Com atuação segura diante da própria torcida, o Planalto abriu vantagem sobre o Realidade Jovem na semifinal do Campeonato Brasileiro Feminino A3. O clube goiano venceu por 2 a 0, na noite de segunda-feira (17), no Estádio Annibal Batista de Toledo, em Aparecida de Goiânia, e agora pode até perder por um gol no duelo de volta, marcado para domingo (23), às 11h, no Teixeirão, em São José do Rio Preto.
Para as paulistas, a conta é simples e dura: precisam ganhar por pelo menos três gols de diferença no tempo normal para garantir a vaga direta na final. Caso devolvam os 2 a 0, a decisão sairá nos pênaltis. A partida, assim como a ida, terá transmissão da TV Brasil.
Caminhos distintos até o mata-mata
As duas equipes chegaram às semifinais embaladas por trajetórias consistentes, porém com perfis diferentes. O Planalto acumulou seis vitórias, três empates e apenas uma derrota, balançando as redes 22 vezes e sofrendo seis gols. Nas quartas, passou pelo Pantanal-MS com triunfo duplo por 1 a 0, tanto em Campo Grande quanto em Aparecida de Goiânia.
O Realidade Jovem, por sua vez, aterrissou na fase decisiva com a melhor campanha geral: nove vitórias e um tropeço, 23 gols marcados e cinco sofridos. Garantiu o acesso contra o Coritiba, revertendo derrota por 2 a 1 no Paraná com vitória por 2 a 0 em casa. A solidez paulista, contudo, não se confirmou no primeiro confronto contra as goianas.
Primeiro tempo de pressão alviverde
Empurrado pela torcida, o Planalto tratou de impor ritmo forte logo no início. Aos nove minutos, Marcelly cobrou escanteio curto pela direita, recebeu de volta e cruzou rasteiro. A bola atravessou a pequena área, passou por Caylane e pela goleira Gabi; bem-colocada, Moara apenas desviou para abrir o placar.
O gol rápido deixou o Realidade Jovem desconcertado. Sem conseguir conectar passes no campo ofensivo, o time visitante pouco exigiu da goleira Lescaut. Já o Planalto seguiu explorando as pontas, especialmente com Marcelly e Moara, que encontraram espaço entre as laterais adversárias.
Expulsão complica as paulistas
A volta do intervalo manteve o desenho tático: Planalto controlando posse e Realidade Jovem apostando em bolas longas. Aos 11 minutos, a situação das paulistas piorou. A volante Castro, que já tinha amarelo, parou contra-ataque com falta dura em Brenda e recebeu o segundo cartão, deixando a equipe com uma a menos.
Com superioridade numérica, o Planalto adiantou as linhas, ocupou o meio-campo rival e praticamente não foi ameaçado. O técnico Edson Carvalho aproveitou para renovar o fôlego ofensivo, lançando Jhulian, que se tornaria decisiva minutos depois.
Gol no fim coroa a vantagem
Já na reta final, aos 39, as goianas ampliaram. Joice arriscou de fora da área, Gabi defendeu parcialmente, Moara pegou o rebote e chutou forte; a goleira espalmou novamente, mas desta vez Jhulian apareceu livre para completar: 2 a 0. O tento deu tranquilidade às anfitriãs e esfriou qualquer tentativa de reação paulista.
Nos acréscimos, o Realidade Jovem até ensaiou pressão com bolas alçadas, porém Lescaut mostrou segurança nas saídas. Ao apito final, jogadoras do Planalto comemoraram diante de 3.428 torcedores, público que superou a média do torneio e reforçou o fator casa como trunfo goiano.
Cenário para o jogo de volta
A missão do Realidade Jovem passa por reorganizar o meio-campo, setor prejudicado pela expulsão de Castro. A comissão técnica avalia alternativas como recuar a meia Mariane ou promover a entrada da jovem Duda na contenção. No ataque, a artilheira Fabi Oliveira, arrefecida na ida, deverá receber companhia mais próxima para furar a defesa adversária.
Do outro lado, o Planalto trabalha com discurso de “pé no chão”. Apesar da vantagem, o elenco lembra que a equipe paulista já demonstrou capacidade de viradas. A preparação inclui treinos fechados e ênfase em transições rápidas, estratégia que deu resultado no primeiro encontro.
Outra semifinal: Juventude-SE sai na frente
No outro confronto do Brasileiro Feminino A3, o Juventude-SE derrotou a Portuguesa-AP por 2 a 0, na sexta-feira (21), no Estádio Augusto Antunes, em Santana. O duelo de volta acontece nesta mesma sexta (21), às 21h, no Batistão, em Aracaju, também com cobertura da TV Brasil. Quem avançar encara o vencedor de Planalto e Realidade Jovem.
Independentemente dos resultados, os quatro semifinalistas já asseguraram presença na Série A2 de 2027, substituindo União Desportiva Alagoana (UDA) e Itacoatiara, rebaixados nesta temporada.
O que está em jogo
- Vaga na final do Brasileiro Feminino A3.
- Chance de conquistar o título nacional inédito para ambos os clubes.
- Impulso financeiro e esportivo: premiação da CBF e visibilidade para as jogadoras.
- Confirmação do projeto esportivo que levou Planalto e Realidade Jovem à melhor campanha de suas histórias.
Serviço do confronto decisivo
- Data: domingo, 23 de agosto
- Horário: 11h (de Brasília)
- Local: Estádio Teixeirão – São José do Rio Preto (SP)
- Transmissão: TV Brasil
- Cenário: Planalto avança com vitória, empate ou derrota por um gol; Realidade Jovem precisa vencer por três gols ou levar aos pênaltis vencendo por dois.
Vozes do gramado
Moara, autora do primeiro gol, celebrou a sintonia ofensiva: “Treinamos muito a bola parada e sabíamos que a defesa delas fecha bem pelo alto; a jogada ensaiada rasteira foi mérito do grupo”. A atacante Jhulian, que fechou a conta, destacou a força do elenco: “Entrei para aproveitar qualquer sobra e fui feliz. Mas nada está ganho, temos 90 minutos complicados fora de casa”.
No vestiário paulista, a capitã Nayara reconheceu os erros: “Faltou concentração depois do primeiro gol e a expulsão nos desestabilizou. Em Rio Preto será diferente, contamos com nossa torcida para reverter”.
Panorama técnico-tático
O treinador Edson Carvalho manteve o 4-3-3 que caracterizou o Planalto na competição, com linhas compactas e laterais projetando-se apenas em jogadas controladas. A postura trouxe equilíbrio defensivo: Lescaut teve poucas intervenções e a zaga se beneficiou da cobertura de Joice e Brenda.
Já o Realidade Jovem de Douglas Santos iniciou num 4-2-3-1, porém a ausência de circulação rápida fez a equipe ficar previsível. A expulsão de Castro desmontou o duplo volante, abrindo corredores que o Planalto explorou. A comissão técnica estuda migrar para um 4-4-2 no jogo de volta, reforçando a área ofensiva.
Próximos passos
Até quinta-feira (20) as equipes realizam treinamentos em seus centros de preparação. O Planalto viaja para o interior paulista na noite de sexta e faz reconhecimento do gramado no sábado. O Realidade Jovem treina com portões abertos na quarta, iniciativa para aproximar a torcida e fortalecer a cobrança positiva.
O apito inicial no Teixeirão definirá quem segue rumo ao que pode ser o primeiro título nacional de sua história. Até lá, a bola segue rolando nos bastidores, com ajustes táticos, recuperação física e a expectativa crescente de uma semifinal que promete emoções até o fim.