
Resumo da Notícia
- O presidente dos EUA, Donald Trump, disse neste sábado (10) que “é hora de a Ucrânia ter um novo presidente” e sugeriu que o país escolha “um novo líder capaz de fechar um acordo”.
- Trump exigiu que Volodymyr Zelenskiy pare de atacar refinarias de petróleo russas, afirmando que os ataques elevam os preços dos combustíveis e criam “problemas para o mundo”.
- A declaração veio um dia após Trump anunciar o acordo com Vladimir Putin para suspender sanções ao diesel russo — medida que Zelenskiy chamou de “investimento numa guerra que precisa ser encerrada, não prolongada”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu neste sábado (10) uma nova liderança na Ucrânia, em uma das críticas mais duras já dirigidas por ele ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy. Falando a repórteres na Casa Branca, Trump disse que “é hora de a Ucrânia ter um novo presidente” e sugeriu que o país escolha “um novo líder capaz de fechar um acordo”, ao mesmo tempo em que exigiu que Kiev interrompa os ataques contra refinarias de petróleo russas.
“É melhor que ele pare com isso”, declarou Trump, um dia depois de anunciar que havia fechado um acordo com o presidente russo, Vladimir Putin, permitindo que a Rússia volte a exportar grandes volumes de diesel para os mercados internacionais. Segundo o presidente americano, os ataques ucranianos às refinarias elevam os preços dos combustíveis e criam problemas globais.
A declaração marca o ponto mais baixo na relação entre os dois líderes desde o tenso encontro no Salão Oval no início do retorno de Trump à Casa Branca, em 2025, segundo avaliação do Wall Street Journal. A troca de farpas acontece exatamente no momento em que Washington decide aliviar a pressão econômica sobre Moscou — movimento que Kiev e os aliados europeus encaram com preocupação e revolta.
O acordo de diesel com Putin
Na sexta-feira (9), Trump anunciou que conversou com Putin e concordou em permitir que Moscou volte a exportar grandes volumes de diesel para os mercados internacionais. Segundo o presidente americano, Putin aceitou “fornecer imediatamente” mais de 300 mil toneladas de diesel, com outras 500 mil toneladas prometidas para novembro — volumes que, juntos, equivalem a cerca de 6 milhões de barris, ou aproximadamente um dia e meio da demanda americana, segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA).
Trump apresentou o acordo como uma forma de reduzir os preços dos combustíveis, em alta nos Estados Unidos — tema sensível às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato. Zelenskiy, no entanto, classificou a medida como um “investimento numa guerra que precisa ser encerrada, não prolongada” e ironizou que a Rússia “recebeu a mensagem de que podia continuar atacando”.
De acordo com a CNN, uma autoridade americana disse que Trump estava furioso com Zelenskiy pelos ataques ucranianos a refinarias russas antes mesmo de fechar o acordo — e que os EUA pediram repetidamente a Kiev que interrompesse essas operações, sem sucesso. Só nesta semana, a Ucrânia reivindicou ataques a cinco refinarias em território russo, os mais recentes anunciados após o anúncio de sexta-feira.
A exigência: parar de atacar as refinarias
Questionado neste sábado, Trump respondeu que Zelenskiy desobedeceu às suas instruções de não atacar as refinarias russas. “Dissemos: ‘você pode fazer o que quiser com a Rússia, não ataque as refinarias, porque isso é um problema mundial'”, afirmou o presidente americano, segundo o The Times. Ele argumentou que a Rússia fornece grande parte do diesel consumido no mundo e que os ataques ucranianos agravam a escassez global de combustíveis.
“Ele poderia ter fechado muitos acordos e, por alguma razão, nunca consegue”, completou Trump, referindo-se a Zelenskiy. A fala foi interpretada como uma tentativa de pressionar Kiev a aceitar os termos americanos para um cessar-fogo — e como um recado direto de que a paciência de Washington com o presidente ucraniano está se esgotando.
Segundo o Wall Street Journal, em uma reunião em Miami na sexta-feira com autoridades ucranianas, os negociadores da Casa Branca, Jared Kushner e Steve Witkoff, mencionaram repetidamente toda a assistência que os EUA prestaram à Ucrânia — incluindo o compartilhamento de inteligência — e disseram que Kiev deveria atender aos pedidos de Trump para interromper os ataques às refinarias. Não houve ameaça explícita de cortar o apoio de inteligência, segundo duas pessoas presentes, mas a insinuação foi clara para os participantes.
Reação da Europa e de Kiev
A Ucrânia e seus aliados europeus reagiram com preocupação ao acordo de diesel e às declarações de Trump. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que o fim das sanções ao diesel russo apenas contribuirá para financiar a guerra do Kremlin na Ucrânia. “Este não é o momento de aliviar a pressão sobre a Rússia, e a Europa não o fará”, declarou nas redes sociais.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, disse neste sábado a Zelenskiy que ele poderia contar com a “solidariedade absoluta” do Reino Unido. Segundo Downing Street, os dois líderes concordaram em se encontrar pessoalmente nos próximos dias para “continuar a discussão”. O governo britânico também afirmou que manterá seu “regime de sanções mais duro de todos os tempos” contra a Rússia — deixando claro que não seguirá os EUA no acordo de diesel.
Zelenskiy não respondeu imediatamente às declarações de Trump deste sábado, segundo o Wall Street Journal. Na sexta, porém, o presidente ucraniano havia usado o ataque russo a Zaporizhzhia — que matou ao menos 15 pessoas, incluindo três crianças, horas após o anúncio do acordo — para ironizar o gesto de Moscou: “a Rússia expressou seu agradecimento pela suspensão das sanções lançando cinco bombas planadoras contra edifícios residenciais”.
O que está em jogo
O embate deste sábado expõe a fratura mais profunda até agora entre Washington e Kiev desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022. Para a Ucrânia, o alívio das sanções ao diesel representa recursos diretos para a máquina de guerra russa — e o pedido de Trump por “nova liderança” soa como uma tentativa de deslegitimar o governo eleito de Kiev.
Para Trump, a prioridade declarada é baixar os preços dos combustíveis e fechar um acordo para encerrar a guerra — ainda que isso signifique pressionar publicamente o aliado ucraniano. O risco, apontado por analistas europeus e americanos, é que a ruptura entre os dois líderes comprometa 18 meses de esforços da Europa para manter os EUA ao lado da Ucrânia e a pressão sobre a Rússia.
A situação segue em desenvolvimento, com a expectativa de novos desdobramentos nos próximos dias — incluindo o encontro entre Zelenskiy e Burnham e as reações de outros líderes europeus às declarações de Trump.
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