
Resumo da Notícia
- O Grupo VSX, de Aracaju, desenvolveu o Seggest, sistema de gestão criado para corretoras de seguros e de benefícios que identifica receitas perdidas dentro da própria carteira.
- A tecnologia nasceu dentro da corretora do próprio grupo, a partir de gargalos reais como renovações sem acompanhamento, divergências no pagamento de comissões e parcelas em atraso.
- O sistema reúne seis áreas integradas — CRM, apólices, financeiro, pós-venda, RH e uma camada de inteligência — e cruza dados para apontar oportunidades de novos negócios.
Conquistar novos clientes nem sempre é o maior desafio de uma corretora de seguros. Boa parte da receita pode estar escorrendo pelos dedos dentro da própria carteira: renovações que passam sem acompanhamento, divergências no pagamento de comissões, parcelas em atraso e oportunidades de novos negócios que simplesmente passam despercebidas. Foi a partir desses gargalos, identificados na operação diária em Aracaju, que o Grupo VSX desenvolveu o Seggest, um sistema de gestão voltado para corretoras de seguros e de benefícios que promete estancar essas perdas silenciosas.
A tecnologia foi criada pela ALFA79, braço tecnológico do Grupo VSX, a partir da experiência acumulada no mercado de seguros. E há um detalhe que os criadores fazem questão de destacar: o Seggest não nasceu em um laboratório com o objetivo de ser vendido. Ele começou a ser desenvolvido dentro da própria corretora do grupo, para resolver as dificuldades enfrentadas todos os dias pela equipe — e só depois, testado e aprimorado na operação real, foi levado ao mercado.
O problema dentro da carteira
Quem trabalha em uma corretora conhece bem a rotina: é preciso acompanhar ao mesmo tempo apólices, renovações, comissões, parcelas, vendas e o relacionamento com cada cliente. Quando essas informações estão espalhadas por planilhas, sistemas diferentes e controles manuais, processos importantes acabam ficando pelo caminho — e cada processo esquecido é dinheiro que deixa de entrar.
Uma renovação não acompanhada pode significar um cliente que migra para a concorrência sem que ninguém perceba. Uma comissão paga a menor pela seguradora, se não for confrontada com o valor previsto, vira prejuízo silencioso no fim do mês. Parcelas em atraso que não são cobradas no tempo certo comprometem o fluxo de caixa. E há ainda as oportunidades que nunca viram proposta: o cliente que tem o seguro do carro na corretora há anos, mas nunca recebeu uma oferta de seguro residencial, por exemplo.
Segundo os especialistas ouvidos na apresentação da ferramenta, esse é um ponto cego comum no setor. A discussão costuma girar em torno de conquistar mais clientes, enquanto a carteira existente — que já custou caro para ser formada — não recebe a mesma atenção gerencial. É exatamente nesse ponto que a tecnologia sergipana pretende atuar.
Nascido dentro de uma operação real
Para Gustavo Andrade, diretor do Grupo VSX, a origem do Seggest dentro de uma corretora em funcionamento foi determinante para o formato final da ferramenta. “Não partimos da ideia de criar mais um sistema para corretoras. Partimos de problemas que nós mesmos enfrentávamos todos os dias. O Seggest foi construído acompanhando as necessidades da operação e, depois de utilizá-lo e aprimorá-lo internamente, percebemos que outras corretoras enfrentavam desafios muito semelhantes”, explica o executivo.
Essa gênese prática é um argumento de venda relevante em um mercado cheio de softwares genéricos. Em vez de uma plataforma desenhada a partir de suposições sobre o dia a dia do corretor, o Seggest carrega as marcas de quem viveu os problemas: telas e fluxos pensados para quem precisa, na segunda-feira de manhã, saber quais renovações vencem na semana, quais comissões estão divergentes e quais clientes estão com parcelas atrasadas.
O lançamento amplia a atuação do Grupo VSX em tecnologia aplicada ao mercado de seguros. Por meio da ALFA79, o grupo vem desenvolvendo sistemas, inteligência artificial e automações a partir de demandas identificadas nas próprias operações — um modelo de inovação que parte do problema real para a solução, e não o contrário.
Seis áreas integradas em um só lugar
O Seggest reúne seis áreas integradas em uma única plataforma: CRM e funil comercial, apólices, financeiro, pós-venda, recursos humanos e uma camada de inteligência dedicada ao processamento e ao cruzamento de informações. A proposta é eliminar a fragmentação: em vez de consultar vários controles para montar o quebra-cabeça da operação, o corretor encontra tudo no mesmo ambiente.
Entre as funcionalidades, estão a leitura de apólices em PDF — que extrai automaticamente os dados dos documentos — e o acompanhamento de renovações, parcelas e comissões. A leitura automatizada de apólices é um dos pontos mais sensíveis da rotina: digitar manualmente cada contrato consome horas da equipe e abre espaço para erros que, mais tarde, viram divergência financeira.
A área de pós-venda merece destaque porque é justamente onde mora boa parte das perdas invisíveis. É no pós-venda que se acompanha se o cliente renovou, se está satisfeito, se precisa de ajustes na cobertura — e é também de onde saem as indicações e as vendas adicionais. Sem processo, o pós-venda vira apenas um departamento de apagar incêndios.
Inteligência contra as perdas silenciosas
A camada de inteligência do sistema é o que diferencia a proposta de um simples software de gestão. A tecnologia cruza a carteira de clientes com o portfólio de produtos da corretora e aponta oportunidades: quem possui seguro automotivo, mas nunca contratou uma cobertura residencial; quem tem seguro de vida individual, mas não protegeu os sócios da empresa; quem contratou um plano de saúde empresarial, mas não avaliou o seguro de vida em grupo.
No financeiro, o cruzamento é ainda mais direto no bolso: os valores de comissões previstos podem ser confrontados com os efetivamente recebidos das seguradoras, permitindo identificar divergências que, somadas ao longo dos meses, representam valores relevantes. Para corretoras de médio porte, com centenas ou milhares de apólices ativas, essa conferência manual é praticamente inviável — e é aí que a automação se paga.
“Existe muita discussão sobre conquistar mais clientes, mas também precisamos olhar para aquilo que já está dentro da empresa. Uma carteira bem administrada tem informações, relacionamentos e oportunidades que não podem ser desperdiçados por falta de processo. A tecnologia entra justamente para dar mais controle sobre essa operação”, completa Gustavo Andrade.
Dados no Brasil e conformidade com a LGPD
Um ponto sensível para qualquer sistema que centraliza informações de clientes é a proteção de dados. De acordo com a ALFA79, os dados processados pelo Seggest são hospedados no Brasil, com isolamento das informações de cada corretora, e a estrutura foi desenhada considerando os requisitos da Lei Geral de Proteção de Dados, a LGPD.
A conformidade com a LGPD não é um detalhe burocrático: corretoras lidam com dados pessoais sensíveis — documentos, informações de saúde em seguros de vida e planos, dados financeiros. Um vazamento ou uso inadequado pode gerar sanções pesadas e, pior, a perda da confiança do cliente, que é o principal ativo de uma corretora. Ter a hospedagem em território nacional e o isolamento por cliente são respostas diretas a essa preocupação.
Um mercado gigante que justifica o investimento
O pano de fundo ajuda a entender por que uma solução como essa chega em boa hora. Dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) mostram que o setor supervisionado arrecadou R$ 415,09 bilhões em 2025, enquanto indenizações, resgates, benefícios e sorteios pagos à sociedade somaram R$ 265,30 bilhões no ano, com alta nominal de 9,54% na comparação com o ano anterior.
Nos ramos mais diretamente ligados à proteção da população e das atividades econômicas — seguros de danos e de pessoas, excluindo o VGBL —, as receitas atingiram R$ 223,30 bilhões em 2025, com crescimento nominal de 7,82% sobre 2024, segundo a Susep. O seguro de vida cresceu 12,70% em termos nominais no ano, e o seguro auto avançou 6,79%. O estoque de provisões técnicas do setor superou R$ 2 trilhões, o equivalente a cerca de 16% do PIB brasileiro, um indicador da solidez do mercado no longo prazo.
Nesse cenário, o papel do corretor vem se transformando. Como aponta análise do setor divulgada pelo SindsegSC, o consumidor está mais informado e exigente: não quer apenas contratar um seguro, quer entender o impacto da decisão no orçamento, na família e no patrimônio. A corretora deixa de ser um mero canal de vendas e passa a atuar como ponte entre risco, proteção e planejamento financeiro — e isso exige gestão profissional da carteira, não improviso.
Tecnologia, IA e o combate às fraudes
O Seggest surge em um momento em que a tecnologia redefine o setor de seguros em várias frentes. A inteligência artificial já é usada para analisar grandes volumes de dados, identificar padrões suspeitos e automatizar processos de subscrição e regulação de sinistros. Sistemas de IA conseguem cruzar informações de diferentes bases para detectar comportamentos anômalos, o que ajuda a reduzir perdas com fraudes — um dos ralos mais caros do mercado segurador.
Um estudo da McKinsey citado por especialistas do setor sugere que seguradoras que adotam IA de forma abrangente podem reduzir custos operacionais em até 40%, ao mesmo tempo em que melhoram a experiência do cliente e a precisão na avaliação de riscos. A automação de tarefas repetitivas — da extração de dados de documentos à classificação inicial de sinistros — libera os profissionais para atividades de maior valor, como o relacionamento com o cliente e a consultoria técnica.
É nesse movimento mais amplo que se insere a aposta do Grupo VSX: levar para as corretoras — que são a ponta do contato com o segurado — o mesmo rigor de dados que as grandes seguradoras vêm aplicando nas suas operações internas. Se a tese se confirmar, a tecnologia criada em Sergipe pode ajudar a fechar um dos ralos menos visíveis, e mais caros, do mercado de seguros brasileiro: aquele que fica dentro da própria corretora.
