Terapia vocal afirmativa amplia segurança e bem-estar de pessoas trans no interior paulista

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O Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, celebrado em junho, trouxe aos consultórios de saúde do estado de São Paulo uma demanda cada vez mais presente: a terapia vocal afirmativa, prática que ajusta o timbre da voz à identidade de gênero de pessoas travestis, mulheres, homens trans e não binárias.

No interior, incluindo a região de Sorocaba, o atendimento é fiscalizado pelo Conselho Regional de Fonoaudiologia da 2ª Região (CREFONO-2), responsável por garantir abordagens baseadas em evidências. O conselheiro e fonoaudiólogo Ronielio Ribeiro de Sousa, 31 anos, relata que a expressão “adequação vocal” vem sendo substituída por “terapia vocal afirmativa” para reforçar o caráter acolhedor do processo.

Como o tratamento funciona

Segundo Ronielio, a testosterona engrossa naturalmente a voz de homens trans ao aumentar a massa das pregas vocais, enquanto o estrogênio não afina a laringe já desenvolvida de mulheres trans. Nesses casos, a intervenção profissional evita sobrecarga no trato vocal que poderia causar fadiga crônica, dor, rouquidão ou lesões como nódulos e fendas.

Reflexos na saúde mental

A psicóloga Thaís Prestes Mazzotti, 33 anos, explica que a disparidade entre voz e identidade intensifica quadros de disforia e compromete autoestima e autoconfiança. Erros de gênero baseados apenas no som da voz — prática conhecida como misgendering — agravam o sofrimento e podem desencadear transtornos psicológicos. Quando a voz passa a refletir quem a pessoa é, surgem mais espontaneidade, segurança e facilidade de inserção no mercado de trabalho, observa a especialista.

História de quem vive a transição

O nutricionista e cantor Victor Rocha, 29 anos, homem trans e autista, iniciou a terapia vocal há quatro meses temendo perder a capacidade de cantar ao começar a hormonização. Com orientação fonoaudiológica, descobriu ser possível preservar as pregas vocais. “Às vezes bate saudade da voz antiga, mas sei que vou voltar a cantar”, relata. Fora do consultório, notou maior proteção física e psicológica: “Depende do timbre que uso para dar ‘boa noite’; a reação das pessoas muda completamente”, diz.

Desafios de acesso

Embora regulamentada, a terapia ainda enfrenta barreiras estruturais. Serviços especializados do SUS concentram-se nas capitais e a cobertura por planos de saúde costuma ser limitada. O CREFONO-2 orienta moradores de Sorocaba e região a procurar profissionais registrados e capacitados em voz. Para Ronielio, conquistar uma voz que dialogue com a identidade garante autonomia e amplia a participação cidadã.

Com informações de G1

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Rafael Oliveira é profissional do mercado digital desde 2021, com experiência em produção de conteúdo, SEO e gestão de portais de notícias. Como responsável pelo RSO Notícias, dedica-se a oferecer informações confiáveis, atualizadas e relevantes, sempre com compromisso editorial, transparência e qualidade na comunicação.