Estados Unidos avisam Irã sobre receio de que Israel elimine negociadores, dizem autoridades

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Autoridades dos Estados Unidos alertaram o Irã, nos últimos meses, sobre a possibilidade de que Israel assassinasse figuras centrais das tratativas em curso entre Teerã e Washington, relataram dois funcionários norte-americanos.

Segundo esses funcionários, o receio dos EUA concentrava-se em dois alvos potenciais: Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e principal interlocutor das conversas, e o ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi, também muito ativo nas negociações. Os avisos teriam sido transmitidos por canais intermediários.

O The New York Times foi o primeiro veículo a divulgar a existência desses alertas. Até a sexta-feira, 26, não havia sinais de que a inteligência norte-americana dispusesse de informações sobre um plano específico de Israel para executar os assassinatos.

Reações em Tel Aviv e Washington

Um alto responsável da Defesa israelense já havia declarado publicamente o desejo de Jerusalém de eliminar lideranças iranianas de alto escalão. O então presidente Donald Trump reconheceu que tais ações dificultavam as negociações. Em março, Trump se recusou a revelar nomes de negociadores iranianos, justificando que “não queria que fossem mortos” e acrescentando que “já eliminaram todo mundo”.

Após a publicação do NYT, o gabinete do premiê Benjamin Netanyahu classificou a reportagem como “fake news” na rede X. A embaixada israelense em Washington preferiu não se manifestar, enquanto a Casa Branca foi procurada, mas ainda não respondeu.

Tensões entre Trump e Netanyahu

Em alguns momentos, Trump e Netanyahu divergiram abertamente quanto à condução da guerra contra o Irã. O líder israelense demonstrava frustração com o andamento das negociações, enquanto Trump avaliava que Netanyahu estaria disposto a inviabilizar um início de paz. Em junho, o ex-presidente chegou a usar palavrões ao criticar, segundo duas fontes, uma operação militar israelense planejada para o Líbano.

Integrantes do governo Trump também monitoravam de perto a ampliação das atividades de espionagem israelense, que, de acordo com um funcionário americano, intensificou a vigilância sobre autoridades iranianas e dos EUA nos últimos meses.

Assassinatos anteriores e impacto nas conversas

No início da guerra, Israel matou dezenas de líderes políticos e religiosos no Irã, entre eles o líder supremo do país e o chefe da segurança nacional, Ali Larijani. Quando ficou evidente que a ofensiva não resultaria em mudança de regime, Washington reduziu o apoio à estratégia israelense e passou a priorizar o diálogo.

Qualquer ação contra Ghalibaf ou Araghchi poderia comprometer as negociações, que já enfrentam incertezas. Apesar de Estados Unidos e Irã terem assinado um memorando prevendo cessar-fogo de 60 dias, pontos sensíveis — como o destino do estoque nuclear iraniano — ficaram para discussões posteriores. Mesmo durante a trégua, o Irã disparou contra navios no Estreito de Ormuz, e os EUA responderam com ataques a alvos iranianos.

As conversas prosseguem sem garantia de sucesso, enquanto Washington tenta evitar que novos ataques ponham fim ao frágil entendimento.

Com informações de CNN Brasil

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Rafael Oliveira é profissional do mercado digital desde 2021, com experiência em produção de conteúdo, SEO e gestão de portais de notícias. Como responsável pelo RSO Notícias, dedica-se a oferecer informações confiáveis, atualizadas e relevantes, sempre com compromisso editorial, transparência e qualidade na comunicação.