O Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) deteve mais de 10 mil pessoas entre quinta-feira e segunda-feira, dobrando a média diária de prisões registrada no início do ano, de cerca de 1 mil para 2 mil, segundo documentos internos e relatos de autoridades federais.
A ofensiva foi desencadeada após dirigentes do ICE receberem orientação para aumentar o número de detenções. Três funcionários com conhecimento das discussões afirmam que a Casa Branca passou a considerar 2 mil prisões diárias como novo parâmetro de fiscalização.
Reforço de agentes e operações discretas
Nos e-mails distribuídos à equipe, chefes da agência pediram que o maior contingente possível de agentes trabalhasse sete dias por semana e direcionasse 80% do efetivo para ações de captura. O pico ocorreu no sábado, quando 2 400 pessoas foram detidas.
O secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, defendeu uma estratégia menos visível que as operações amplamente divulgadas em 2025, após uma ação em Minnesota que resultou na morte de dois cidadãos norte-americanos. Desta vez, prisões ocorreram em apresentações de rotina a autoridades migratórias, paradas de trânsito e abordagens nas ruas, sem anúncios prévios.
Pressão política e respaldo jurídico
O aumento das detenções reflete o empenho do presidente Donald Trump em cumprir a promessa de deportações em massa, prioridade para a base conservadora. Na mesma semana, a Suprema Corte ampliou os poderes presidenciais sobre política migratória, permitindo o fim de proteções do Status de Proteção Temporária (TPS) para estrangeiros de países afetados por conflitos ou desastres naturais.
Em 2025, o então vice-chefe de gabinete Stephen Miller estipulara meta de 3 mil prisões diárias, não alcançada na época. Desde então, o ICE contratou milhares de agentes e recebeu bilhões de dólares adicionais no orçamento.
Casos que ilustram o impacto
No sul do Texas, a freira nigeriana Letty Ugboaja foi detida a caminho da igreja no domingo e liberada no mesmo dia após intervenção de líderes locais e parlamentares. Segundo a irmã Norma Pimentel, Ugboaja saiu abalada e em prantos.
Imagem: Charly Triballeau
Em Miami, o nicaraguense pai de dois filhos, que tinha audiência migratória marcada para 2027, foi preso na segunda-feira durante apresentação de rotina. Já em Salt Lake City, o mexicano Arturo, 48 anos, foi abordado no domingo quando se dirigia a uma partida de futebol. Sua esposa, Veronica, relatou que o filho de 13 anos ficou traumatizado. O Departamento de Segurança Interna informou que Arturo reentrou ilegalmente no país e permanecerá custodiado enquanto prossegue o processo de deportação.
Custódia e reconhecimento interno
A população nos centros de detenção do ICE subiu em quase 4 mil pessoas, totalizando mais de 63 mil sob responsabilidade da agência até terça-feira. Em mensagem aos funcionários, Marcos Charles, chefe da divisão de deportações, agradeceu o “compromisso inabalável” que resultou em “resultados operacionais notáveis”.
Lauren Bis, porta-voz do Departamento de Segurança Interna, reforçou a posição do governo: “Nossa mensagem é clara: se você entrar ilegalmente em nosso país, nós o encontraremos, prenderemos e deportaremos.”
Com informações de O Globo