O secretário do Interior dos Estados Unidos, Doug Burgum, afirmou neste domingo (5) que o governo federal não tinha base legal para impedir a manifestação do grupo supremacista branco Patriot Front realizada no sábado (4), em Washington, durante as comemorações dos 250 anos da independência do país.
Em entrevista ao programa “State of the Union”, da CNN, Burgum explicou que a Constituição garante o direito de reunião e expressão, mesmo quando as opiniões defendidas são consideradas repugnantes. “É uma ideologia com a qual eu jamais poderia concordar”, disse. “Ainda assim, está protegida pela liberdade de expressão, mesmo que isso torne a democracia confusa.”
Marcha na capital
Centenas de integrantes mascarados do Patriot Front marcharam com tambores próximo ao Capitólio e à Union Station antes de embarcar em trens para um subúrbio do Distrito de Columbia. O grupo carrega bandeiras e símbolos que exaltam a supremacia branca e a aversão a imigrantes.
No site da organização, um manifesto sustenta que “a democracia falhou com esta nação outrora grandiosa” e pede um “reinício completo” para restaurar “as tradições e virtudes” de colonizadores europeus. Apesar do teor antidemocrático, o ato transcorreu sem registros de violência ou prisões.
Comparação com críticos de Trump
Burgum ressaltou que manifestantes contrários ao presidente Donald Trump que se reúnem no National Mall gozam dos mesmos direitos constitucionais. Questionado se condenaria o Patriot Front ou sugeriria que Trump o fizesse, respondeu que a marcha representou “uma aberração” entre os eventos oficiais do feriado.
Imagem: Internet
Obras em Washington
O secretário também defendeu as reformas conduzidas pelo governo na capital federal. Em entrevista ao programa “This Week”, da ABC, disse que a gestão Trump já recuperou “dezenas de monumentos e fontes” e “tornou Washington segura e bonita”.
Entre as obras citadas está a polêmica revitalização de US$ 14,7 milhões no espelho d’água do Memorial Lincoln. O local apresentou crescimento de algas e descascamento poucos dias após a entrega. Burgum reiterou a acusação feita por Trump de que vândalos teriam danificado o revestimento com estiletes, embora não haja comprovação oficial. A mesma empresa contratada sem licitação ficará responsável pelos reparos.
Com informações de Folha de S.Paulo