São Paulo – Reportagem publicada nesta semana pelo The New York Times informa que Israel teria gasto anos preparando o ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad para voltar ao poder em Teerã. A apuração, assinada pelos repórteres Mark Mazzetti, Julian Barnes, Farnaz Fassihi e Ronen Bergman, descreve uma operação conduzida pelo Mossad e coloca Ahmadinejad, hoje sob prisão domiciliar, no centro de uma estratégia que fracassou por falta de apoio interno.
O que aconteceu
• Alvo de ataque: Em 28 de fevereiro, primeiro dia do conflito que opôs Israel e Irã, um bombardeio israelense atingiu o complexo residencial de Ahmadinejad na capital iraniana. Segundo o jornal norte-americano, o objetivo era destruir o prédio ocupado por agentes da Guarda Revolucionária que faziam a segurança do ex-presidente.
• Extração sigilosa: Minutos após a explosão, um Peugeot preto parou nos escombros. Operativos do Mossad teriam retirado Ahmadinejad do local e levado o político a um esconderijo secreto ainda dentro do Irã.
• Fuga do abrigo: Assustado com a operação e descrente de que voltaria ao poder com legitimidade, Ahmadinejad deixou o refúgio por conta própria. Depois disso, foi visto apenas uma vez, rapidamente, no cortejo fúnebre do líder supremo Ali Khamenei.
Por que o plano emperrou
De acordo com o NYT, o serviço secreto israelense acreditava que colocar um rosto conhecido no topo do governo facilitaria uma transição em caso de queda do atual regime. A Inteligência Militar de Israel, porém, teria advertido que a população iraniana dificilmente aceitaria um líder associado a um poder estrangeiro, além de temer a possibilidade de a Guarda Revolucionária instaurar uma ditadura militar.
Contexto histórico

Imagem: Rodrigo da Silva
A reportagem recorda iniciativas semelhantes que fracassaram por falta de apoio popular, como a tentativa norte-americana de instalar Ahmed Chalabi no Iraque pós-Saddam, a fuga do então presidente Ashraf Ghani do Afeganistão em 2021 e o reconhecimento internacional de Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela em 2019. Também menciona a Operação Ajax, golpe orquestrado pela CIA em 1953 que manteve o xá Mohammad Reza Pahlavi no poder por 25 anos e precedeu a Revolução Islâmica de 1979.
Situação atual
Ahmadinejad continua sob custódia da inteligência da Guarda Revolucionária em Teerã. O NYT não detalha o paradeiro exato do ex-presidente nem as condições de sua prisão domiciliar. Israel, por sua vez, não comentou oficialmente as informações.
O relatório jornalístico conclui que a operação, embora espetacular em termos de inteligência, fracassou no ponto central: conquistar legitimidade entre os próprios iranianos.
Com informações de Estadão