Fungo encontrado em Chernobyl prospera sob radiação e pode converter energia, apontam cientistas

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Quase 40 anos após o desastre nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, pesquisadores continuam surpreendidos com o Cladosporium sphaerospermum, fungo que cresce nas paredes de um dos prédios mais contaminados da antiga usina. Em vez de ser afetado pela radiação intensa, o micro-organismo parece usá-la a seu favor, mostrando desenvolvimento acelerado em ambientes altamente radioativos.

A espécie foi identificada no fim da década de 1990 durante levantamentos biológicos realizados na zona de exclusão criada após a explosão do reator 4, em 1986. Várias colônias de fungos escuros, ricas em melanina, foram catalogadas, mas o C. sphaerospermum dominava as áreas com maior concentração de partículas ionizantes.

Em testes de laboratório, cientistas observaram que o fungo crescia mais rápido quando exposto a níveis elevados de radiação ionizante. O resultado levou à hipótese de que a melanina poderia agir de maneira semelhante à clorofila em plantas, utilizando a energia liberada pela radiação para impulsionar processos metabólicos — mecanismo batizado de “radiossíntese”. O conceito, contudo, ainda não foi comprovado de forma definitiva e segue em investigação.

Além da possível conversão energética, a melanina mostrou capacidade de reduzir os danos provocados por partículas radioativas, funcionando como um escudo natural. A característica despertou interesse de pesquisadores ligados à exploração espacial, que buscam materiais capazes de proteger equipamentos e astronautas em missões de longa duração.

Em 2022, amostras do fungo foram expostas ao exterior da Estação Espacial Internacional (ISS). Os ensaios indicaram que o C. sphaerospermum bloqueou parte da radiação cósmica incidente, reforçando seu potencial como barreira biológica. Os responsáveis pelos testes enfatizam que o experimento não confirma a radiossíntese, mas comprova a eficiência do pigmento como proteção física.

O fungo de Chernobyl tornou-se exemplo de adaptação da vida a condições extremas e pode abrir caminhos para aplicações em biotecnologia, medicina e viagens espaciais. Apesar das lacunas que ainda cercam seu metabolismo, o micro-organismo segue motivando pesquisas sobre como seres vivos podem não apenas suportar, mas também explorar ambientes hostis.

Com informações de iG Último Segundo

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Rafael Oliveira é profissional do mercado digital desde 2021, com experiência em produção de conteúdo, SEO e gestão de portais de notícias. Como responsável pelo RSO Notícias, dedica-se a oferecer informações confiáveis, atualizadas e relevantes, sempre com compromisso editorial, transparência e qualidade na comunicação.