A técnica Camilla Orlando apresentou, nesta quarta-feira (19), a lista de 21 jogadoras que defenderão o Brasil na Copa do Mundo Feminina Sub-20, de 5 a 27 de setembro, na Polônia. Entre as convocadas, o Flamengo lidera com quatro atletas, enquanto São Paulo e Ferroviária aparecem logo atrás, com três nomes cada.
A delegação se reúne em São Paulo no domingo (23) e embarca no dia seguinte para a Polônia. O grupo inicia os treinamentos em Cracóvia na quinta-feira (27) e, em 30 de agosto, segue rumo a Bielsko-Biala, cidade que receberá os compromissos brasileiros pelo Grupo B.
Planejamento antes da estreia
O cronograma elaborado pela comissão técnica prevê pouco tempo entre chegada e estreia. Após quatro sessões de treinos em Cracóvia, jogadoras e staff deslocam-se cerca de 110 km até Bielsko-Biala, palco da estreia contra a Tanzânia em 5 de setembro, às 10h (horário de Brasília). Três dias depois, no mesmo horário, o desafio será diante do Canadá. O encerramento da fase de grupos ocorre em 11 de setembro, novamente às 10h, contra a Inglaterra.
Camilla Orlando destacou a necessidade de adaptação rápida: “Teremos apenas uma semana cheia para absorver o fuso, ajustar detalhes táticos e reconhecer o gramado. A logística foi pensada para minimizar desgaste”.
Formato do torneio
A Polônia recebe 24 seleções, divididas em seis grupos. Avançam às oitavas os dois primeiros de cada chave e os quatro melhores terceiros colocados. A Coreia do Norte, atual tricampeã, defende o posto de maior vencedora. O Brasil garantiu presença após conquistar o Sul-Americano da categoria, disputado em fevereiro, no Paraguai.
Retrato da convocação
O Flamengo, atual campeão brasileiro Sub-20, emplacou a zagueira Sofia, as meias Emilly e Kaylane, além da atacante Brendha. São Paulo e Ferroviária contribuíram com três nomes cada, reflexo da consistência desses projetos de base. Internacional e o português Benfica cederam duas atletas cada. Corinthians, Botafogo, Fluminense, Santos e Grêmio completam a lista com uma jogadora cada.
Chama a atenção a presença da atacante Gio Canali, que atua no futebol universitário norte-americano pela Virginia University. A aposta sinaliza que a comissão técnica segue de olho em atletas formadas fora do circuito tradicional brasileiro.
Jogadoras que já orbitam a seleção principal
Alguns nomes convocados ganharam espaço em períodos recentes com a seleção adulta, caso da goleira Morganti (Corinthians), da lateral-zagueira Thaynara (Botafogo) e da meia Dudinha (Ferroviária). A estratégia, segundo Orlando, é acelerar a transição entre as categorias para chegar a 2027 com um grupo maduro em nível internacional.
Histórico recente: lições do último Mundial
Na edição anterior, disputada em 2024 na Colômbia, o Brasil encerrou a fase de grupos com 100% de aproveitamento — goleadas sobre Fiji (9 × 0), França (3 × 0) e Canadá (2 × 0). Nas oitavas, superou Camarões por 3 × 1 na prorrogação, mas caiu nas quartas diante da Coreia do Norte por 1 × 0. O desempenho reacendeu a cobrança por um título inédito; até hoje, o melhor resultado brasileiro é o terceiro lugar, obtido em 2006 e 2022.
A busca por consistência defensiva foi apontada como prioridade após a eliminação para as norte-coreanas. Desde então, a CBF intensificou intercâmbios internacionais e, em 2025, criou um calendário permanente de amistosos para a equipe Sub-20.
Veteranas que pavimentaram o caminho
A campanha de 2006 revelou nomes que depois brilharam na seleção principal, como a goleira Bárbara e a zagueira Érika. A geração de 2022, por sua vez, promoveu atletas hoje consolidadas no grupo adulto, casos de Bruninha, Lauren e Priscila. O histórico reforça a importância do Mundial Sub-20 como ponte para a renovação.
Lista completa das convocadas
- Goleiras: Elu (São Paulo), Morganti (Corinthians), Thais Lima (Benfica)
- Defensoras: Ana Bia (São Paulo), Bianca Martins (Internacional), Sofia (Flamengo), Thaynara (Botafogo)
- Meias: Aninha (Internacional), Clarinha (Benfica), Dudinha (Ferroviária), Emilly (Flamengo), Kaylane (Flamengo), Nogueira (Ferroviária), Vitorinha (São Paulo)
- Atacantes: Brendha (Flamengo), Gio Canali (Virginia University), Carioca (Fluminense), Evelin (Santos), Gisele (Grêmio), Tainá (Ferroviária)
Desafios do Grupo B
Embora a Tanzânia seja estreante em Mundiais Sub-20, a comissão técnica evita considerar o confronto inaugural como “teste de menor risco”. Já o Canadá, terceiro adversário da Colômbia-2024, costuma investir pesado na formação de base. A Inglaterra, campeã europeia sub-19 em 2025, sustenta proposta física e transições rápidas. “É um grupo que exige concentração do primeiro ao último minuto”, avaliou a lateral Ana Bia, do São Paulo.
Possíveis cruzamentos
Caso avance na primeira colocação, o Brasil poderá encarar um terceiro colocado dos grupos A, C ou D nas oitavas. Terminar em segundo ou em terceiro abriria caminho para rivais de maior expressão, como Estados Unidos ou Alemanha, dependendo dos outros resultados. Por isso, a meta interna é garantir a liderança com antecedência.
Estrutura de apoio e comissão técnica
Além da treinadora Camilla Orlando, a delegação viaja com preparador físico, analista de desempenho, psicóloga e equipe médica completa. Segundo a CBF, o uso de tecnologia de rastreamento GPS e análise de dados ao vivo, iniciado no ciclo olímpico, será replicado no Sub-20 para monitorar cargas de treinamento.
A entidade ainda negocia dois amistosos em solo polonês, entre 31 de agosto e 3 de setembro, contra seleções que já estarão no país-sede. A intenção é gerar minutos de jogo antes da estreia, algo que não foi possível na preparação de 2024 por questões logísticas.
Perspectiva de título inédito
Com três terceiros lugares no currículo da categoria — 2006, 2022 e 2024 —, a seleção feminina sonha em colocar finalmente a taça na galeria. Camilla Orlando aposta no entrosamento de atletas que já se enfrentam com frequência no Campeonato Brasileiro Sub-20. “Temos um grupo acostumado a decisões e com rodagem internacional. A hora de transformar potencial em resultado é agora”, afirmou a treinadora.
Os torcedores poderão acompanhar os confrontos do Brasil pela TV aberta, em esquema de parceria entre a CBF e a TV Brasil para transmissões do Mundial Sub-20 feminino.