Terremotos soterram venezuelanos deportados pelos EUA; sobreviventes relatam abandono em hotel de La Guaira

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Um grupo de 146 venezuelanos deportados dos Estados Unidos desembarcou no Aeroporto Internacional de Maiquetía em 24 de junho de 2026, poucas horas antes de dois fortes terremotos atingirem a Venezuela. A maioria dos repatriados do voo 164 foi levada pelo programa governamental Missão Volta à Pátria ao Hotel Santuário La Llanada, em La Guaira, epicentro dos desabamentos que se seguiram aos tremores.

Quem

No voo fretado pela companhia Global X viajavam 120 homens, 19 mulheres, cinco meninos e duas meninas. Entre eles estava Orlando Torres, que sobreviveu porque teve seu último trâmite atrasado por uma chamada telefônica não atendida. Outros nomes citados por familiares e sobreviventes incluem Abelardo Rincón, de 23 anos, e Darwin Eliécer Serrano López, de 35.

O que aconteceu

Enquanto realizavam procedimentos sanitários, migratórios e de segurança exigidos pelo Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), os passageiros foram surpreendidos pelos abalos sísmicos que derrubaram o prédio principal do hotel, de quatro andares. Relatos coletados pela BBC News Mundo indicam que apenas 12 pessoas conseguiram deixar o local com vida logo após o colapso; o número exato de sobreviventes ainda é incerto.

Como escaparam

Sem socorro imediato, vários deportados cavaram por conta própria entre os escombros. Torres usou uma cadeira para proteger a cabeça antes de correr para fora do anexo onde se encontrava. Pedro (nome fictício) e Ninoska Gutiérrez relatam ter sido retirados por colegas que, do lado de fora, abriram passagens improvisadas. José Navas e outros dez homens abriram um buraco até alcançarem a superfície.

Acusações de abandono

Sobreviventes e parentes afirmam que agentes do Sebin priorizaram o resgate de colegas e fecharam o acesso ao hotel horas depois. Segundo testemunhas, o primeiro reforço externo — um pequeno grupo de bombeiros — só chegou por volta das 23h, cerca de cinco horas após o terremoto. A corporação teria iniciado a retirada sistemática de corpos e feridos apenas às 3h da manhã seguinte.

Buscas por informações

Sem listas oficiais de mortos e desaparecidos, famílias percorrem hospitais e necrotérios de La Guaira e Caracas. José Rincón vasculhou mais de 200 corpos em busca do neto Abelardo, que morava em Atlanta e cuja esposa está grávida. Paola Chacón, prima de Darwin Serrano López, cobra a liberação dos corpos para sepultamento.

Posição das autoridades

O Departamento de Segurança Interna dos EUA confirmou apenas que “o voo chegou com segurança à Venezuela” e que, após a desembarque, o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) não mantém responsabilidade sobre os deportados. Já o chefe da Missão Volta à Pátria, Mervin Maldonado, não respondeu aos pedidos de esclarecimento sobre o paradeiro dos repatriados.

Contexto

Os tremores de 24 de junho deixaram pelo menos 2 mil mortos em todo o país, além de dezenas de milhares de feridos e desaparecidos. O voo 164 fazia parte da rota semanal de deportações adotada pelo governo de Donald Trump, que devolveu dezenas de milhares de venezuelanos ao país de origem desde 2023.

Sem celulares e isolados no alto de uma colina, os passageiros celebravam o retorno à terra natal quando o hotel ruiu. “O sonho americano não se realizou, mas estávamos prontos para seguir em frente”, recorda Pedro. Agora, sobreviventes e familiares pedem respostas sobre quantos deixaram de fato o edifício com vida e cobram a identificação dos corpos que ainda permanecem sob os escombros.

Com informações de BBC News Brasil

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Rafael Oliveira é profissional do mercado digital desde 2021, com experiência em produção de conteúdo, SEO e gestão de portais de notícias. Como responsável pelo RSO Notícias, dedica-se a oferecer informações confiáveis, atualizadas e relevantes, sempre com compromisso editorial, transparência e qualidade na comunicação.