1.000 óbitos extras em todo o país na comparação com meses anteriores. Desses, 85% envolveram pessoas com 65 anos ou mais.
Na semana passada, os termômetros superaram 40 °C durante o dia e registraram a noite mais quente já medida na França, com média de 22 °C e pico de 26,4 °C em Paris. Meteorologistas alertam para a possibilidade de um novo episódio extremo em meados de julho.
Capacidade esgotada
Segundo a presidente da Federação Nacional de Funerárias, Élisabeth Charrier, a taxa de ocupação dos serviços funerários costuma variar entre 30% e 45% no verão, mas subiu para 66% em nível nacional. “O principal problema está em Paris, onde as duas únicas funerárias estão lotadas desde sexta”, afirmou. A situação força muitas famílias a procurar atendimento em cidades vizinhas.
Os maiores aumentos de mortes foram registrados em residências, particularmente na capital e em sua periferia. O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, reconheceu que o número de pessoas que faleceram em casa supera o de ondas de calor anteriores. “Quando os serviços de emergência chegam, infelizmente, elas já estão mortas”, disse.
Críticas e medidas do governo
Parlamentares de oposição acusam o governo de falta de preparo diante das condições extremas. A líder ambientalista Marine Tondelier apontou “responsabilidades políticas” pelo “grave custo humano”. Lecornu defendeu o plano oficial, que, segundo ele, “funcionou bem”, e informou que os primeiros aparelhos de ar-condicionado, dos 30 mil comprados para hospitais, devem ser entregues até o fim da semana.
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História de uma vítima
Entre as mortes está a de uma mulher de 80 anos que vivia no último andar de um prédio sem elevador em Paris. De acordo com o sobrinho, Thierry Vanwesemael, a temperatura dentro do apartamento chegou a 47 °C em algumas noites, apesar de dois ventiladores. Sem notícias da tia no sábado (27), ele autorizou a entrada dos bombeiros, que encontraram o corpo já sem vida. Enquanto aguardavam o serviço funerário por várias horas, familiares colocaram gelo no quarto para retardar a decomposição.
As autoridades continuam monitorando as condições meteorológicas e reforçando recomendações à população, especialmente a idosos e pessoas com problemas de saúde, para evitar novos óbitos.
Com informações de Folha de S.Paulo