O Irã iniciou no sábado, 4 de julho, o funeral de Estado do aiatolá Ali Khamenei, morto há pouco mais de quatro meses. Além de marcar a despedida do líder que comandou o país por 37 anos, as cerimônias tornaram-se uma vitrine da capacidade de sobrevivência da República Islâmica após meses de conflito militar com Estados Unidos e Israel.
Khamenei faleceu no início da ofensiva liderada por Washington e Tel Aviv, episódio que alimentou previsões de colapso institucional em Teerã. Quatro meses depois, o governo iraniano utiliza o longo cortejo fúnebre para sinalizar que as principais engrenagens do Estado continuam ativas e que o processo sucessório já está encaminhado.
Cerimônias em várias cidades
O funeral começou na capital iraniana e deverá percorrer outras localidades do país, além de sítios sagrados no Iraque, ao longo de vários dias. A expectativa oficial é de que milhões de pessoas acompanhem os ritos. O esquema de segurança foi reforçado e envolve autoridades civis, militares, religiosas e delegações estrangeiras.
Poder mais centralizado
Especialistas ouvidos pelo jornal Washington Post apontam que a guerra fortaleceu o núcleo mais radical do poder iraniano. A morte de parte da antiga cúpula militar durante o conflito abriu espaço para novos comandantes ligados à Guarda Revolucionária Islâmica, o que teria tornado a estrutura de comando ainda mais concentrada e menos aberta a concessões ao Ocidente.
Funeral com peso político
Ao promover uma grande mobilização popular e institucional, o governo busca reforçar a narrativa de resistência aos ataques externos e demonstrar capacidade de organização após meses de tensão. O evento também serve como teste da estabilidade interna e da eficácia da transição para a nova geração de dirigentes, considerada mais jovem e ainda mais conservadora que a anterior.
Imagem: Internet
Mesmo com a exibição de unidade, o país segue enfrentando graves desafios, entre eles dificuldades econômicas, insatisfação popular e as repercussões da guerra. Analistas ponderam, porém, que o sistema político criado após a Revolução Islâmica de 1979 passou por seu maior teste em décadas e, ao menos no curto prazo, se mantém intacto sob liderança ainda mais linha-dura.
Com informações de Jovem Pan