Lima – Keiko Fujimori alcançou 50,13% dos votos no segundo turno presidencial realizado em 7 de junho e ficou à frente do adversário Roberto Sánchez, que registrou 49,86%, segundo a contagem concluída pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) nesta segunda-feira (22).
Situação indefinida
Apesar da vantagem numérica, a filha do ex-presidente Alberto Fujimori, de 51 anos, ainda não pode se declarar vencedora. O resultado só será oficializado quando o Jurado Nacional de Eleições (JNE) proclamar o vencedor. Em mensagem publicada na rede X, a candidata do partido Fuerza Popular afirmou que aguardará o anúncio “com humildade, prudência e responsabilidade”.
Sánchez, representante da coalizão de esquerda Juntos por el Perú, anunciou que pretende questionar o placar na Justiça Eleitoral. Um porta-voz de sua campanha confirmou que recursos legais serão apresentados nos próximos dias.
Quarta tentativa
A votação marca a quarta disputa presidencial de Keiko Fujimori, derrotada anteriormente em 2011, 2016 e 2021. Ela iniciou a vida política aos 19 anos, quando assumiu o posto de primeira-dama após a separação da mãe, Susana Higuchi, e acompanhou o pai na Cúpula das Américas de 1994, nos Estados Unidos.
Promessa de “restaurar a ordem”
Durante a campanha, Fujimori defendeu o combate ao crime e a recuperação da estabilidade institucional em um país que teve oito presidentes nos últimos dez anos. “Precisamos de ordem para viver, investir e trabalhar”, declarou no debate final contra Sánchez.
Investigação suspensa
Líder do Fuerza Popular, legenda com a maior bancada no Congresso, Keiko passou 13 meses presa enquanto era investigada por suposto recebimento de recursos da construtora Odebrecht para campanhas anteriores. Em janeiro de 2025, um tribunal anulou o processo. A candidata alega ter sido alvo de “dez anos de perseguição política”.
Herança e resistência
O legado do ex-presidente Alberto Fujimori – que governou de 1990 a 2000, foi condenado por violações de direitos humanos e morreu em 2024 – divide o eleitorado. Marchas intituladas “Keiko no va” reuniram movimentos sociais e organizações de direitos humanos no centro de Lima no último sábado (20) para protestar contra sua candidatura.
Imagem: Internet
Analistas apontam, entretanto, que o voto anti-fujimorista tem menor peso entre eleitores jovens. O cientista político Julio Carrión, da Universidade de Delaware, avalia que nesta eleição Keiko adotou tom mais moderado para se dissociar da imagem autoritária atribuída ao pai.
Apoios e críticas
Rafael Belaúnde, ex-candidato pelo partido de centro-direita Liberdade Popular, declarou apoio à líder do Fuerza Popular, alegando que ela se mostra “mais preparada” e comprometida com a manutenção da Constituição e da economia de mercado.
Criticado por opositores, o Fuerza Popular é apontado por organizações como a Human Rights Watch por supostamente interferir em instituições independentes e contribuir para a instabilidade política. Keiko reconhece que sua legenda foi “confrontativa” com o ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski, mas nega obstrução deliberada.
Se confirmada pelo JNE, Keiko Fujimori será a nona pessoa a ocupar a Presidência peruana em uma década.
Com informações de R7