Pelo menos oito tornados varreram o Paraná entre setembro de 2025 e junho de 2026, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). O fenômeno mais recente ocorreu em 30 de junho, em Reserva, nos Campos Gerais, com ventos de 200 km/h.
Último registro: Reserva
No município de Reserva, o tornado classificado como F2 atingiu a localidade rural de Imbú, danificando 11 residências. Cerca de 50 pessoas foram afetadas, dez delas desalojadas. Houve ainda uma pessoa com ferimentos leves, além de prejuízos a veículos, vegetação e telhados, agravados por queda de granizo.
Ocorrências em 2026
Antes de Reserva, o ano já contabilizava outros três episódios:
- 2 de janeiro – Mercedes: tornado F1.
- 10 de janeiro – São José dos Pinhais e Piraquara: tornado F2, ventos de até 180 km/h e percurso aproximado de 1 km, com danos a imóveis.
- 7 de fevereiro – Foz do Iguaçu: tornado F0, que atingiu apenas uma propriedade.
Eventos de 2025
O primeiro registro desse ciclo ocorreu em 22 de setembro de 2025, em Santa Maria do Oeste. O tornado F1, com ventos de 120 km/h, destelhou casas e destruiu plantações, deixando moradores mais de 24 horas sem água e energia.
Em 7 de novembro do mesmo ano, três tornados atingiram 11 municípios da região central:
- Tornado 1: passou por Quedas do Iguaçu, Espigão Alto do Iguaçu, Nova Laranjeiras, Rio Bonito do Iguaçu, Porto Barreiro, Laranjeiras do Sul, Virmond e Cantagalo, variando entre F1 e F4. Em Rio Bonito do Iguaçu, ventos chegaram a quase 400 km/h.
- Tornado 2: alcançou Candói (F2) e o distrito de Entre Rios, em Guarapuava (F4).
- Tornado 3: atingiu Turvo (F2).
Os três eventos de novembro causaram sete mortes — seis em Rio Bonito do Iguaçu e uma em Guarapuava — e deixaram 835 feridos no estado.
Imagem: tornado F
Por que o Paraná é vulnerável
Especialistas atribuem a frequência de tornados à localização do estado em um dos maiores corredores de tornados do planeta, atrás apenas das planícies centrais dos Estados Unidos. A combinação de massas de ar quente vindas do Paraguai, frentes frias e ciclones no litoral do Sul do Brasil cria condições favoráveis para tempestades severas.
Como funciona a Escala Fujita
O Simepar utiliza a Escala Fujita tradicional para classificar tornados pelos danos observados:
- F0: ventos de 65 a 116 km/h – danos leves
- F1: 116 a 180 km/h – danos moderados
- F2: 180 a 253 km/h – danos consideráveis
- F3: 253 a 332 km/h – danos severos
- F4: 332 a 418 km/h – danos devastadores
- F5: 418 a 511 km/h – destruição extrema
A série de oito tornados em nove meses reforça o alerta para as condições climáticas extremas no Paraná e mantém órgãos de defesa civil em estado de atenção contínua.
Com informações de G1