Três das quatro equipes que fizeram as melhores campanhas da primeira fase da Série A2 do Campeonato Brasileiro Feminino aproveitaram a condição de visitantes nas quartas de final e abriram vantagem na corrida pelo acesso. Vasco, Minas Brasília e Atlético-PI venceram seus compromissos fora de casa e agora podem até perder pela diferença mínima na volta para garantirem presença na elite em 2027. O único duelo que ficou em aberto foi o empate entre Sport e Itabirito.
Como o regulamento premia os quatro semifinalistas com a promoção automática, a rodada de volta — entre sábado (22) e domingo (23) — vale praticamente como uma “final antecipada” para os aspirantes ao retorno ou à estreia na Série A1. A TV Brasil transmite todas as partidas decisivas.
O que está em jogo
Disputada por 16 clubes, a Série A2 classifica os dois melhores de cada grupo para o mata-mata. A partir das quartas, o critério de desempate privilegia a soma de gols sem a regra do gol qualificado fora de casa; em caso de empate na contagem agregada, a definição vai para os pênaltis. Por isso, qualquer vantagem conquistada nos 90 minutos iniciais pesa muito, sobretudo quando obtida no campo adversário.
Nesta temporada, Vasco, Minas Brasília, Atlético-PI e Itabirito terminaram a fase classificatória no G-4 geral e, consequentemente, decidem em seus domínios. As campanhas expressivas se confirmaram nos jogos de ida, com exceção de Itabirito, que não conseguiu furar a defesa do Sport em plena Ilha do Retiro. Veja, a seguir, o retrato de cada confronto.
Como ficaram os confrontos
Taubaté 0 × 2 Vasco — vantagem cruz-maltina
De volta às manchetes nacionais depois de 11 anos afastado da elite, o Vasco mostrou a razão de ter feito a melhor campanha geral. No estádio Joaquinzão, em Taubaté, a equipe comandada por Antony Menezes controlou a posse de bola e construiu o 2 a 0 sem sustos. Nayara inaugurou o marcador ainda na etapa inicial, aproveitando cruzamento rasteiro da lateral Gisele. Após o intervalo, Tefah recebeu entre as zagueiras e finalizou no canto para ampliar.
Com o resultado, as vascaínas podem perder por até um gol no próximo sábado (22), às 18h, em São Januário, que mesmo assim avançam. Caso o Taubaté devolva a diferença de dois gols, a vaga será decidida nos pênaltis. A diretoria cruz-maltina prepara promoção de ingressos a preços populares para lotar o estádio e selar o retorno à Série A1.
Sport 0 × 0 Itabirito — tudo em aberto
A partida mais truncada da rodada aconteceu na Ilha do Retiro. O Sport, quinto lugar geral, tentou se impor diante da torcida, mas encontrou um Itabirito disciplinado taticamente. As mineiras, que subiram da Série A3 no ano passado, bloquearam as investidas leoninas, sobretudo pelas laterais, e ainda criaram duas chances claras em contra-ataques puxados por Carol Baiana.
Sem gols, o embate fica para domingo (23), às 16h, na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas (MG). Quem vencer garante o acesso; novo empate leva para os pênaltis. O fator de decisão em casa pode favorecer o Itabirito, mas o Sport aposta na experiência de quem já disputou a elite em 2025.
3B da Amazônia 0 × 2 Atlético-PI — festa piauiense em Manaus
Na Arena da Amazônia, o Atlético-PI, atual campeão da Série A3, deu mais um passo em sua ascensão meteórica. Sob o comando da ex-zagueira Renata Costa, vice-campeã mundial com a seleção em 2007, as auriverdes derrotaram o 3B por 2 a 0. Dani abriu o placar em chute de fora da área e Eduarda Balbino completou após jogada ensaiada de escanteio.
O jogo da volta ocorre domingo (23), às 16h, no estádio Lindolfo Monteiro, em Teresina. As piauienses podem perder por até um gol. Confiança não falta: o time ostenta série invicta de 11 partidas e média de quase três gols marcados por compromisso dentro de casa.
Ação-MT 0 × 1 Minas Brasília — eficiência candanga
Fechando os duelos de ida, o Minas Brasília visitou o Ação no estádio Dito Souza, em Várzea Grande (MT), e levou a melhor por 1 a 0. A lateral-esquerda Rhayssa, destaque da campanha, marcou o único gol após jogada individual pela ponta, concluindo com chute cruzado no ângulo.
O reencontro será sábado (22), às 16h, no Bezerrão, no Gama (DF). As brasilienses, que caíram da Série A1 em 2022, dependem apenas de um empate para voltar à elite. Já o Ação, sexto na fase de grupos, precisa vencer por dois gols de diferença ou levar a decisão para os pênaltis com um triunfo simples.
Panorama das equipes
- Vasco: melhor ataque da competição (25 gols) e defesa menos vazada (apenas 3). Reforçou o elenco com a meia Bebel, ex-Flamengo, durante a janela de meio de ano.
- Taubaté: aposta em jogadoras formadas na base e no apoio da prefeitura local. Conseguiu classificação inédita para o mata-mata.
- Sport: vive reconstrução após rebaixamento em 2025. Tem no comando técnico a ex-atacante Jaqueline, medalhista olímpica em 2008.
- Itabirito: clube criado em 2023, chegou à Série A2 com dois acessos consecutivos e mantém 70 % do elenco campeão da A3 de 2025.
- Atlético-PI: projeto consolidado com parceria entre empresariado local e governo estadual. Renata Costa implementou metodologia europeia nos treinos.
- 3B da Amazônia: tradicional no Norte, mas sofreu desmanche após queda da Série A1 em 2025. Investe na revelação de jogadoras da região.
- Minas Brasília: campeão da A2 em 2020, tenta retorno após oscilar entre A1 e A2. Comando técnico de Camilla Orlando prioriza posse de bola.
- Ação-MT: representa Várzea Grande e conta com parte do elenco campeão estadual. Planeja centro de treinamento próprio em 2027.
Agenda e transmissão
Os quatro jogos decisivos terão exibição ao vivo na TV Brasil, parceira da CBF para as divisões de acesso do futebol feminino. Confira a programação deste fim de semana:
- Sábado (22)
16h – Minas Brasília x Ação-MT – Bezerrão, Gama (DF)
18h – Vasco x Taubaté – São Januário, Rio de Janeiro (RJ) - Domingo (23)
16h – Atlético-PI x 3B da Amazônia – Lindolfo Monteiro, Teresina (PI)
16h – Itabirito x Sport – Arena do Jacaré, Sete Lagoas (MG)
O próximo passo: semifinal e título simbólico
Garantido o acesso, o quarteto classificado ainda segue na competição em busca do troféu da Série A2. As semifinais serão disputadas em ida e volta, com cruzamento determinado pela melhor campanha geral: primeiro x quarto; segundo x terceiro. O time de melhor retrospecto no acumulado decide em casa, tanto na semifinal quanto na final.
Além da glória esportiva, levantar a taça garante bônus financeiro adicional distribuído pela CBF e aumenta a visibilidade para captação de patrocinadores. Isso explica por que as equipes tratam cada fase com seriedade máxima, mesmo após confirmar a subida de divisão.
Futebol feminino em expansão
O avanço de projetos como Itabirito, Atlético-PI e Ação-MT evidencia a interiorização do futebol feminino no país. A Série A3, criada em 2022, alimenta a pirâmide e proporciona calendário mais robusto — fator crucial para o desenvolvimento técnico das atletas.
Segundo dados divulgados pela CBF em maio, o número de jogadoras federadas no Brasil cresceu 37 % em três anos, impulsionado pela obrigatoriedade de que clubes da Série A masculina mantenham equipes femininas de base e adulto. O salto estrutural se reflete em competições cada vez mais equilibradas, como mostram os duelos destas quartas de final.
Entre sábado e domingo, o país conhecerá os quatro novos integrantes da Série A1 de 2027. Até lá, a expectativa de jogos movimentados e estádios cheios reforça que o futebol feminino brasileiro vive um momento de ascensão irreversível.