Belém (PA) – A cantora e compositora paraense Dona Onete, 87, comemora duas marcas importantes em 2026: o aniversário de uma década de “Banzeiro”, disco lançado em 23 de junho de 2016, e a própria trajetória iniciada profissionalmente aos 72 anos.
Produzido com 12 faixas que misturam carimbó, banguê e bolero, o álbum alcançou o primeiro lugar no World Music Charts Europe e levou a artista a turnês pelos Estados Unidos, México, países da Europa e do Sudeste Asiático. “Só de ver nosso ritmo querido em lugares como Rio de Janeiro e São Paulo já é um sentimento de dever cumprido”, afirma.
Saúde e pausa nos palcos
Após uma infecção urinária que exigiu internação em fevereiro deste ano, Dona Onete suspendeu a agenda de shows. A última apresentação ocorreu em 18 de janeiro, no Festival do Carimbó, em Irituia (PA), quando já utilizava cadeira de rodas. “Estou vencendo. Ainda estou de pé”, diz a artista, que segue em tratamento e reduziu o ritmo por recomendação médica.
Planos e criações
Mesmo afastada dos palcos, a compositora adianta que continua a escrever canções e quer retomar ensaios com a banda em breve. Também prepara novos projetos de literatura infantil, área que cultiva desde o tempo em que lecionava: “Quero que as crianças aprendam a amar o nosso Pará. Ainda tenho muitas histórias para contar”.
Referências amazônicas
Em um bate-papo rápido, a “rainha do carimbó chamegado” listou elementos que, para ela, traduzem a Amazônia: o cheiro do tucupi, o sabor do açaí e canções como “Este Rio é Minha Rua”, de Fafá de Belém, e “Sabor Açaí”, de Nilson Chaves. Entre os artistas que tem escutado estão Gaby Amarantos, Keila, Nelsinho Rodrigues e Joelma.
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Questionada sobre o conselho que daria à professora que guardava composições em cadernos, responde: “Nunca deixe ninguém tolher você. Se não se mostrar um pouquinho, ninguém te encontra”.
Com informações de G1