Brasília – Relatório da Polícia Federal (PF) entregue ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), indica que o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), encontrou-se em 1º de fevereiro de 2023 com Carlos Lopes, presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), para tratar da escolha do titular do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O parlamentar nega ter participado da reunião ou discutido nomeações.
Operação Sem Desconto
A informação consta no primeiro inquérito da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema nacional de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. O documento, protocolado na sexta-feira (10), apresenta o indiciamento de 48 pessoas por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção.
Entre os indiciados está Carlos Lopes, considerado foragido desde 2025, além de seu irmão, Tiago Abraão Lopes, também dirigente da Conafer.
Encontro articulado por deputado
De acordo com a PF, o encontro foi intermediado pelo deputado mineiro Euclydes Pettersen, que não exerce mandato atualmente. Pettersen foi alvo de busca e apreensão em novembro de 2025 e é suspeito de receber propina para favorecer o grupo investigado; ele também foi indiciado.
Nas mensagens obtidas pela PF, Carlos Lopes cita a eleição das mesas da Câmara e do Senado e afirma que “Pacheco” teria sido reeleito e que ele iria “encontrar com eles” para definir o comando do INSS. No dia seguinte, 2 de fevereiro de 2023, Glauco André Fonseca Wamburg foi nomeado presidente do instituto, permanecendo no cargo até 11 de julho de 2023, quando foi substituído por Alessandro Stefanutto.
Imagem: Edils Rodrigues
Posicionamento de Rodrigo Pacheco
Em nota, Rodrigo Pacheco declarou: “Não conheço e nunca estive com o senhor Carlos Lopes ou a senhora Bruna Braz. Nunca tratei da indicação de Glauco Wamburg ou de qualquer nome para o INSS”. O senador acrescentou que não sabia que Wamburg comandara o órgão e afirmou tratar-se de “confusão de informações”.
O relatório será encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se apresenta denúncia, solicita novas diligências ou pede o arquivamento.
Com informações de G1