O sábado foi de bandeira verde-amarela no alto do pódio em dois pontos do planeta. Em Alhandra, Portugal, Erica Rodrigues dominou a etapa da Copa do Mundo de paratriatlo e levou o ouro na classe PTS5. Horas depois, em Lingshui, na China, Vitor Tavares superou a torcida anfitriã e conquistou o título do Torneio Internacional de parabadminton na categoria SH6. As vitórias vieram acompanhadas de outras quatro medalhas brasileiras, num fim de semana que reforça a fase ascendente do esporte paralímpico do país.
Além dos dois ouros, Ruiter Silva saiu de Portugal com a prata na mesma classe de Erica, Lucas Rodrigues faturou bronze entre os cadeirantes, Kauana Beckenkamp subiu ao pódio na China e Jéssica Messali acrescentou um bronze no Mundial de Paraciclismo, nos Estados Unidos.
Domínio de Erica na Copa do Mundo de Paratriatlo
Prova perfeita da goiana
Competindo na classe PTS5 — destinada a atletas com deficiências físico-motoras leves que disputam em pé — Erica Rodrigues precisou de 1h07min31s para completar os 750 m de natação, 20 km de ciclismo e 5 km de corrida. A marca a deixou mais de três minutos à frente da espanhola María Fuentes Artigot, segunda colocada. A portuguesa Ana Duarte fechou o pódio, mas já sem ameaçar a liderança da brasileira.
O desempenho de Erica confirmou o bom momento que a triatleta vive desde o ciclo de Paris-2024. A atleta manteve ritmo constante na água, ampliou vantagem sobre a concorrência durante o trecho de bicicleta — realizado em bikes convencionais, já que a classe permite o uso de equipamentos tradicionais — e soube administrar a dianteira na corrida, cruzando a linha de chegada praticamente sozinha.
Mais medalhas para o Brasil em Alhandra
A festa brasileira em Portugal não ficou restrita à prova feminina. No masculino da PTS5, o goiano Ruiter Silva brigou palmo a palmo pelo ouro, mas acabou 31 segundos atrás do português Filipe Marques, ficando com a prata em 59min07s. O grego Panagiotis Alevizos terminou em terceiro.
Pela classe PTWC, destinada a cadeirantes que utilizam handbike e cadeira de competição, o paulista Lucas Rodrigues garantiu bronze. Ele ficou atrás do tunisiano Fathu Zwoukhi e do francês Julien Viot, mas manteve o Brasil no pódio de mais uma categoria.
Virada de Vitor Tavares silencia torcida chinesa no parabadminton
Título suado na classe SH6
No outro lado do globo, Vitor Tavares encarou o dono da casa Lin Naili na final do Torneio Internacional da China. Depois de perder o primeiro set por 21/19, o curitibano de baixa estatura — bronze nos Jogos de Paris — ajustou o ritmo, venceu a segunda parcial por 21/18 e confirmou a virada no tie-break com 21/16.
O ouro coloca Tavares entre os favoritos para os próximos grandes eventos da modalidade e reforça a consistência demonstrada desde o pódio paralímpico. O brasileiro celebrou a conquista destacando o apoio recebido no ciclo de treinamentos mantido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) em São Paulo.
Bronze de Kauana Beckenkamp confirma força feminina
Kauana Beckenkamp, da classe SL3 — para atletas com limitação moderada de mobilidade nos membros inferiores, mas que competem em pé —, também cumpriu boa campanha na China. Eliminada na semifinal pela chinesa Gu Faifei, por 2 sets a 0 (21/12 e 23/21), a gaúcha garantiu o bronze, somando pontos importantes no ranking internacional.
Brasil será palco do Mundial de Parabadminton em 2028
O bom momento da modalidade ganhou projeção maior em julho, quando o país foi oficializado como sede do Campeonato Mundial de Parabadminton de 2028. O torneio acontecerá entre 14 e 20 de fevereiro, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, seis meses antes da Paralimpíada de Los Angeles. A escolha reconhece a estrutura do CT paulista, que reúne quadras adaptadas, alojamento e laboratório de ciências do esporte, além de impulsionar o planejamento de longo prazo da seleção.
Bronze no Mundial de Paraciclismo fecha sequência positiva
Na sexta-feira, 4, a ciclista Jéssica Messali completou 14,6 km de contrarrelógio em 24min32s33 e conquistou o bronze na classe WH3 do Mundial de Paraciclismo de Estrada, em Huntsville, nos Estados Unidos. O ouro ficou com a australiana Lauren Parker (23min03s62) e a prata com a francesa Anaïs Vincent (23min36s99).
Handbiker desde um acidente automobilístico há sete anos, Jéssica comemora a evolução que pode levá-la à briga por medalhas em Los Angeles-2028. A brasileira, que já havia ficado entre as cinco melhores nas etapas da Copa do Mundo deste ano, atribuiu o resultado ao trabalho em conjunto com sua equipe multidisciplinar, que inclui fisioterapia, biomecânica e suporte psicológico.
Sequência de pódios anima ciclo de Los Angeles-2028
Somadas, as seis medalhas do fim de semana — dois ouros, uma prata e três bronzes — confirmam a profundidade do elenco paralímpico brasileiro. As conquistas em três modalidades diferentes apontam para um ciclo promissor, não apenas nas disputas de Paris já encerradas, mas mirando os Jogos de 2028.
O Comitê Paralímpico Brasileiro avalia que a estratégia de centralização de treinamentos no CT Paralímpico, intercâmbio internacional frequente e apoio científico tem refletido nos resultados. Erica, Vitor, Ruiter, Lucas, Kauana e Jéssica representam gerações distintas e provam que a base renovada mantém a performance em alto nível.
Próximos compromissos
- Copa do Mundo de paratriatlo – etapa de Yokohama (Japão), em outubro;
- Aberto da França de parabadminton – setembro, pontuando para o ranking mundial;
- Copa do Mundo de Paraciclismo de Pista – Glasgow (Reino Unido), em novembro.
Até lá, o torcedor brasileiro segue atento a uma geração que, a cada prova, reafirma sua vocação para transformar superação em medalhas.