Washington, 16.jul.2026 – O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que membros do governo israelense atuaram para convencer a sociedade americana a rejeitar o acordo fechado por Washington no mês passado com o objetivo de encerrar a guerra contra o Irã. A declaração foi feita durante um episódio do podcast apresentado por Joe Rogan, que foi ao ar ontem.
Vance disse manter “boa relação” com parte da administração israelense, mas relatou ter identificado um movimento coordenado para prolongar o conflito. “Há algumas pessoas dentro do sistema que estão, sem sombra de dúvida, manipulando e tentando mudar a opinião pública americana para manter a guerra indefinidamente”, afirmou.
Segundo o vice-presidente, tentativas de influência estrangeira sobre políticas dos EUA são frequentes, porém se tornam problemáticas quando efetivamente impactam decisões internas. “Não me incomoda que Israel faça isso, assim como não me incomoda que a Rússia ou outros países o façam. O que me incomoda é quando essas campanhas afetam o julgamento político americano”, ressaltou.
Vance voltou a defender o acordo firmado em junho, criticado por não incluir medidas explícitas para desmantelar instalações nucleares iranianas e por impor restrições às ações de Israel contra o Hezbollah no Líbano. Questionado se Washington teria entrado na mais recente guerra com o Irã sem a pressão israelense, ele respondeu: “Sim, acredito que o presidente, independentemente de qualquer influência de Israel, está convencido — e eu concordo — de que o Irã não deve possuir uma arma nuclear”.
Israel quer manter tropas em “zonas de segurança”
Em paralelo, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, informou ao secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que pretende manter forças israelenses em áreas classificadas como “zonas de segurança” no Líbano, na Síria e na Faixa de Gaza. De acordo com comunicado do gabinete de Katz, a intenção é proteger fronteiras e comunidades próximas de supostas ameaças jihadistas. “Nunca pedimos aos Estados Unidos que operem em nosso lugar ao longo de nossas fronteiras”, disse o ministro.
A posição israelense foi divulgada depois de Washington considerar “positivas” as rodadas de negociação realizadas em Roma entre representantes de Israel e do Líbano. O governo americano afirmou que, “nos próximos dias”, começará a implementar “zonas-piloto” das quais as tropas israelenses deveriam se retirar.

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O portal Axios noticiou que o ex-presidente Donald Trump solicitou ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a retirada de tropas israelenses da Síria e do Líbano. Apesar de mencionarem regularmente as “zonas de segurança”, autoridades de Israel ainda não detalharam a extensão dessas áreas.
No Líbano, o Exército israelense descreve a presença em uma faixa de cerca de 10 quilômetros dentro do território libanês. Já na Faixa de Gaza, as forças de Israel controlam aproximadamente 60% da área e mantêm operações diárias no perímetro externo, ao longo das fronteiras com Israel e Egito.
As discussões sobre a permanência das tropas ocorrem em meio às críticas ao acordo Washington-Teerã e às declarações de Vance sobre possíveis campanhas estrangeiras para influenciar a opinião pública norte-americana.
Com informações de UOL Notícias