A expansão das moedas sociais tem se consolidado como alternativa de desenvolvimento econômico e inclusão financeira em diversas regiões da Bahia. Geridas por bancos comunitários e com paridade ao Real, essas moedas circulam apenas dentro dos bairros ou municípios onde são emitidas, estimulando o consumo local e reduzindo a saída de recursos.
Como funcionam os bancos comunitários
As instituições responsáveis pelas moedas sociais integram o movimento de Economia Solidária. Administradas por associações de moradores ou organizações sem fins lucrativos, oferecem:
- emissão de moeda social (física ou digital);
- microcrédito produtivo com juros baixos ou nulos;
- gestão comunitária focada no desenvolvimento territorial.
O ciclo é simples: o banco libera a moeda por meio de microcrédito, remuneração ou câmbio direto. Comerciantes cadastrados aceitam o pagamento, podem repassar troco na mesma moeda ou convertê-la em Real, mantendo a renda na própria comunidade.
Redução da pobreza e autonomia local
Para o superintendente de Economia Solidária e Cooperativismo da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre-BA), José Paulo Crisóstomo, o principal objetivo é “a redução da pobreza”. Ele destaca ainda que o modelo “gera dignidade, cidadania e independência, porque dá autonomia à pessoa para comprar aquilo que de fato ela precisa”.
Moradora da Ilha de Matarandiba, em Vera Cruz, Antônia Correia confirma o impacto prático da moeda Concha: “Nas horas que eu mais precisei, eu achei o apoio, a ajuda, a compreensão e me fez muito, muito bem”. Segundo ela, o microcrédito em Concha foi decisivo para reformar a casa própria.
Escassez de agências motiva iniciativa
Entre 2015 e 2025, 32,9% das agências bancárias físicas foram fechadas no país; hoje, 43,57% dos municípios brasileiros não contam com nenhuma unidade. Na Bahia, oito bancos comunitários já operam como alternativa de inclusão financeira.
Imagem: Internet
Experiências em diferentes regiões
- Matarandiba (Vera Cruz) – Banco Comunitário Ilhamar e moeda Concha, criados em 2008.
- Bairro do Uruguai (Salvador) – Moeda Umoja, aceita em mais de 50 estabelecimentos.
- Cardeal da Silva – Banco municipal e moeda Mineral em fase inicial, usados em programas sociais e compras públicas.
- Santa Bárbara – Moeda Pacatu lançada em dezembro de 2025, voltada a mercados, farmácias e alimentação.
- Taperoá – Moeda Guaraná, criada em 2023 para estimular microcrédito e produzir renda no Baixo Sul.
- Queimadas – Lançamento previsto da moeda digital Itapicuru ainda este ano, inicialmente para substituir cestas básicas em programas sociais.
Pioneirismo nacional
A primeira moeda social reconhecida no Brasil foi a Palma, criada em 1998 no Conjunto Palmeiras, em Fortaleza (CE), em parceria com o Banco Palmas. O modelo inspirou iniciativas em vários estados, incluindo a Bahia.
A escolha do nome de cada moeda costuma refletir elementos culturais locais, reforçando o senso de pertencimento. Exemplo disso é a Itapicuru, referência ao rio homônimo em Queimadas, e a Concha, homenagem aos pescadores de Matarandiba.
Com circulação restrita e gestão comunitária, as moedas sociais baianas demonstram potencial para gerar emprego, renda e fortalecer a identidade de cada território, mesmo diante da redução de agências bancárias convencionais.
Com informações de G1