Deportados em voo 164 sofrem tragédia horas após chegarem à Venezuela

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Caracas – Cento e quarenta e seis venezuelanos repatriados pelos Estados Unidos aterrissaram no Aeroporto Internacional de Maiquetía em 24 de junho, poucas horas antes de dois fortes terremotos abalarem a Venezuela e deixarem ao menos 2 mil mortos. Os passageiros do voo 164 foram levados pelo programa governamental Missão Volta à Pátria ao Hotel Santuário La Llanada, em La Guaira, capital do Estado de Vargas, região mais afetada pelos tremores.

Durante procedimentos administrativos, sanitários e de segurança conduzidos pelo Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), o prédio principal de quatro andares do hotel desabou. Relatos de sobreviventes indicam que a maior parte dos deportados e de funcionários públicos ficou sob os escombros.

Sobrevivência por minutos

Orlando Torres evitou o colapso devido a um atraso inesperado: seu irmão, que deveria confirmar por telefone a entrega de custódia ao Sebin, não atendeu à chamada. A ligação não completada manteve Torres em um anexo do hotel no momento do primeiro tremor. Ao sentir o abalo, ele correu para fora, resguardando-se com uma cadeira na cabeça.

Resgate sem apoio imediato

Testemunhas ouvidas pela BBC News Mundo afirmam que os próprios deportados iniciaram o salvamento de colegas. Pedro (nome fictício) relata ter ficado preso sob destroços até que outros migrantes abriram passagem para retirá-lo. Ninoska Gutiérrez também foi libertada por companheiros depois de ter as pernas imobilizadas por entulhos.

Segundo esses relatos, agentes do Sebin priorizaram colegas feridos, enquanto bombeiros chegaram aproximadamente cinco horas após o primeiro tremor. A corporação teria removido feridos e, somente por volta das 3h da madrugada de 25 de junho, iniciado a retirada de corpos.

Números incertos

Autoridades venezuelanas não divulgaram balanço oficial sobre o grupo. Uma contagem inicial de sobreviventes aponta apenas 12 pessoas vivas, número que pode ser maior conforme depoimentos posteriores. Indagado, o Departamento de Segurança Interna dos EUA confirmou apenas que “o voo chegou com segurança à Venezuela” e que os deportados deixaram a custódia do ICE.

Famílias em busca de respostas

Parentes percorrem hospitais e necrotérios na tentativa de localizar entes queridos. José Rincón, avô de Abelardo Rincón, 23, disse ter examinado mais de 200 corpos sem sucesso. Acesso ao hotel permanece restrito pelo Sebin, gerando queixas de falta de transparência.

Paola Chacón, prima de Darwin Eliécer Serrano López, 35, afirma que a família só descansará após receber o corpo. “Queremos enterrar nossos familiares”, declarou.

A chegada marcada por alegria

Apesar de algemados, passageiros aplaudiram ao pousar em solo venezuelano, relataram sobreviventes. O chefe da Missão Volta à Pátria, Mervin Maldonado, apareceu em vídeo distribuindo brinquedos às crianças no aeroporto. Horas depois, o desastre transformou a recepção em tragédia.

Ainda sem celulares e isolados na colina onde fica o hotel, os deportados desconheciam a extensão nacional do desastre. Do lado de fora, familiares criaram grupos on-line para compartilhar informações e pressionar por respostas. Nos comentários da postagem oficial que anunciava o voo, passaram a exigir justiça pelas mortes.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre vítimas fatais entre os 146 repatriados, nem detalhes sobre eventual apoio governamental aos sobreviventes.

Com informações de G1

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Rafael Oliveira é profissional do mercado digital desde 2021, com experiência em produção de conteúdo, SEO e gestão de portais de notícias. Como responsável pelo RSO Notícias, dedica-se a oferecer informações confiáveis, atualizadas e relevantes, sempre com compromisso editorial, transparência e qualidade na comunicação.