Rayssa Leal conquista etapa carioca da SLS no Maracanãzinho e segue rumo ao pentacampeonato

0

A maranhense Rayssa Leal brilhou mais uma vez. Mesmo sentindo dores causadas por uma queda na véspera, a bicampeã olímpica lotou o Ginásio do Maracanãzinho e venceu a Rio Takeover, terceira parada da Street League Skateboarding (SLS) 2026, com 20,9 pontos. A japonesa Momiji Nishiya, campeã olímpica em Tóquio, terminou a apenas dois centésimos.

Com o segundo troféu na temporada — o primeiro veio em fevereiro, em Sidney — Rayssa abre vantagem na corrida pelo Super Crown, que encerrará o circuito em dezembro, em São Paulo. No masculino, o canadense Cordano Russel arrancou a vitória na última manobra, deixando o paulista Giovanni Vianna como vice-campeão.

Show de Rayssa garante festa brasileira

O Maracanãzinho, tradicional palco de decisões de vôlei e basquete, recebeu pela primeira vez uma etapa da SLS. O clima de estreia não intimidou Rayssa Leal. A skatista de Imperatriz fez quatro voltas consistentes e, nas duas melhores manobras, somou 8,3 e 9,0 — suficientes para superar Momiji Nishiya, que fechou com 20,7.

  • 1º lugar: Rayssa Leal (BRA) — 20,9
  • 2º lugar: Momiji Nishiya (JAP) — 20,7
  • 3º lugar: Daniela Terol (ESP) — 17,7
  • 4º lugar: Gabriela Mazetto (BRA) — 14,8

A vitória reforça o domínio de Rayssa na SLS. Ela já levantou quatro títulos consecutivos do Super Crown (2022 a 2025) e, agora, aparece como franca favorita ao pentacampeonato. Ao final da prova, a atleta dedicou a conquista à família em Imperatriz e mandou um recado especial pelo Dia dos Pais: “Pai, eu te amo”.

Regularidade como marca registrada

Nas palavras da própria skatista, o desempenho foi fruto de “andar tudo o que podia”, estratégia que envolve arriscar manobras difíceis apenas quando o somatório obriga. O alto nível de competitividade da etapa carioca obrigou Rayssa a mesclar segurança e ousadia. Graças a essa leitura de prova, ela sustentou a liderança mesmo quando Nishiya encostou na pontuação.

Equilíbrio decide entre os homens

Se, no feminino, a campeã manteve a ponta do início ao fim, a final masculina reservou reviravoltas. Cinco brasileiros — Giovanni Vianna, Wallace Gabriel, Abner Pietro, Lucas Rabelo e Ivan Monteiro — avançaram à decisão que contou com dez competidores. Vianna assumiu a liderança na penúltima rodada com notas 9,1 e 9,2, mas o canadense Cordano Russel buscou 9,3 na última tentativa e fechou com 27,9 contra 26,9 do paulista.

  • 1º lugar: Cordano Russel (CAN) — 27,9
  • 2º lugar: Giovanni Vianna (BRA) — 26,9
  • 3º lugar: Wallace Gabriel (BRA) — 24,5
  • 5º lugar: Abner Pietro (BRA) — 22,6
  • 7º lugar: Lucas Rabelo (BRA) — 15,9
  • 10º lugar: Ivan Monteiro (BRA) — 7,0

Vianna, natural de Santo André, celebrou o resultado apesar da frustração pela derradeira manobra desperdiçada. “Faltou detalhe, mas saio feliz por dividir esse momento com a torcida”, disse o brasileiro, que ocupa agora a terceira posição no ranking geral masculino.

Tática de risco elevado

A final masculina foi marcada por notas altas desde as primeiras voltas. Quem quisesse levar o título no Rio precisaria alcançar a casa dos 9 pontos na maioria das manobras — algo considerado próximo da perfeição na SLS. Russel arriscou flip noseslide na borda central, manobra que garante grau de dificuldade altíssimo e, por isso, recebe pontuações generosas quando executada sem erro. A ousadia foi recompensada.

Calendário aponta para Tempe, Paris, Tóquio e Super Crown em São Paulo

Com a etapa carioca encerrada, o circuito parte para Tempe, no Arizona (29 de agosto). Na sequência, a elite do skate street passa por Paris (3 de outubro) e Tóquio (14 de novembro) antes do Super Crown, marcado para dezembro, em São Paulo. Apenas os atletas mais bem ranqueados — top 8 no feminino e top 10 no masculino — garantem vaga na finalíssima.

No momento, Rayssa Leal lidera a classificação feminina isolada, seguida por Momiji Nishiya e pela norte-americana Paige Heyn, que não competiu no Rio devido a lesão. Entre os homens, Cordano Russel assumiu a ponta, com Giovanni Vianna e o japonês Yuto Horigome fechando o trio principal.

Disputa interna brasileira aquece

Além da rivalidade internacional, os brasileiros travam duelo particular por presença no Super Crown. No feminino, Gabriela Mazetto ocupa a quinta colocação geral, situação confortável. No masculino, Wallace Gabriel subiu para o sexto posto, enquanto Abner Pietro figura em oitavo. Lucas Rabelo e Ivan Monteiro precisam de resultados expressivos nas próximas paradas para permanecerem na zona de classificação.

Maracanãzinho: palco histórico ganha nova face

Transformado para receber corrimãos, corridos e rampas de nível internacional, o ginásio carioca atraiu mais de 11 mil pessoas ao longo do fim de semana. O sucesso de público reforça o interesse do Rio em se fixar no calendário anual da SLS. Para os organizadores, a recepção calorosa lembra a atmosfera dos Mundiais de 2014 e 2016 na cidade.

O evento movimentou também o entorno do Complexo do Maracanã. Marcas de streetwear montaram ativações, oficinas de iniciação ao skate receberam crianças da rede pública e food trucks estenderam horário para atender a demanda. A prefeitura calcula que a Rio Takeover injetou cerca de R$ 18 milhões na economia local, somando hospedagem, gastronomia e serviços turísticos.

Legado esportivo e social

A Confederação Brasileira de Skate (CBSK) avalia que trazer uma etapa da SLS para o Maracanãzinho fortalece políticas de fomento ao esporte. O ginásio passa agora a dispor de parte da estrutura legada pela competição, como corrimãos modulares e quiks instaláveis, que poderão ser utilizados em clínicas e torneios nacionais.

Para Rayssa Leal, disputar — e vencer — diante de uma torcida predominantemente infantil tem efeito multiplicador: “Quando comecei, me inspirava vendo os grandes nas telas. Ver essa galera vibrar ao vivo pode transformar futuros campeões”, comentou a atleta, prometendo voltar ao Rio sempre que possível.

Com brilho individual, duelos emocionantes e recorde de público, a edição carioca da Street League Skateboarding confirmou o Brasil no mapa principal do circuito internacional. Se depender da performance de Rayssa Leal e companhia, o país deve permanecer no topo do pódio — e da organização — por muito tempo.

Share.
Avatar

Escobar Oliver é profissional do mercado digital desde 2021, com experiência em produção de conteúdo, SEO e gestão de portais de notícias. Como responsável pelo RSO Notícias, dedica-se a oferecer informações confiáveis, atualizadas e relevantes, sempre com compromisso editorial, transparência e qualidade na comunicação.