O Irã deu início nesta quinta-feira (2) a um funeral de três dias para o aiatolá Ali Khamenei, morto em 2 de março durante um ataque atribuído a Estados Unidos e Israel. Imagens exibidas pela imprensa estatal mostraram a chegada do caixão a um salão religioso xiita, nos arredores da Husseiniya do Imã Khomeini, em Teerã.
Segundo Eiman Atarzadeh, porta-voz do comitê organizador, a primeira cerimônia ocorreu após as orações do pôr do sol e da noite. Estiveram presentes familiares de mortos na guerra Irã-Iraque, integrantes do gabinete do então líder supremo e membros da Guarda Revolucionária.
Mobilização nacional
O governo prepara grandes procissões em Qom e Mashhad, além de homenagens no Iraque. Autoridades organizaram transporte, hospedagem e alimentação para atrair milhões de pessoas e, segundo o aiatolá Mohammad Saidi, transformar a participação popular em “um novo referendo” de apoio à República Islâmica.
A exibição de força ocorre num momento de desgaste interno. Analistas citados pela mídia local apontam queda no apoio ao regime devido a décadas de sanções econômicas e à repressão contra protestos. Entre dezembro e janeiro, manifestações contra a inflação foram reprimidas a tiros, deixando milhares de feridos, de acordo com relatos de moradores.
Sucessão e clima nas ruas
A morte de Ali Khamenei abriu caminho para que seu filho, Mojtaba, assumisse como terceiro líder supremo da história do país. Gravemente ferido no mesmo ataque que matou o pai, Mojtaba não aparece em público desde o início da guerra.
Imagem: Internet
O ambiente em Teerã contrasta com o tumultuado funeral do aiatolá Ruhollah Khomeini, em 1989, quando milhões acompanharam o cortejo em prantos. Agora, muitos habitantes relatam tensão e patrulhas constantes de basijis — a milícia voluntária ligada à Guarda Revolucionária. “É como se a vida tivesse parado”, disse Samira, 35 anos, que pretende deixar a capital durante as homenagens.
As cerimônias prosseguem até sábado (4), quando o corpo de Ali Khamenei deve ser enterrado em local ainda não divulgado oficialmente.
Com informações de G1