Gabriel Medina viveu uma montanha-russa de emoções na noite desta quarta-feira, em Cloudbreak. O tricampeão mundial arrancou uma nota perfeita na grande decisão da etapa de Fiji da World Surf League, mas, a poucos segundos do fim, viu o norte-americano Cole Houshmand responder com 8,37 pontos e carimbar o título. O placar final de 16,87 a 15,17 manteve o troféu fora das mãos do brasileiro na oitava prova da temporada.
Mesmo com o vice-campeonato, o paulista de São Sebastião avançou uma posição e agora figura em quarto lugar no ranking. A liderança permanece com Ítalo Ferreira, que somou pontos suficientes nas fases anteriores para segurar a ponta, seguido por Leonardo Fioravanti e Yago Dora. Miguel Pupo fecha o top-5.
Uma final eletrizante do início ao fim
O duelo decisivo começou com Houshmand largando na frente e pressionando Medina a buscar manobras de alto risco. Sob ondas tubulares de pouco mais de dois metros, o brasileiro trabalhou pacientemente até encontrar a parede perfeita. A cinco minutos da sirene, quando precisava de 9,66 para virar, encaixou um tubo profundo e saiu com um alley-oop que inflamou os juízes: placa cheia, nota 10.
A resposta norte-americana
Se o clima já era dramático, ganhou ares de roteiro de cinema nos instantes finais. Houshmand remou em direção a uma série menor, espremendo cada centímetro da onda para extrair rasgadas velozes e um floater decisivo. Recebeu 8,37, suficiente para restabelecer a vantagem e assegurar o maior somatório (16,87). Medina ainda tentou mais uma investida, mas o relógio não perdoou.
O caminho de Medina até a decisão
O dia começou com o brasileiro despachando o francês Kauli Vaast nas oitavas. Numa bateria dominada do início ao fim, cravou 9,33 e 6,33, fechando em 15,66 contra 7,55. Nas quartas, passou por Barron Mamiya por meros 44 centésimos (13,77 a 13,33), prova do equilíbrio no card principal.
Semifinal de manobras no limite
Na segunda chave, Griffin Colapinto serviu de adversário na semifinal mais plástica do evento. Medina encaixou cedo um tubo perfeito, avaliado em 9,77, e selou a classificação com 9,27 num backside agressivo. O norte-americano somou 14,57 e se despediu do título.
Brasileiros: altos e baixos nas Ilhas Fiji
- Ítalo Ferreira – líder do ranking, caiu nas oitavas, mas manteve vantagem pela regularidade nas etapas anteriores.
- Yago Dora – avançou às quartas, onde parou justamente em Cole Houshmand; segue em terceiro na classificação geral.
- Miguel Pupo – eliminado nas oitavas por Vaast, mas ainda segura o quinto posto na temporada.
- Demais representantes – Filipe Toledo, Alejo Muniz, Matheus Herdy e João Chianca deram adeus logo na estreia. Luana Silva, única mulher do Brasil na elite, também saiu na primeira rodada.
Impacto na corrida pelo título mundial
Com oito das 11 etapas disputadas, o ranking masculino apresenta:
- Ítalo Ferreira – 40.250 pts
- Leonardo Fioravanti – 38.960 pts
- Yago Dora – 37.110 pts
- Gabriel Medina – 36.840 pts
- Miguel Pupo – 35.780 pts
Houshmand, beneficiado pelo ouro em Fiji, saltou de 22º para 17º e mantém chances matemáticas de chegar ao WSL Finals, que reúne apenas os cinco melhores.
Categoria feminina: título por W.O.
No quadro feminino, a canadense Erin Brooks ficou com a taça após a desistência da australiana Isabella Nichols, lesionada durante o aquecimento. Sem a bateria final, Brooks somou pontos cheios e entrou na zona de classificação para as finais em Trestles.
Próxima parada do tour
A caravana da WSL ruma agora a Teahupo’o, no Taiti, onde as temidas lajes de coral prometem novo teste de coragem aos principais nomes do surfe mundial. Para Medina, a prova oferece oportunidade imediata de entrar no top-3; já Ferreira tentará ampliar a diferença e encaminhar a vaga na decisão que encerra o calendário na Califórnia.
Depois da noite inesquecível em Cloudbreak, o circuito deixa Fiji com um recado claro: a briga pelo título segue aberta, e qualquer detalhe – até mesmo uma nota 10 – pode não ser suficiente quando a competição alcança o ponto máximo de tensão.