
Resumo da Notícia
- O Vasco perdeu por 3 a 1 para o Boca Juniors no Maracanã, nesta terça-feira (20), e foi eliminado da Copa Sul-Americana na semifinal, com 3 a 2 no placar agregado.
- Di Lollo e Merentiel marcaram para os argentinos no primeiro tempo; Puma Rodríguez descontou e igualou o agregado, mas Leandro Paredes decidiu aos 42 minutos do segundo tempo, em falha de Léo Jardim.
- Sem a vaga na final, o Cruzmaltino volta as atenções para o Brasileirão, onde enfrenta o Corinthians no sábado (24), em São Januário, e para a semifinal da Copa do Brasil.
O sonho do Vasco de voltar a uma final continental depois de 26 anos terminou de forma dolorosa na noite desta terça-feira (20), no Maracanã. Diante de mais de 66 mil torcedores, o Cruzmaltino perdeu por 3 a 1 para o Boca Juniors, no jogo de volta da semifinal da Copa Sul-Americana, e foi eliminado com 3 a 2 no placar agregado. A vantagem construída na Argentina, com a vitória por 1 a 0 na Bombonera, durou apenas três minutos em campo carioca — e a classificação argentina foi selada aos 42 do segundo tempo, em um chute de Leandro Paredes que contou com a falha do goleiro Léo Jardim.
A eliminação tem um peso difícil de medir. Segundo o Lance!, o Vasco buscava a sua primeira decisão internacional desde 2000, quando conquistou a Copa Mercosul sobre o Palmeiras, em uma das viradas mais famosas da história do clube. Desta vez, porém, a festa preparada pela torcida — com mosaico nas arquibancadas e ingressos esgotados — se transformou em frustração e vaias ao apito final do árbitro venezuelano Jesús Valenzuela.
Gol relâmpago desfaz a vantagem da Bombonera
O roteiro que o torcedor vascaíno temia se desenhou logo no começo. Aos 3 minutos, de acordo com a Gazeta Esportiva, Blanco cobrou escanteio pelo lado esquerdo, o zagueiro Lautaro Di Lollo ganhou de Sosa pelo alto e cabeceou firme para empatar o confronto no agregado. O gol precoce desarrumou um Vasco que já entrou em campo sem a sua principal referência de criatividade: Andrés Gómez, autor da assistência do gol de Adson no jogo de ida, estava suspenso após a expulsão em Buenos Aires — partida que o rsonoticias.com acompanhou na vitória por 1 a 0 na Bombonera.
O castigo poderia ter sido parcial. No minuto seguinte ao gol argentino, o Vasco teve a chance do empate: Lescano cruzou da esquerda, mas Adson e Bruno Duarte se atrapalharam dentro da área e desperdiçaram a oportunidade, como registrou o Lance!. O Boca, eficiente, não perdoou o segundo erro. Aos 33, Saldivia afastou mal a bola, Sosa falhou na sequência e Villa lançou Miguel Merentiel em velocidade; o atacante uruguaio saiu cara a cara com Léo Jardim e tocou com precisão para fazer 2 a 0. No agregado, os argentinos viravam o confronto para 2 a 1 e levavam para o intervalo um Maracanã em silêncio.
Puma Rodríguez reacende o Maracanã
O Vasco voltou do vestiário com outra postura. Segundo o Lance!, as alterações do técnico Pedro Emanuel — com as entradas de Brenner, Marino Hinestroza e, pouco depois, Puma Rodríguez no lugar do lateral Paulo Henrique — deram mobilidade e presença de área ao time. Aos 20 minutos, a reação virou gol: Cuiabano cruzou da esquerda, a bola atravessou a área e Puma Rodríguez apareceu na segunda trave para bater de primeira, de três dedos, no fundo da rede. Era o 2 a 1 no jogo e o empate em 2 a 2 no agregado, resultado que levaria a decisão para os pênaltis.
O estádio voltou a pulsar, e o Vasco viveu o seu melhor momento na partida. Marino cruzou para Brenner, que finalizou para fora; Lescano arriscou da entrada da área e mandou por cima; Thiago Mendes cabeceou com perigo já nos acréscimos. Os números mostram o tamanho da pressão: de acordo com a Placar, o Cruzmaltino terminou o jogo com 59% de posse de bola e 11 finalizações, contra sete do Boca. A diferença esteve na precisão: os argentinos marcaram três gols nas três finalizações que acertaram o alvo, enquanto Léo Jardim não registrou nenhuma defesa na partida.
Falha de Léo Jardim decide a semifinal
Quando a vaga parecia caminhar para a disputa de pênaltis, veio o lance que definiu a noite. Aos 42 minutos do segundo tempo, Leandro Paredes — que havia entrado no lugar de Rodrigo Battaglia, voltando de lesão, e já tinha recebido um cartão amarelo ainda no banco de reservas — recebeu com liberdade na intermediária e arriscou de fora da área. A bola pegou efeito, Léo Jardim falhou na tentativa de defesa e ela morreu no fundo do gol: 3 a 1, agregado em 3 a 2 e o Maracanã em choque, como destacaram o Lance! e a Gazeta Esportiva. Nos acréscimos, cada toque do goleiro vascaíno na bola foi acompanhado de vaias da torcida.
Pedro Emanuel reconhece erros e defende o goleiro
Na entrevista coletiva, o técnico Pedro Emanuel não escondeu a frustração e fez um diagnóstico direto da eliminação. “Hoje é um dia doloroso para todos nós, para quem tem expectativas altas como nós temos”, afirmou o treinador, em declarações reproduzidas pelo Lance!. Segundo o português, o Boca não fez uma partida extraordinária, mas aproveitou as falhas do adversário: “O Boca aproveitou nossos erros técnicos, nossas falhas emocionais. Um gol aos dois minutos altera a estratégia. Nos três erros que cometemos, foram dois gols.”
O treinador fez questão de proteger Léo Jardim, o personagem mais cobrado da noite. De acordo com a cobertura da coletiva, Pedro Emanuel afirmou que não vai abandonar o goleiro, lembrou que ele já salvou o Vasco em muitas ocasiões e confirmou o camisa 1 como titular na próxima partida. O técnico também elogiou a reação da equipe no segundo tempo e descartou qualquer conversa sobre fim de ciclo no elenco.
Fim do sonho e a conta da eliminação
Além da dor esportiva, a queda tem impacto financeiro. Segundo o Lance!, o Vasco encerra a campanha na Sul-Americana com R$ 15,1 milhões em premiações acumuladas — valor acima do previsto no planejamento do clube, mas distante do que a sequência no torneio poderia render: a vaga na final garantiria pelo menos R$ 28,5 milhões acumulados, e o título continental elevaria o total para cerca de R$ 66 milhões.
Classificado, o Boca Juniors chega à decisão em busca do terceiro título da Sul-Americana, após as conquistas de 2004 e 2005. A final, em jogo único, está marcada para 21 de novembro, em Barranquilla, na Colômbia, contra o vencedor do confronto entre Atlético-MG e Montevideo City Torque — os mineiros venceram a ida por 3 a 0, em Belo Horizonte, e decidem a vaga nesta quarta-feira (21), no Uruguai.
Para o Vasco, a temporada agora se divide entre a sobrevivência e uma última chance de título. No sábado (24), às 18h30, o time recebe o Corinthians em São Januário, pela 32ª rodada do Brasileirão, em um duelo direto na luta contra o rebaixamento — campeonato que segue pegando fogo, como mostrou a vitória do Bragantino sobre o Cruzeiro por 4 a 2 no fechamento da 30ª rodada. Em novembro, o Cruzmaltino ainda disputa a semifinal da Copa do Brasil contra o Palmeiras. E enquanto o torcedor vascaíno digere a eliminação, o futebol brasileiro segue rendendo manchetes dentro e fora do país, como a expulsão de Vini Jr no clássico entre Real Madrid e Villarreal. A noite de terça-feira, no entanto, será lembrada por muito tempo em São Januário como aquela em que a final continental escapou por entre os dedos — e por um chute de fora da área aos 42 minutos.
