No 4 de julho de 2026, data que marca os 250 anos da independência dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump voltou a afirmar que “não há limites” para a autoridade que exerce na Casa Branca, colocando em evidência o debate histórico sobre o tamanho do poder conferido ao chefe do Executivo norte-americano.
Quem critica
Milhões de manifestantes em várias cidades dos EUA e em outros países carregaram faixas com dizeres como “sem reis” e “temos uma Constituição, não um rei”, acusando Trump de ultrapassar barreiras institucionais. Parlamentares de oposição e especialistas apontam vários episódios:
- lançamento de ações militares contra o Irã sem aval do Congresso;
- operação sigilosa na Venezuela que levou à captura de Nicolás Maduro, mantida longe da maioria dos legisladores;
- imposição de tarifas globais por meio de poderes de emergência, depois consideradas inconstitucionais pela Suprema Corte em 2025;
- uso do Departamento de Justiça para investigar adversários, como o ex-diretor do FBI James Comey, contrariando a separação tradicional entre Casa Branca e promotoria federal.
Apoio e popularidade
Mesmo sob críticas, Trump mantém sólido respaldo entre republicanos: quatro em cada cinco eleitores do partido aprovam o governo, segundo pesquisa YouGov. No eleitorado em geral, a aprovação está abaixo de 40%, nível menor que no início de seu segundo mandato, iniciado após a vitória sobre Joe Biden em 2024.
Vozes acadêmicas
Para o historiador Julian Zelizer, da Universidade de Princeton, “nenhum presidente foi tão longe nem demonstrou tanto entusiasmo pelo poder”. Já Joshua Treviño, do America First Policy Institute, adverte que a “estética” de Trump pode ser confundida com expansão de prerrogativas e lembra que Franklin D. Roosevelt e Richard Nixon também buscaram ampliar o alcance do Executivo.
Debate que vem do século 18
A discussão sobre limites presidenciais remonta aos Pais Fundadores. John Adams temia uma aristocracia dominante, enquanto Thomas Jefferson receava uma figura monárquica. Documentos da época mostram que chegaram a ser cogitados títulos como “Sua Alteza” ou “Sua Majestade Eleita” para o ocupante da presidência.
Vozes nas ruas
Em Annapolis (Maryland), a norte-americana Lorraine Ross, que comemorava 60 anos em uma taverna frequentada por Washington e Jefferson, disse temer cortes em benefícios sociais e critica o Congresso por “deixar o presidente sem controle”. Já o turista John Knox, da Geórgia, prefere que eventuais insatisfações sejam manifestadas nas urnas, não nas festas de 4 de julho.
Imagem: Internet
Monte Rushmore em pauta
Na véspera das celebrações, Trump visitou Keystone (Dakota do Sul) para assistir a um show de fogos no Monte Rushmore. A passagem alimentou memes e um projeto de lei que propõe esculpir o rosto do atual presidente ao lado de George Washington, Thomas Jefferson, Abraham Lincoln e Theodore Roosevelt. O aposentado Terry Davis, 72 anos, defende que a imagem de Trump seja “a maior, no centro”. O motociclista Tim Burke aposta que, “em 20 ou 30 anos, historiadores o classificarão como um dos maiores presidentes”.
Consequências futuras
Zelizer alerta que cada ampliação de poder cria precedentes permanentes: “gera normalização do que se espera dos próximos presidentes”. A lembrança contrasta com o tom cauteloso de George Washington em 1789, quando o primeiro presidente declarou que um líder “deve estar consciente de suas próprias deficiências” — postura distante da autodefesa de Trump, que se define como “o maior presidente da história”.
Com informações de G1