LIMA – Três dias depois de a Justiça Eleitoral proclamar Keiko Fujimori vencedora do segundo turno presidencial, o candidato de esquerda Roberto Sánchez reconheceu nesta segunda-feira (6) a derrota nas urnas.
Em comunicado, Sánchez e o partido Juntos por el Perú declararam que “reconhecem que a Comissão Nacional Eleitoral proclamou oficialmente os resultados eleitorais”. A nota encerra a ameaça de contestar o pleito, levantada durante a apuração.
Disputa apertada
O Jurado Nacional Eleitoral (JNE) ratificou a vitória de Fujimori na sexta-feira (3). A candidata do Fuerza Popular obteve 9.223.396 votos, ou 50,135%, contra 9.173.755 votos de Sánchez, equivalente a 49,865%. A diferença ficou em 49.641 votos. A votação ocorreu em 7 de junho.
Acusações de fraude e recursos
Em 23 de junho, após liderar um protesto em Lima, Sánchez acusou “fraude em curso” no processo de contagem e ingressou com ações para anular votos da capital e do exterior. O JNE considerou improcedentes os pedidos, inclusive o que buscava impugnar as urnas fora do país. Durante a apuração, o candidato chegou a liderar, mas foi ultrapassado quando foram computados os votos de peruanos residentes no exterior.
Sánchez indicou ainda que levaria o caso à Corte Interamericana de Direitos Humanos, alegando irregularidades administrativas na votação no exterior. Especialistas ouvidos pelo jornal El Comercio afirmaram que não há base jurídica para anular os sufrágios.
Pronunciamento de Fujimori
Com a vantagem consolidada em 24 de junho, Fujimori fez um pronunciamento em Lima e prometeu “voltar a unir o país”, reconhecendo a forte polarização mostrada nas urnas.
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Cenário político instável
Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko assumirá a Presidência em meio a alta da criminalidade, problemas sociais e um Congresso fragmentado entre direita e esquerda. Ela substituirá o presidente interino José María Balcázar Zelada, no cargo há apenas quatro meses.
O Peru atravessa sequência de trocas no Executivo: José Jeri ficou apenas quatro meses e foi destituído por má conduta; antes dele, Dina Boluarte perdeu o mandato por denúncias de corrupção; e Pedro Castillo foi preso após tentar fechar o Congresso. Nos últimos oito anos, o país teve oito presidentes.
Com o reconhecimento de Sánchez, o processo eleitoral encerra oficialmente o ciclo que começou com o primeiro turno, marcado por protestos, recursos judiciais e acusações de fraude.
Com informações de G1