Cotações Dólar ▲ — Euro ▲ —

Dois petroleiros atingem minas no Estreito de Ormuz e pegam fogo, diz Guarda do Irã

0

Resumo da Notícia

  • A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que dois superpetroleiros pegaram fogo neste sábado (17) após atingirem minas navais ao cruzar o Estreito de Ormuz.
  • Segundo Teerã, cada navio carregava cerca de 2 milhões de barris de petróleo e navegava com os sistemas de posicionamento e radar desligados, por uma rota considerada “não autorizada”; o segundo ficou imobilizado após uma explosão na casa de máquinas.
  • Não há confirmação independente dos relatos até o momento, e autoridades de segurança marítima atribuem os naufrágios recentes na região a projéteis; o tráfego no estreito está cerca de 70% abaixo do nível anterior à guerra.

A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã afirmou neste sábado (17) que dois superpetroleiros pegaram fogo após atingirem minas navais ao cruzar o Estreito de Ormuz, a rota marítima mais estratégica do planeta para o transporte de petróleo. Segundo a agência estatal iraniana IRNA, os dois navios carregavam cerca de 2 milhões de barris de petróleo bruto cada um e tentavam atravessar o estreito por uma rota considerada “não autorizada” por Teerã, com os sistemas de posicionamento e radar desligados. Até o momento, não há confirmação independente dos incidentes.

De acordo com a Reuters, a Guarda informou que o segundo petroleiro ficou imobilizado após a colisão com a mina. A agência EFE, com base em comunicado divulgado pela agência iraniana Tasnim, detalhou que o navio sofreu uma forte explosão na casa de máquinas antes de ser tomado pelas chamas. A bandeira e o nome das embarcações não foram identificados pelos iranianos, e não há informações oficiais sobre tripulantes nem sobre vazamento de petróleo.

Dois anúncios no mesmo dia

O primeiro caso foi anunciado ainda na madrugada deste sábado. Em comunicado reproduzido pela televisão pública iraniana IRIB, a Guarda afirmou que um superpetroleiro carregado com mais de 2 milhões de barris sofreu “uma forte explosão e um incêndio de grandes proporções” após colidir com uma mina naval. A força militar divulgou também um vídeo que mostraria um navio em chamas durante a noite.

Horas depois, já pela manhã, veio o segundo anúncio: outro superpetroleiro, que navegava “de forma irregular”, teria se incendiado violentamente após atingir uma mina. Nos dois casos, a versão iraniana é a de que os navios desligaram os equipamentos de navegação para tentar cruzar o estreito sem serem detectados — segundo Teerã, com apoio do Exército dos Estados Unidos, que a Guarda voltou a chamar de “contrabandista e terrorista”.

No mesmo comunicado, a Guarda Revolucionária reiterou que o Estreito de Ormuz “está fechado” e advertiu que o destino dos navios que descumprirem as normas iranianas de navegação “será arder em fogo”. Desde o início da guerra, no fim de fevereiro, o Irã passou a exigir autorização prévia de Teerã para qualquer embarcação atravessar a via, enquanto Washington tenta restabelecer o trânsito por uma rota próxima à costa de Omã, que os iranianos consideram irregular.

Uma semana de incidentes no estreito

Os episódios deste sábado não são isolados. Segundo a EFE, trata-se de ao menos a sexta colisão de navios com minas navais no Estreito de Ormuz e em seus arredores relatada pelas autoridades iranianas nesta semana. Na quarta-feira (14), a própria Guarda anunciou que um navio porta-contêineres havia afundado após atingir uma mina ao sul do estreito.

A agência britânica UKMTO, que monitora a segurança do comércio marítimo, registrou 12 ataques contra embarcações em seu relatório semanal mais recente. Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, a organização soma 135 incidentes marítimos na região, 114 deles com danos a navios, além de 76 feridos ou mortos no mar. Ainda segundo a UKMTO, o tráfego pelo estreito se mantém aproximadamente 70% abaixo dos níveis anteriores ao conflito.

Em declaração à TV estatal IRIB na terça-feira, o comandante da Marinha da Guarda Revolucionária, almirante Ali Azmaei, afirmou que as forças iranianas monitoram o Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz 24 horas por dia, e advertiu que qualquer navio que desative seus sistemas de navegação será tratado como hostil.

Versões em disputa

Apesar da riqueza de detalhes dos comunicados iranianos, a Reuters ressalta que não existe confirmação independente de que os dois petroleiros tenham atingido minas neste sábado. A tese de Teerã também é contestada por autoridades de segurança marítima ouvidas pelas agências internacionais: no caso do porta-contêineres que afundou na quarta-feira, fontes do setor afirmaram à Reuters que o navio de bandeira de Singapura GFS Pride foi atingido por um projétil, e não por uma mina — versão que se repetiu em outro naufrágio de um graneleiro na mesma região, também atribuído a projéteis.

Do lado americano, o chefe do Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM), almirante Brad Cooper, afirmou na sexta-feira que as forças dos EUA cortaram as importações e exportações marítimas do Irã, com exceção da ajuda humanitária permitida, e impediram Teerã de exportar ao menos US$ 25 bilhões em petróleo bruto nos últimos meses. Segundo Cooper, parceiros de Washington ajudaram países do Golfo a transportar mais de 100 milhões de barris de petróleo pelo Estreito de Ormuz na semana anterior.

Por que Ormuz importa tanto

O Estreito de Ormuz é a única saída marítima do Golfo Pérsico para o oceano aberto. Com cerca de 30 quilômetros de largura no ponto mais estreito, entre o Irã, ao norte, e Omã, ao sul, a via concentra em tempos normais a passagem de aproximadamente um quinto de todo o petróleo consumido no mundo. É esse mesmo estreito que está no centro do impasse diplomático entre Teerã e Washington: como mostrou o rsonoticias.com, o Irã condiciona a reabertura de Ormuz ao cumprimento de sete condições pelos Estados Unidos.

Segundo a Reuters, as interrupções na navegação pelo estreito desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã já elevaram os preços globais de energia e a inflação. Cada novo incidente na rota reforça o temor de uma crise de abastecimento mais longa — um risco que, como ocorre em outras frentes da economia de guerra, acaba chegando ao bolso do consumidor, inclusive no Brasil, por meio dos combustíveis. Não por acaso, os preços da energia também estiveram no centro do cessar-fogo energético anunciado entre Ucrânia e Rússia, outra frente em que a geopolítica pressiona o mercado mundial de petróleo.

O que ainda não se sabe

Até a publicação desta matéria, permaneciam sem resposta pontos centrais do episódio: a identidade e a bandeira dos dois superpetroleiros, a situação das tripulações, a existência de vazamento de óleo no mar e, principalmente, a confirmação independente do que de fato atingiu os navios. Com os mercados fechados no fim de semana, a primeira reação dos preços do petróleo ao episódio só deve aparecer na abertura dos negócios, na segunda-feira.

O que já está claro é que o Estreito de Ormuz segue como o ponto mais sensível da economia mundial de energia: com o tráfego 70% abaixo do normal, uma escalada de ataques nas últimas duas semanas e Teerã e Washington disputando, navio a navio, o controle da rota, qualquer novo incidente tem potencial de reverberar muito além do Golfo Pérsico.

Share.
Avatar

Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.