Técnicos em drones da televisão estatal registraram, nesta segunda-feira (6), avenidas centrais de Teerã tomadas por dezenas de milhares de pessoas no cortejo fúnebre do aiatolá Ali Khamenei, morto em 28 de fevereiro. O ato marcou o maior dia de mobilização desde o início, na sexta-feira (3), de uma série de cerimônias públicas de luto.
Os caixões de Khamenei e de quatro familiares foram levados sobre um caminhão aberto. Para amenizar o calor, mangueiras de incêndio lançavam água sobre a multidão. Sob uma ponte, participantes atiraram pedras em um cartaz com a imagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retratado com uma bala apontada para a cabeça e a frase: “Os EUA mataram nosso pai. Não deixaremos barato”.
Bandeiras dos EUA e do Reino Unido foram incendiadas. Mulheres trajando chador preto ergueram placas vermelhas com a inscrição “MATEM TRUMP”. Outros cartazes mostravam Trump, o vice-presidente JD Vance, o secretário de Defesa Pete Hegseth e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu dentro de miras de arma acompanhadas do aviso: “Haverá sangue”. Entre as grandes faixas, destacavam-se bandeiras nacionais e estandartes vermelhos que faziam referência aos “vingadores de Khamenei”, adaptação de um lema histórico do islamismo xiita.
Cerimônias desde sexta-feira
A série de homenagens teve início na sexta-feira, quando os caixões de Khamenei, de uma filha, do neto de 14 meses, de um genro e da esposa de Mojtaba Khamenei foram apresentados a autoridades iranianas e representantes estrangeiros. Grandes vigílias ao ar livre ocorreram no sábado (4) e no domingo (5), culminando no cortejo desta segunda-feira.
No domingo, três filhos do líder assassinado rezaram junto ao caixão em um salão de orações na capital. Mojtaba Khamenei, que assumiu o cargo de líder supremo, não compareceu. Segundo autoridades, ele estaria desfigurado pelos ferimentos sofridos no ataque que matou o pai e não é visto desde o início da guerra.
Próximos ritos e quadro político
O governo informou que, ainda nesta semana, os corpos seguirão para procissões em Qom, centro religioso xiita do Irã, e em duas cidades sagradas no Iraque. O sepultamento ocorrerá em Mashhad, em um complexo de santuários medievais.
Imagem: REUTERS
O conflito terminou com um acordo de paz preliminar, firmado no mês passado, que manteve o clero no poder e proclamou influência sobre o fornecimento mundial de energia via Estreito de Ormuz. Trump declarou vitória, apesar de metas iniciais — como desmontar programas nucleares e de mísseis iranianos — não terem sido alcançadas. O presidente afirmou, no fim de semana, que as negociações de paz foram adiadas em uma semana para que Teerã realizasse as cerimônias.
Em Tel Aviv, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou nesta segunda-feira que Khamenei foi morto por liderar “um plano para destruir Israel” e advertiu que qualquer futuro dirigente iraniano que tentar repetir o projeto “também será eliminado”.
Com informações de CNN Brasil