A maior parte dos supermercados brasileiros não avançou na substituição de ovos produzidos em gaiolas por produtos de sistemas livres, revelou o estudo anual Observatório do Ovo, conduzido pela ONG Alianima.
Segundo o levantamento, divulgado nesta quarta-feira (14), 64% das redes pesquisadas não aumentaram a participação de marcas “cage-free” nas gôndolas ou até registraram retrocessos. Além disso, 24% das companhias que assumiram metas não divulgam relatórios de progresso.
Compromissos desde 2015
Desde 2015, mais de 160 empresas de alimentação, varejo e hotelaria anunciaram publicamente que só comercializariam ovos de galinhas criadas fora de gaiolas. Cada grupo definiu prazos próprios, que variam de 2021 a 2030.
Desempenho de grandes varejistas
Entre as redes citadas, o Carrefour reduziu a fatia de ovos livres em suas lojas de 21,4% para 20,2% no último ano. O relatório indica ainda que o grupo é o único, entre os compromissados, que não disponibiliza pelo menos uma marca “cage-free” em todas as unidades.
O Pague Menos também foi mencionado por não apresentar qualquer evolução na oferta. Procuradas, as duas empresas não responderam até a publicação da notícia.
Principais obstáculos
Ao serem questionadas pela Alianima, as redes apontaram os seguintes desafios para a transição:
Imagem: Internet
• 67%: preço elevado do produto;
• 44%: desconhecimento dos consumidores;
• 33%: baixa aceitação do público;
• 22%: falta de apoio de associações.
As regiões Norte e Nordeste foram consideradas as mais difíceis para o abastecimento de ovos livres. Mesmo assim, 33% das empresas afirmaram não enfrentar dificuldades e 78% reconheceram ganho de imagem com a mudança.
O que é o sistema “cage-free”
Nesse modelo, as galinhas permanecem soltas no galpão durante todo o período de postura. Normas do Instituto Certified Humane Brasil determinam densidade máxima de 7 a 11 aves por metro quadrado, além de espaços mínimos de 5 cm por ave nos comedouros e 15 cm nos poleiros, com água e alimento à vontade.
O estudo será atualizado anualmente para acompanhar a evolução dos compromissos até os prazos estabelecidos.
Com informações de G1