
Resumo da Notícia
- A Defesa Civil de Santa Catarina confirmou dois tornados no Oeste do estado na manhã desta quarta-feira (4), em Chapecó e em Xanxerê, durante a vigência de alerta vermelho do Inmet para tempestades severas na região.
- Em Chapecó, o fenômeno arrancou parte da estrutura metálica da entrada do terminal do Aeroporto Serafim Enoss Bertaso, destruiu vidraças e danificou hangares; as operações foram suspensas e os voos, cancelados até sexta-feira (6).
- A prefeitura decretou situação de emergência, as aulas da rede municipal foram suspensas no período da tarde e a rede estadual parou por dois dias; as rajadas chegaram a 92,9 km/h segundo a Defesa Civil e a até 126 km/h de acordo com o Inmet.
Um tornado atingiu Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, na manhã desta quarta-feira (4), destruiu parte da estrutura do Aeroporto Serafim Enoss Bertaso e obrigou a suspensão de todas as operações aéreas no terminal. Segundo a Defesa Civil de Santa Catarina, o fenômeno arrancou parte da estrutura metálica da entrada do terminal de passageiros, destruiu vidraças e danificou hangares, num rastro de destruição que levou a concessionária responsável pelo aeroporto a interromper pousos e decolagens. Os voos previstos para o terminal foram cancelados e, de acordo com a administradora, a retomada só deve acontecer até sexta-feira (6), depois da conclusão da vistoria técnica em toda a área atingida.
O episódio não foi isolado. A Defesa Civil estadual confirmou a ocorrência de dois tornados na mesma manhã no Oeste catarinense: um em Chapecó e outro em Xanxerê, município vizinho que também registrou estragos provocados pelo vento. Os dois fenômenos se formaram sob um cenário de instabilidade severa que já era acompanhado pelos órgãos de monitoramento, com alerta vermelho emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia, o Inmet, para a região — o nível mais alto da escala de avisos do instituto, reservado para situações de grande perigo associado a tempestades intensas.
O que aconteceu no Aeroporto Serafim Enoss Bertaso
O impacto mais emblemático do tornado em Chapecó foi sobre o aeroporto da cidade, principal porta de entrada aérea do Oeste catarinense e elo estratégico para toda a região. Conforme o levantamento inicial divulgado pela Defesa Civil, a força do vento arrancou parte da estrutura metálica localizada na entrada do terminal de passageiros, justamente o ponto de maior circulação de quem embarca e desembarca. Vidraças foram destruídas e hangares instalados na área do aeródromo também sofreram danos, o que ampliou a preocupação com a segurança de aeronaves e de equipes de solo.
Diante do cenário, as operações foram suspensas de imediato. Segundo a concessionária Voe Xap, responsável pela administração do terminal, a interrupção é necessária para que uma vistoria técnica completa avalie as condições da estrutura, identifique riscos remanescentes — como peças soltas que possam ser arremessadas por novas rajadas — e defina os reparos emergenciais antes de qualquer liberação. A previsão informada é de que os voos permaneçam cancelados até sexta-feira (6), prazo que pode ser revisto conforme o andamento da inspeção e das condições do tempo na região.
Para os passageiros com viagens marcadas a partir de Chapecó, a orientação é procurar diretamente as companhias aéreas para remarcação ou reembolso, já que a suspensão decorre de um evento de força maior sobre a infraestrutura do terminal, e não de uma decisão operacional das empresas. Quem tinha conexão prevista a partir de outros aeroportos também deve conferir o status do voo, porque o fechamento temporário de um terminal regional costuma provocar reflexos em toda a malha de voos que passa pela cidade.
Dois tornados confirmados por radar e por drones
A confirmação de que Chapecó e Xanxerê foram atingidas por tornados — e não apenas por ventos fortes de uma tempestade comum — veio de um trabalho técnico que combinou tecnologia e verificação em campo. De acordo com a Defesa Civil de Santa Catarina, a classificação dos fenômenos foi feita a partir da análise de imagens de radar meteorológico, que mostraram a assinatura de rotação característica desse tipo de ocorrência, e do padrão de destruição observado no solo, com danos concentrados ao longo de uma faixa estreita, comportamento típico da passagem de um vórtice.
Equipes estaduais também passaram a usar drones no levantamento das áreas atingidas. As imagens aéreas ajudam a mapear com precisão a extensão dos estragos, a identificar imóveis e estruturas comprometidas e a orientar o trabalho das equipes municipais de resposta. Segundo a MetSul Meteorologia, o ambiente atmosférico sobre o Sul do Brasil nesta quarta-feira reunia os ingredientes clássicos para tempestades severas: calor, umidade elevada e uma frente avançando sobre a região, combinação capaz de gerar células de tempestade com rotação, as chamadas supercélulas, das quais podem nascer tornados como os registrados no Oeste catarinense.
O registro simultâneo de dois tornados em municípios próximos, na mesma manhã, reforça a gravidade do episódio. Não se trata de um vendaval passageiro, mas de um evento de tempo severo organizado, que já era monitorado e que justifica o nível máximo de alerta que estava em vigor para a região.
Ventos de até 126 km/h sob alerta vermelho
Os números das rajadas ajudam a entender a dimensão dos estragos. Segundo a Defesa Civil estadual, as estações de monitoramento registraram vento de 92,9 km/h em Chapecó durante a passagem do fenômeno. Já de acordo com o Inmet, as rajadas na região chegaram a até 126 km/h — velocidade comparável à de um furacão de categoria 1 na escala internacional e mais do que suficiente para arrancar coberturas, derrubar estruturas leves e transformar objetos soltos em projéteis.
Todo esse cenário se desenrolou sob alerta vermelho do Inmet, o que significa que os serviços de emergência já estavam de prontidão quando as tempestades se intensificaram. Ainda assim, a rapidez com que um tornado se forma e se desloca torna esse tipo de fenômeno um dos mais difíceis de enfrentar: entre a confirmação da rotação no radar e a passagem do vórtice por uma área urbana, podem se passar poucos minutos. Por isso, a Defesa Civil reforça orientações básicas para situações como essa — buscar abrigo em cômodos internos, longe de janelas, evitar áreas abertas e não permanecer dentro de veículos durante a passagem da tempestade.
Episódios extremos como o desta quarta-feira têm se repetido em diferentes pontos da América do Sul, em contextos climáticos distintos: enquanto o Oeste catarinense enfrentava tornados sob chuva intensa, a Bolívia declarou emergência nacional diante do super El Niño e da seca, num lembrete de que eventos severos, de excesso ou de falta de água, passaram a exigir resposta rápida de defesas civis em todo o continente.
Prefeitura decreta emergência e aulas são suspensas
Em Chapecó, a resposta do poder público foi imediata. A prefeitura decretou situação de emergência no município, medida que formaliza a gravidade do quadro, facilita a contratação de reparos urgentes e abre caminho para o reconhecimento estadual e federal da situação, etapa importante para a liberação de recursos destinados à recuperação das estruturas danificadas. Com o decreto, equipes municipais de obras, assistência social e defesa civil passam a atuar de forma integrada no atendimento às áreas atingidas.
A rotina da cidade também foi diretamente afetada. As aulas da rede municipal foram suspensas no período da tarde desta quarta-feira, como medida de precaução diante dos danos em vias e da instabilidade que ainda pairava sobre a região. A rede estadual de ensino foi ainda mais impactada: as atividades foram suspensas por dois dias, o que afeta milhares de estudantes e exige reorganização do calendário escolar nos próximos dias. A orientação das autoridades é para que a população evite deslocamentos desnecessários, não se aproxime de estruturas danificadas ou de fiações caídas e acione a Defesa Civil pelo telefone 199 em qualquer situação de risco.
Em Xanxerê, o segundo município atingido por tornado, equipes municipais e estaduais trabalham no levantamento dos prejuízos e no apoio às áreas afetadas. A Defesa Civil estadual mantém o monitoramento de toda a região Oeste, porque a mesma instabilidade que gerou os tornados ainda pode provocar novas tempestades, com chuva volumosa, descargas elétricas e rajadas fortes ao longo das próximas horas.
Quando o aeroporto volta a operar
A pergunta que fica para Chapecó e para toda a região é quando o Aeroporto Serafim Enoss Bertaso voltará a receber voos. Segundo a concessionária Voe Xap, a resposta depende do resultado da vistoria técnica que está em curso: somente após a avaliação completa da estrutura do terminal, dos hangares e das áreas de circulação é que será possível confirmar se a retomada acontece mesmo na sexta-feira (6) ou se o prazo precisará ser estendido. Reparos emergenciais na cobertura da entrada do terminal e a remoção de destroços estão entre as primeiras providências esperadas.
Enquanto isso, a Defesa Civil segue com o levantamento detalhado dos danos em Chapecó e Xanxerê, com apoio das imagens de drones e das vistorias em campo, trabalho que vai subsidiar tanto o decreto de emergência quanto eventuais pedidos de ajuda para a reconstrução. Em um estado que já convive com monitoramento constante de eventos extremos — o mesmo esforço que acompanha, em outra frente, o avanço dos incêndios registrados na Amazônia em outubro —, o episódio desta quarta-feira entra para a lista dos mais severos já registrados no Oeste catarinense: em poucos minutos, dois tornados mudaram a paisagem, fecharam um aeroporto e colocaram duas cidades inteiras em estado de atenção máxima.
