Salvador – Aberta ao público desde 7 de março de 1987, a Fundação Casa de Jorge Amado completará 40 anos de atividades em 2026. Localizada em um casarão do Pelourinho, no Centro Histórico da capital baiana, a instituição guarda cerca de 350 mil documentos ligados à vida e à obra de um dos autores mais lidos da literatura brasileira.
Decisão de manter a obra na Bahia
A fundação surgiu após a The Pennsylvania State University, nos Estados Unidos, propor ao escritor a transferência de todo o seu acervo. Jorge Amado chegou a cogitar a mudança, mas a esposa, Zélia Gattai, vetou a ideia: “Só por cima do meu cadáver esse acervo sai da Bahia”, declarou, segundo a filha do casal, Paloma Jorge Amado. A partir daí, a família passou a buscar uma sede apropriada em Salvador.
Estrutura independente
Preocupado com possíveis interferências políticas, Jorge Amado rejeitou a hipótese de vincular o acervo a órgãos governamentais. Com apoio dos filhos Paloma e João Jorge, do ex-reitor da Universidade Federal da Bahia Germano Tabacoff, da escritora Myriam Fraga e do advogado Carlos Fraga, o autor estruturou uma fundação sem fins lucrativos e autônoma. O governo estadual, então sob João Durval Carneiro, cedeu o imóvel; as obras de restauração foram financiadas pela antiga Lei Sarney.
Desafios financeiros
Ao longo das décadas, a instituição enfrentou dificuldades, chegando a correr risco de fechar por falta de recursos para pagar a conta de energia, essencial para a conservação do acervo em papel. Para garantir a continuidade das atividades, os irmãos Paloma e João Jorge organizaram um leilão de obras de arte herdadas dos pais. Hoje, a venda de direitos de reprodução de cerca de 30 mil negativos fotográficos de Zélia Gattai representa uma das principais fontes de receita.
Patrimônio literário
O acervo reúne manuscritos originais, correspondências, objetos pessoais, fotografias e edições nacionais e estrangeiras dos livros de Jorge Amado, publicados em 56 países e traduzidos para 49 idiomas. As visitas custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), com entrada gratuita às quartas-feiras.
Projetos e programação cultural
Dirigida por Ângela Fraga, a fundação mantém intensa agenda no Centro Histórico. A Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô) atraiu cerca de 300 mil pessoas em 2025, ocupando 160 espaços públicos e privados. A 10ª edição, marcada para 5 a 9 de agosto de 2026, homenageará a escritora Myriam Fraga e já confirmou a participação de Aline Bei, Ana Maria Gonçalves, Bárbara Carine e Carla Madeira.
Imagem: Guilherme Weber de Lima
Para celebrar as quatro décadas, serão lançados três novos projetos: o Amado Clube de Leitura, o programa Fundação Vai às Escolas e a Oficina de Criação de Contos. Além disso, um segundo andar de um dos casarões do complexo será transformado em espaço para exposições temporárias, com inauguração prevista para o início do próximo ano.
“Papai estaria orgulhoso. Temos cumprido nossas tarefas brilhantemente”, afirmou Paloma Jorge Amado, ao recordar que o escritor morreu em 2001, 15 anos após a criação da fundação.
Com informações de G1