Londres, 6 de julho de 2026 – Dois caças F-35 decolaram do porta-aviões HMS Prince of Wales, da Marinha Real britânica, para interceptar um avião russo de patrulha marítima Bear-F que sobrevoava o grupo de ataque da Otan no Mar da Noruega, informou nesta segunda-feira (6) o Ministério da Defesa do Reino Unido.
O incidente ocorreu na última quinta-feira, enquanto o porta-aviões conduzia exercícios de defesa aérea nas proximidades da Islândia, dentro da operação Sentinela do Ártico, conduzida pela aliança. Segundo a pasta, a aeronave russa aproximou-se repetidamente em baixa altitude e “desnecessariamente perto” do navio-aeronave capitânia, sem responder a chamadas em frequências internacionais.
Sonoboias lançadas
De acordo com os militares britânicos, o Bear-F lançou dez sonoboias — dispositivos equipados com sonar para detecção de submarinos — antes de ser escoltado pelos F-35 até deixar a área.
Grupo de ataque em atividade
O Grupo de Ataque de Porta-Aviões do Reino Unido, atualmente mobilizado sob comando da Otan, reúne cerca de 1,5 mil militares britânicos. Além do HMS Prince of Wales, a força inclui o destróier HMS Duncan, helicópteros Merlin e Wildcat e o navio-tanque RFA Tidespring. Esta é a primeira vez que a aliança realiza missões de policiamento aéreo a partir de um porta-aviões europeu, segundo o Ministério da Defesa.
Reação do governo
Em nota, um porta-voz classificou a manobra russa como “insegura e pouco profissional”. Durante visita ao HMS Prince of Wales no fim de semana, o secretário de Defesa britânico, Dan Jarvis, afirmou à Channel 4 News que “vivemos em um período cada vez mais perigoso e incerto”, acrescentando que a Rússia representa ameaça “em todos os domínios: subaquático, superfície, terra, ar, espaço e ciberespaço”. A ministra das Relações Exteriores da Islândia, Thorgerdur Katrin Gunnarsdottir, acompanhou a inspeção.
Imagem: Chris Sellars
Tensão crescente
Em junho, o chefe do Estado-Maior da Defesa do Reino Unido, Sir Richard Knighton, declarou à BBC que Moscou vinha “sondando, desafiando e testando” as defesas ocidentais, aumentando o risco de escalada. A Otan avalia que a Rússia poderá estar disposta a empregar força militar plena até 2030.
O confronto aéreo ocorre poucas semanas depois de fuzileiros navais britânicos abordarem um petroleiro ligado à chamada “frota fantasma” de Moscou no Canal da Mancha, episódio citado por autoridades europeias como parte de uma intensificação de táticas de guerra híbrida russas em áreas estratégicas para a segurança da aliança.
Com informações de O Globo