Um menino de 6 anos permaneceu mais de três horas escondido debaixo de uma cama e sobreviveu ao ataque que exterminou quase toda a sua família na noite de 1º de setembro, em um condomínio de alto padrão em Atizapán, região metropolitana da Cidade do México. Quatro pessoas — o pai, a mãe grávida, a irmã de 3 anos e a babá de 21 — além do cachorro da casa foram mortos a tiros dentro do apartamento.
O crime abalou o país por envolver o tecladista e compositor Jonathan Honas Meléndez Ochoa, 38, integrante da banda indie Camilo Séptimo, e por ter como principal suspeito um de seus sócios, o argentino naturalizado mexicano Diego Sebastián Rosen Ferlini, 51, detido poucas horas depois do massacre.
Como o ataque aconteceu
Vizinhos relataram ter ouvido gritos e disparos por volta das 21h. A polícia chegou pouco antes da meia-noite, acionada por moradores do prédio que estranharam o barulho e a falta de movimento posterior. Ao entrarem no apartamento, agentes encontraram os corpos de Meléndez e da esposa, Ana Paola, 35, grávida de quatro meses, com as mãos e pés presos por fita adesiva e marcas de tiro na cabeça. A filha de 3 anos foi baleada na mesma região, e a babá, que tentou fugir, recebeu tiros nas costas. O cachorro da família também foi executado.
Somente depois da perícia inicial os policiais localizaram o garoto de 6 anos, ileso, mas em estado de choque. Ele contou que se escondeu assim que ouviu os disparos e permaneceu em silêncio absoluto enquanto os assassinos ainda estavam no imóvel.
A dinâmica dentro do apartamento
- Fita adesiva foi usada para imobilizar os adultos.
- O atirador se concentrou em disparos na cabeça, indicando execução.
- Pelo menos dois calibres diferentes foram recolhidos na cena, sugerindo participação de mais de uma arma.
- Objetos de valor não foram levados, afastando inicialmente a hipótese de roubo comum.
Suspeitos, prisão e linha de investigação
Horas após o crime, a Guarda Nacional localizou Diego Rosen Ferlini em La Marquesa, a cerca de 30 km da capital. Um segundo homem, apontado como motorista de Diego, também foi preso e está sendo interrogado para que se esclareça seu grau de envolvimento.
Imagens de câmeras internas do edifício mostram Rosen Ferlini chegando sozinho por volta das 18h, usando boné, óculos escuros e mochila. Investigadores afirmam que ele portava a arma já na entrada. Três horas depois, câmeras externas registram a saída de um veículo conduzido pelo motorista, no qual Diego teria embarcado.
Conflito empresarial no centro da apuração
Segundo fontes ligadas à Procuradoria do Estado do México, a principal hipótese é de que a chacina esteja relacionada a uma disputa comercial. Meléndez e Rosen Ferlini eram sócios na Nomad Property Management, empresa de locação de imóveis de temporada em destinos turísticos mexicanos. Várias denúncias de clientes que alegam ter perdido altas quantias em reservas canceladas circularam nas redes sociais nos últimos meses; uma delas menciona prejuízo equivalente a R$ 150 mil.
Amigos próximos ao músico relataram que ele estava preocupado com a sociedade e marcou uma reunião para “resolver pendências” justamente na noite do crime. Antes de sair de casa, avisou a um colega que chamasse a polícia caso não desse notícias até o fim da noite.
Quem é Diego Sebastián Rosen Ferlini
- Argentino de nascimento e com cidadania mexicana, 51 anos.
- Sem antecedentes criminais registrados na Argentina, segundo jornais locais.
- Atuava no ramo imobiliário de locações curtas para estrangeiros.
- Relatos de ex-clientes apontam supostos esquemas de fraude envolvendo a empresa gerenciada por ele.
Reação das autoridades e próximos passos
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, declarou que o caso “parece derivar de um conflito entre famílias” e prometeu apoio psicológico e jurídico aos parentes das vítimas. O governo estadual assumiu as despesas funerárias e de acolhimento da criança sobrevivente, que está sob guarda de familiares.
Peritos ainda analisam balística e digitais recolhidas no apartamento para confirmar se apenas uma arma foi usada ou se houve participação ativa do motorista. O Ministério Público pretende formalizar a acusação de homicídio qualificado nos próximos dias. A defesa de Rosen Ferlini não se pronunciou.
Impacto na cena musical
A banda Camilo Séptimo suspendeu todos os shows previstos para setembro. Em nota, integrantes lamentaram a perda do “irmão e mentor musical” e pediram justiça célere. Fãs organizaram vigílias com velas em frente a casas de espetáculos da Cidade do México.
Violência doméstica x criminalidade organizada
Embora o contexto aponte para um litígio financeiro, especialistas em segurança alertam que o caso reflete a sofisticação de crimes patrimoniais no país, que muitas vezes extrapolam ameaças jurídicas e avançam para execuções planejadas. A unidade de homicídios de alto impacto trabalha com a possibilidade de que Rosen Ferlini tenha contratado apoio logístico para o ataque, reproduzindo métodos normalmente associados a grupos criminosos.
O menino que sobreviveu
Médicos que atenderam a criança afirmam que ela sofreu forte abalo psicológico, mas não apresentou ferimentos físicos. O garoto deve receber acompanhamento contínuo para traumas pós-violência. Organizações civis cobram que o Estado forneça proteção prolongada, temendo represálias caso a motivação financeira envolva outras partes interessadas nos negócios da família.
O que ainda falta esclarecer
- Se o motorista tinha ciência prévia dos planos de Rosen Ferlini.
- Qual o montante financeiro em disputa entre vítima e suspeito.
- Se há terceiros prejudicados pelos contratos da Nomad Property Management que possam ter incentivado o crime.
- Detalhes balísticos que confirmem o número exato de atiradores.
- Destino futuro da guarda do menino e do patrimônio da família.
Enquanto peritos e promotores buscam respostas, o sobrevivente de 6 anos tornou-se símbolo da tragédia. Seu depoimento, ainda protegido por sigilo, pode ser decisivo para reconstruir os minutos que antecederam a chacina e levar todos os envolvidos a julgamento.