Seul — Desde que assumiu o poder na Coreia do Norte, em 2011, Kim Jong-un nunca citou publicamente o nome de sua mãe, Ko Yong Hui. O silêncio contrasta com a propaganda oficial do regime, que exalta a chamada linhagem “Monte Paektu” como símbolo de pureza nacional.
Infância no Japão e retorno ao Norte
Nascida em 1952, em Osaka, Ko Yong Hui era filha de coreanos que viviam no Japão durante o período colonial. Aos 10 anos, integrou o grupo de milhares de Zainichi — descendentes de coreanos no Japão — que foram repatriados para a Coreia do Norte entre 1959 e 1984, em um programa de reassentamento promovido por Pyongyang.
Embora o governo norte-coreano prometesse melhores condições de vida, muitos desses migrantes foram enquadrados em categorias inferiores do songbun, sistema que define o status social segundo origem familiar e histórico político.
Da trupe artística ao círculo do poder
Na juventude, Ko integrou o grupo artístico de elite Mansudae. Foi nesse período que conheceu Kim Jong Il, filho do fundador Kim Il Sung. O relacionamento resultou em três filhos — entre eles, Kim Jong-un —, mas Ko nunca foi apresentada oficialmente como esposa do então líder.
Morte mantida em sigilo
Ko Yong Hui morreu em 2004, vítima de câncer de mama, em um hospital de Paris. O governo não divulgou a informação à população.
Imagem: Internet
Sucessão inesperada
Com a morte de Kim Jong Il, em 2011, Kim Jong-un assumiu o comando do país aos 27 anos. A decisão foi facilitada pela exclusão do irmão mais velho, Kim Jong Nam, crítico da sucessão hereditária e assassinado em 2017, na Malásia, e pela rejeição do outro irmão, Kim Jong Chul.
Especialistas apontam que a origem japonesa de Ko Yong Hui poderia abalar a narrativa de pureza da dinastia Kim. Por isso, o tema segue ausente dos meios estatais e do discurso oficial do líder norte-coreano.
Com informações de R7