
Resumo da Notícia
- O papa Leão XIV, de 71 anos, anunciou neste domingo (11) que passará por uma cirurgia nos próximos dias para retirar um nódulo detectado em um dos pulmões, em estágio inicial e bem localizado.
- O procedimento ocorrerá no Hospital Policlínico Gemelli, em Roma, com internação pós-operatória estimada em cerca de uma semana.
- É o primeiro susto de saúde do pontificado, iniciado em maio de 2025. O Vaticano ainda não informou se a viagem do papa à América Latina, marcada para novembro, sofrerá alterações.
O papa Leão XIV anunciou neste domingo (11) que será submetido a uma cirurgia nos próximos dias para retirar um nódulo detectado em um dos pulmões. O anúncio foi feito pelo próprio pontífice, de 71 anos, ao final da oração dominical do Angelus, na Praça de São Pedro, diante de milhares de fiéis reunidos no Vaticano — marcando o primeiro susto de saúde de seu pontificado, iniciado com a eleição pelo conclave em maio de 2025.
Segundo o pontífice, a lesão foi descoberta em exames médicos recentes, em uma fase muito inicial e bem localizada. “Recentemente, durante alguns exames, os médicos detectaram um nódulo localizado no pulmão. Foi identificado em um estágio muito inicial e está bem localizado”, disse Leão XIV, na janela do Palácio Apostólico. “Os médicos consideram oportuno intervir. E então, seguindo os conselhos deles, decidi me submeter a uma cirurgia para retirá-lo. A intervenção já está agendada para os próximos dias”, completou, agradecendo a “proximidade espiritual” dos fiéis e pedindo orações por sua recuperação.
Cirurgia no Gemelli, com uma semana de internação
Pouco depois do anúncio, o porta-voz da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, deu mais detalhes à imprensa. Segundo Bruni, a cirurgia está marcada para os primeiros dias da próxima semana e será realizada no Hospital Policlínico Agostino Gemelli, em Roma — o mesmo centro que atende os pontífices desde o papa João Paulo II, dotado de uma ala papal de oito cômodos no último andar, com capela privativa, sala de reuniões para os médicos e quarto de segurança.
A expectativa de convalescença, ainda conforme o Vaticano, é de cerca de uma semana de internação após o procedimento. Bruni não entrou em detalhes sobre o tipo de operação nem sobre o pulmão afetado. A Santa Sé também não informou a natureza do nódulo — se benigno ou maligno. Especialistas consultados pela imprensa internacional lembram que nódulos pulmonares são comuns e, na maioria das vezes, benignos: segundo a Sociedade Torácica Americana, menos de 5% dos nódulos pulmonares acabam se revelando cancerosos, embora o risco aumente com a idade e o tamanho da lesão.
Durante o período de internação, o Vaticano segue funcionando normalmente, mas decisões que dependem da assinatura do papa ficarão suspensas, informou a imprensa italiana. A internação também vai obrigar Leão XIV a cancelar os compromissos públicos dos próximos dias — entre eles a missa de encerramento de um encontro vaticano sobre a família que celebra os 10 anos da exortação apostólica Amoris Laetitia, que ele lideraria na quarta-feira (14), informou a imprensa internacional.
“Relativamente jovem para um papa”
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Leão XIV, que completou 71 anos em 14 de setembro, é considerado relativamente jovem para um pontífice e tem reputação de bom condicionamento físico: joga tênis regularmente e mantém uma rotina ativa, com um dia de descanso semanal no retiro papal de Castel Gandolfo, às terças-feiras. Ele não tem problemas de saúde conhecidos e não é fumante, segundo reportagens da Reuters e da CNN.
O contraste com seu antecessor é inevitável: o papa Francisco passou por longos períodos de internação e enfrentou múltiplos problemas de saúde nos últimos anos de sua vida, até morrer aos 88 anos. Leão XIV, até aqui, nunca havia precisado anunciar um procedimento médico em seus quase um ano e meio de pontificado.
A repercussão foi imediata. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, manifestou solidariedade ao pontífice: “Quero expressar ao Santo Padre minha proximidade pessoal e a do governo italiano diante do desafio que ele enfrentará nos próximos dias”, disse, acrescentando que a “calma e serenidade” com que o papa falou sobre o assunto no Angelus são “tranquilizadoras”. No Brasil, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou mensagem de solidariedade desejando uma boa recuperação ao pontífice, informou o portal Massa.
Viagem à América Latina está mantida — por enquanto
A grande pergunta nos bastidores do Vaticano é o impacto sobre a agenda internacional do papa. Leão XIV tem uma viagem apostólica de duas semanas prevista para a América Latina, de 6 a 17 de novembro — sua primeira ao continente como papa —, com passagens pelo Uruguai, Argentina e Peru. O roteiro começa em Montevidéu e termina no Peru, com paradas em Lima e Chiclayo, a diocese que ele liderou entre 2015 e 2023, depois de passar cerca de duas décadas no país como missionário.
Até o momento, o Vaticano não anunciou qualquer alteração no itinerário, informou a imprensa internacional. Antes de falar sobre a própria saúde, aliás, Leão XIV saudou ao final do Angelus os membros da Irmandade do Senhor dos Milagres em Roma — uma das principais associações católicas peruanas — e agradeceu as orações pela visita pastoral ao Peru.
Transparência incomum no anúncio
Um aspecto que chamou a atenção dos vaticanistas foi a forma como a notícia veio a público: foi o próprio papa quem escolheu anunciar pessoalmente, com serenidade, diante da multidão na Praça de São Pedro — uma transparência incomum para padrões vaticanos, onde assuntos de saúde costumam ser comunicados em notas oficiais.
Os detalhes seguem escassos: não se sabe em qual dos pulmões está o nódulo, nem a técnica que será empregada. O jornal Corriere della Sera, citando fontes do Gemelli, informou que o papa havia feito uma revisão nos últimos dias por causa de uma inflamação — e que, uma vez descoberto o nódulo, os médicos decidiram operá-lo o quanto antes, já na segunda ou terça-feira. A Santa Sé não confirmou essas informações.
