Rússia expande recrutamento de estudantes para unidades de drones após aumento de baixas na Ucrânia

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Moscou – A Rússia intensificou, desde o início de 2026, a campanha de alistamento de alunos de universidades, faculdades técnicas e escolas profissionalizantes para repor as crescentes perdas na guerra contra a Ucrânia. O programa, focado em jovens com dificuldades acadêmicas ou dispostos a interromper os estudos, promete contratos de um ano em um novo segmento das Forças Armadas batizado de “tropas de sistemas não tripulados”, responsável pela operação de drones.

Três mortes confirmadas entre os primeiros recrutas

Entre as primeiras vítimas dessa iniciativa estão:

  • Valery Averin, 23 anos, aluno do último ano da Escola Técnica Republicana de Construção da Buriácia. Órfão criado em um internato na Sibéria, ele concluiu três meses de treinamento para operar drones, mas morreu em 8 de abril, atingido por morteiros perto de Luhansk, região ocupada pelo exército russo.
  • Vladislav Gorbunov, 18 anos, morador de Unecha, a 70 km da fronteira ucraniana. Estudante de construção e manutenção ferroviária, assinou contrato militar no fim de 2025 e faleceu em 6 de abril, quatro meses depois, após atuar primeiro em infantaria de assalto e, em seguida, em uma unidade de drones.
  • Rakhim Abdullin, 18 anos, matriculado na Faculdade de Mineração de Kumertau para formação como soldador. Ele se alistou duas semanas após completar a maioridade, em janeiro, e morreu em 13 de março.

Os três nomes constam da lista de 230.407 militares russos mortos confirmados pela BBC News Rússia por meio da checagem de cemitérios, memoriais, documentos oficiais e obituários. Analistas calculam que esses registros cubram de 45% a 55% das perdas totais, o que elevaria o número real de óbitos para algo entre 417 mil e 509,5 mil. O GCHQ, serviço de inteligência do Reino Unido, estimou em maio que as baixas russas já se aproximam de 500 mil.

Campanha em larga escala nas instituições de ensino

O Ministério da Defesa russo passou a organizar encontros de recrutamento em todo o país logo após declarar, em novembro de 2025, que queria voluntários com menos de 35 anos por considerá-los mais abertos a “novas tecnologias”. A BBC News Rússia identificou ações de alistamento em pelo menos 95 campi até fevereiro; em abril, o jornal estudantil Groza contou quase 270 centros de ensino envolvidos.

Aos estudantes são oferecidos:

  • pagamento mínimo de cinco milhões de rublos (cerca de R$ 296 mil) em Moscou;
  • bonificações únicas;
  • vagas custeadas pelo Estado;
  • facilidades para ingressar na pós-graduação;
  • melhores condições de alojamento.

Advogados e defensores de direitos humanos alertam que, após o decreto de mobilização parcial assinado por Vladimir Putin em setembro de 2022, contratos militares tendem a ser prorrogados até o fim da mobilização, tornando improvável que um recruta seja liberado após 12 meses.

Função considerada “segura” registra quase mil baixas

Embora o posto de operador de drone seja apresentado como menos arriscado que o combate direto, levantamento feito pela BBC News Rússia, pelo Mediazona e por voluntários aponta pelo menos 920 mortes de militares russos nessa função desde fevereiro de 2022, número semelhante ao das perdas em unidades de artilharia.

Além dos incentivos financeiros, estudantes relatam pressões internas. Em Novosibirsk, um diretor foi gravado chamando de “covardes” os alunos que recusavam o alistamento. Um ex-assessor da Reitoria da Universidade Federal do Extremo Oriente disse que a instituição recebeu meta para enviar 32 estudantes ao front – informação negada pela universidade.

No quinto ano de guerra, o recrutamento de jovens evidencia a dependência crescente de estruturas civis, como centros acadêmicos, para sustentar o esforço militar de Moscou. A rápida morte de vários recrutas, porém, expõe o risco elevado do posto anunciado como “tecnológico e protegido”.

Com informações de G1

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Rafael Oliveira é profissional do mercado digital desde 2021, com experiência em produção de conteúdo, SEO e gestão de portais de notícias. Como responsável pelo RSO Notícias, dedica-se a oferecer informações confiáveis, atualizadas e relevantes, sempre com compromisso editorial, transparência e qualidade na comunicação.