Pelo menos 30 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas no forte bombardeio russo contra Kiev na quinta-feira (2), o terceiro mais letal na capital ucraniana desde o início da guerra, segundo autoridades locais.
O Estado-Maior ucraniano informou que Moscou lançou 77 mísseis e um grande número de drones, entre eles novos veículos aéreos não tripulados de propulsão a jato do modelo Geran-4, capazes de voar a aproximadamente 500 km/h. A velocidade e a quantidade desses equipamentos sobrecarregaram as defesas aéreas de Kiev, que enfrentam escassez de mísseis interceptadores.
Arsenal empregado
A Força Aérea da Ucrânia contabilizou 28 mísseis balísticos no ataque — “um número muito, muito alto”, declarou o porta-voz Yurii Ihnat. Entre os projéteis identificados estava o Zircon, míssil hipersônico antinavio e de ataque terrestre que só pode ser abatido pelo sistema norte-americano Patriot. O Ministério da Defesa ucraniano afirma dispor de poucas baterias Patriot e de estoques limitados de munição, motivo pelo qual enviou cartas a quase 40 países pedindo o envio imediato de novos interceptadores.
Apesar das limitações, Kiev disse ter derrubado mais de 90% dos mísseis de cruzeiro e 90% dos drones Shahed lançados durante a ofensiva.
Alvos residenciais
Autoridades locais relataram danos em cerca de 25 pontos da cidade, a maioria em zonas residenciais. Um edifício de 64 apartamentos foi destruído, deixando dezenas de famílias desabrigadas. O presidente Volodymyr Zelensky afirmou que mais de 130 prédios habitacionais ficaram avariados e acusou a Rússia de atacar infraestrutura civil “todos os dias e todas as noites”.
Moscou alegou que mirou instalações do complexo militar-industrial, de combustível e de energia, versão contestada pela extensão dos danos a áreas civis.
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Alerta prévio salvou vidas
Na véspera do bombardeio, a inteligência ucraniana emitiu aviso de ataque iminente. O alerta levou cerca de 52,5 mil pessoas — entre elas 4,5 mil crianças — a passarem a noite em estações de metrô usadas como abrigo, o que, segundo as autoridades, evitou um número ainda maior de vítimas.
Esgotamento de recursos
O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), com sede nos Estados Unidos, avaliou que o uso crescente de drones a jato faz parte de uma “inovação tática” russa destinada a maximizar danos civis enquanto drena os recursos defensivos ucranianos. O centro de pesquisa também acredita que Moscou vinha armazenando armamentos desde junho e que sua produção mensal de milhares de drones permite a realização de ofensivas em larga escala a cada dois dias.
Com informações de R7