O tubarão-branco Contender, considerado o maior macho da espécie já marcado no Atlântico Norte, voltou a emitir sinal na sexta-feira, 10 de julho, depois de mais de dois meses sem qualquer registro. O alerta partiu do transmissor via satélite instalado pela organização OCEARCH, que captou um breve “Z-ping” quando o animal emergiu perto da costa leste dos Estados Unidos.
Reencontro com o gigante
Contender mede 4,2 metros de comprimento, pesa aproximadamente 770 quilos e foi marcado em janeiro de 2025, a cerca de 72 quilômetros da divisa entre a Flórida e a Geórgia. Desde então, percorreu milhares de quilômetros: passou pelas Carolinas, por Nova Jersey, por Cape Cod, em Massachusetts, e alcançou águas canadenses.
O último contato antes do recente sinal havia ocorrido no fim de abril de 2026, quando o animal estava próximo à Carolina do Norte. Como o transmissor só envia dados com a barbatana dorsal totalmente fora da água, o curto tempo em superfície não permitiu ao sistema de satélites Argos calcular a posição exata nesta nova detecção.
Indício de população em recuperação
Segundo a OCEARCH, o novo registro confirma que o tubarão continua vivo e migrando pelo Atlântico Norte. A entidade destaca que Contender é o maior macho já identificado entre os cerca de 500 tubarões acompanhados pela equipe — número que representa apenas uma fração da população real.
Estudo publicado em 2023 na revista Marine Ecology Progress Series estimou que aproximadamente 800 tubarões-brancos visitaram as águas de Cape Cod entre 2015 e 2018, impulsionados principalmente pela abundância de focas, uma de suas presas favoritas. Para o fundador da OCEARCH, Chris Fischer, medidas de proteção ambiental adotadas nas últimas décadas nos Estados Unidos contribuíram para a recuperação da espécie.

Imagem: Redes Sociais
Mais pessoas no mar, mais encontros
Dados do Museu da Flórida indicam que Flórida, Havaí e Califórnia concentram o maior número de incidentes com mordidas de tubarão no país, embora ocorrências também sejam registradas nas Carolinas, no Texas e na região de Long Island, Nova York. Com o início do verão no hemisfério norte e o aumento de banhistas, especialistas preveem que os encontros entre humanos e tubarões podem se tornar mais frequentes nas áreas onde esses predadores costumam caçar.
O sinal de Contender reforça o monitoramento permanente que cientistas mantêm sobre a espécie e destaca a importância das tecnologias de rastreamento para compreender padrões de migração e comportamento dos grandes tubarões-brancos.
Com informações de O Globo