No topo do campus da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a 936 metros de altitude, funciona desde 1972 a estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O equipamento integra a rede oficial brasileira e envia informações à Organização Meteorológica Mundial (OMM), referência global na área.
Rotina de medições
Os registros são feitos diariamente em três horários fixos – 9h, 15h e 21h –, inclusive fins de semana e feriados. A atividade é conduzida pela coordenadora do Laboratório de Climatologia e Análise Ambiental (LabCAA), professora Cássia Ferreira, e pelo servidor Yan Carlos Gomes Viana.
A estação opera em dois formatos:
- Automático: transmite dados horários ao 5º Distrito de Meteorologia, em Belo Horizonte;
- Convencional: exige leitura manual para aferir informações adicionais, como cobertura de nuvens e visibilidade.
Critérios técnicos para localização
Para integrar a rede do Inmet, o local precisa atender a normas internacionais: gramado de vegetação baixa, ausência de concreto próximo e equipamentos pintados de branco para evitar aquecimento adicional. Os termômetros, instalados a 1,5 metro do solo, ficam em abrigo ventilado voltado para o sul, impedindo interferência direta da radiação solar.
Mais de um século de dados
Medições meteorológicas em Juiz de Fora começaram em 1890. A estação oficial do sistema nacional foi inaugurada em 1910 e, após passar por diferentes endereços – Largo do Riachuelo, prédio dos Correios na rua Marechal Deodoro e Praça Agassis –, foi transferida para a UFJF em 11 de maio de 1972. O conjunto de registros supera 125 anos.
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Importância da série histórica
Segundo Cássia Ferreira, a manutenção da estação convencional garante comparabilidade global e permite calibrar sensores particulares instalados na cidade. A climatologista destaca que o aumento das temperaturas observado em Juiz de Fora após os anos 2000 acompanha a tendência do aquecimento global, evidenciada pelo crescimento de dias acima de 30 °C.
Para a pesquisadora, ampliar a cobertura da rede nacional ainda é um desafio. Embora capitais possuam múltiplas estações, a maioria dos municípios brasileiros conta com apenas uma unidade do Inmet.
Com informações de G1