Condutores de Moscou encaram filas que se estendem por horas para abastecer os veículos, reflexo de uma carência nacional de combustível inédita na capital russa. A situação ocorre após uma campanha maciça de drones da Ucrânia, classificada por autoridades e analistas como a maior desde o início da invasão em larga escala, em 2022.
Ofensiva aérea ucraniana
Nas últimas quatro semanas, Kiev intensificou ataques a alvos estratégicos dentro da Rússia. Em uma única noite, na semana passada, Moscou informou ter interceptado 660 drones em 12 regiões. As operações miram refinarias, terminais de petróleo, navios da Marinha e fábricas de armamentos, com o objetivo declarado de desgastar a economia de guerra russa.
Impacto interno
Veículos de imprensa independentes registraram filas crescentes em postos de serviço em todo o país. Na Crimeia, anexada em 2014, as vendas de combustível foram suspensas e a península entrou em estado de emergência.
Diante do quadro, o presidente Vladimir Putin convocou uma reunião de emergência no fim de semana. O líder admitiu que as reservas nacionais de gasolina chegaram a níveis “desconfortáveis” e reconheceu as longas filas nos postos. Entre as medidas em avaliação estão a proibição total de exportação de diesel e a criação de uma força-tarefa para lidar com o abastecimento. Putin também alertou para riscos à agricultura e pediu que se “minimize o impacto” dos ataques ucranianos sobre infraestrutura civil russa.
Repercussão internacional
Em reunião do G7 na França, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que “a maré está virando a favor da Ucrânia” e defendeu o aumento do apoio ocidental. Autoridades europeias e norte-americanas avaliam que a escassez de combustível complica a logística militar russa.
Relatório do Council on Foreign Relations aponta que o emprego intensivo de drones ajudou a Ucrânia a recuperar cerca de 78 milhas quadradas de território em fevereiro, revertendo avanços obtidos por Moscou ao longo de 2025.
Imagem: Internet
No mesmo encontro do G7, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a Rússia “deveria chegar a um acordo”. De volta a Washington, descreveu o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky como “corajoso” e “indo muito bem na guerra”. Zelensky declarou que, com apoio adequado, a Ucrânia poderá criar condições para “forçar a Rússia a escolher a paz”.
Resistência do Kremlin
Apesar das dificuldades internas, analistas recordam que Putin construiu, ao longo de décadas, a imagem de um líder inflexível. Com estimativas ocidentais que somam mais de um milhão de mortos e feridos desde 2022, além da reivindicação de soberania sobre quatro regiões ucranianas ainda não totalmente controladas, qualquer acordo que não possa ser apresentado como vitória em Moscou poderia gerar forte tensão política interna.
Setores considerados linha-dura seguem defendendo a conquista total do Donbass, independentemente dos danos às refinarias ou da falta de combustível nos postos. Especialistas alertam que a escassez atual, embora real e dolorosa para a população, não equivale a disposição do Kremlin em recuar.
Com informações de CNN Portugal