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Atlético-MG rompe com H2bet e fica sem patrocinador master

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Resumo da Notícia

  • A H2bet anunciou na noite de sábado (3) o encerramento do patrocínio master ao Atlético-MG, em consequência direta da Medida Provisória nº 1.394, que proibiu as casas de apostas no Brasil.
  • O contrato, válido desde janeiro de 2025 até o fim de 2027, previa R$ 180 milhões fixos ao Galo (R$ 60 milhões por temporada) e pode ter chegado a mais de R$ 200 milhões com bônus.
  • Com a saída da marca, o Atlético fica sem patrocinador master e aposta em um acordo de R$ 15 milhões com o Governo de Minas Gerais (Cemig e Codemge) para amenizar o rombo a partir de 2027.

O Atlético-MG amanheceu o domingo sem patrocinador master. Na noite de sábado (3), a H2bet anunciou o encerramento da parceria com o Galo, em uma rescisão provocada pela Medida Provisória nº 1.394, que proibiu a exploração, a oferta e a publicidade das apostas de quota fixa em território nacional. A marca ocupava o principal espaço da camisa alvinegra desde janeiro de 2025, em um contrato que previa R$ 180 milhões ao clube ao longo de três temporadas — e que agora chega ao fim antes do prazo, segundo o Bolavip.

O anúncio foi feito nas redes sociais do clube, com uma nota oficial assinada pela própria casa de apostas. “O H2bet informa o encerramento de sua parceria de patrocínio com o Clube Atlético Mineiro, em decorrência das restrições estabelecidas pela Medida Provisória do Governo. Entramos em campo juntos. E descobrimos que, com o Galo, ninguém caminha sozinho”, informou a empresa, conforme repercutiram o ge, o UOL e a Gazeta Esportiva.

A despedida veio em tom emocional, dirigida à torcida atleticana. “Para o H2bet, essa parceria sempre foi além da marca estampada na camisa. Foi sobre estar perto da Massa, ouvir seu grito de ‘Galo!’ e viver essa paixão a cada jogo. Vivemos dias de arquibancada cheia, de voz rouca e de acreditar até o último minuto. Vimos de perto um amor que atravessa gerações e transforma qualquer lugar em casa. Hoje, nossa parceria chega ao fim. Mas o que escrevemos juntos fica na história. Obrigado, Atlético. Obrigado, Massa. A gente sempre vai gritar Galo!”, completou a nota.

O contrato de R$ 180 milhões

O acordo entre Atlético-MG e H2bet era um dos mais robustos do futebol brasileiro. Firmado no início de 2025, o contrato previa pagamento fixo de R$ 180 milhões ao Galo até o fim de 2027 — R$ 60 milhões por temporada. Com metas e bônus atrelados ao desempenho, o valor total poderia superar R$ 200 milhões, segundo apuração da imprensa esportiva.

A parceria colocava a H2bet no peito da camisa atleticana, o espaço de maior visibilidade do uniforme, e representava a principal receita comercial do clube. O rompimento, menos de dois anos depois do início, abre uma lacuna justamente na propriedade mais valiosa do uniforme — e em um mercado que mudou de forma abrupta com as novas regras do setor.

O Atlético já havia se antecipado ao desfecho. Na quinta-feira (1º), dois dias antes do anúncio oficial, o clube removeu a H2bet da lista de patrocinadores no site oficial e retirou o nome da marca do canal oficial no YouTube, que passou de “GaloTV H2Bet” de volta a apenas “GaloTV”, segundo o site rede98. Nos treinamentos da equipe, porém, a marca ainda seguia estampada na camisa dos jogadores e da comissão técnica.

O que muda com a Medida Provisória das bets

A Medida Provisória nº 1.394, assinada em 25 de setembro, decretou o fim da operação das casas de apostas de quota fixa no Brasil, incluindo apostas esportivas e jogos online. Pelo texto, ficaram proibidas a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade dessas atividades em território nacional.

Os efeitos são imediatos. As empresas que já tinham autorização entraram em um período de transição: novos aportes de apostadores foram proibidos já na publicação da MP, e os usuários têm até as 23h59 desta segunda-feira (5) para sacar voluntariamente os valores disponíveis nas plataformas. A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos das casas de apostas deverão sair do ar no país, de acordo com a norma.

A MP também determina a extinção das autorizações concedidas às empresas do setor. Segundo o texto oficial, a decisão, tomada por interesse público, não gera direito a indenização por lucros cessantes, investimentos realizados ou expectativa de continuidade da atividade.

Para os clubes, o impacto é direto: as marcas de apostas precisam ser retiradas dos uniformes e de todo o material publicitário até o dia 5 de outubro. Na prática, patrocínios milionários firmados nos últimos anos viraram pó da noite para o dia — e os departamentos comerciais dos clubes agora precisam correr atrás de substitutos em um mercado onde o maior anunciante do futebol brasileiro foi simplesmente proibido de anunciar.

Outros clubes na mesma situação

O Atlético-MG não está sozinho. O Santos, por exemplo, suspendeu o contrato com a Novibet e já entrou em campo sem nenhuma marca no espaço master da camisa — justamente na mesma rodada em que o Santos virou sobre o São Paulo por 2 a 1, com gol de Gabigol.

Parte dos clubes tenta reverter a decisão no Supremo Tribunal Federal, com pedidos de suspensão dos efeitos da medida provisória. O Atlético-MG, porém, não integra o grupo que recorreu à Corte — o Galo optou por encerrar o vínculo e reorganizar a estratégia comercial, sem entrar na briga judicial.

O movimento mostra uma divisão de caminhos: enquanto alguns clubes apostam na via institucional para tentar preservar os contratos, o Atlético decidiu cortar de vez a relação com a H2bet e buscar alternativas para o espaço mais nobre da camisa.

Governo de Minas tenta amenizar o rombo

Para reduzir o impacto financeiro, o Governo de Minas Gerais anunciou na terça-feira (29) um acordo de R$ 32 milhões em patrocínios aos três principais clubes da capital, por meio das estatais Cemig e Codemge. Pelo acordo, Atlético e Cruzeiro receberão R$ 15 milhões cada, e o América ficará com R$ 2 milhões, em contratos de um ano, com recursos previstos para chegar aos cofres dos clubes em janeiro de 2027.

O aporte estadual, porém, cobre apenas uma fração da perda. Comparados aos R$ 60 milhões fixos por ano do antigo master, os R$ 15 milhões equivalem a 25% do valor — uma diferença de R$ 45 milhões por temporada que o Atlético precisará buscar no mercado, segundo análise do RTI Esporte.

As marcas das estatais deverão aparecer nos uniformes, mas não necessariamente no espaço master: o governo indicou mangas, ombros e costas como possibilidades, e admitiu ocupar provisoriamente o lugar de patrocinador principal até que o clube encontre um substituto. O acordo também prevê contrapartidas sociais, como investimentos no futebol feminino e ingressos para estudantes de baixa renda.

O Atlético informou em nota que recebeu a proposta e dará sequência às tratativas internas para formalizar o contrato com o governo estadual.

Quanto vale a camisa do Galo agora

Sem a H2bet, o uniforme atleticano perdeu a propriedade que valia R$ 60 milhões fixos por ano. Permanecem na estrutura comercial do clube outras marcas relevantes — Gerdau, MRV e BMG, além da Nike como fornecedora de material esportivo —, que preservam parte importante da receita.

O desafio agora é preencher o espaço master. Para voltar ao patamar financeiro do antigo patrocínio principal, o Atlético precisaria encontrar cerca de R$ 45 milhões adicionais por temporada, além dos R$ 15 milhões já anunciados pelo Governo de Minas. E o cenário não ajuda: com as bets fora do jogo, some do mercado a categoria de anunciantes que mais despejava dinheiro no futebol brasileiro nos últimos anos.

A busca por um novo patrocinador master acontece em um momento de transição. Setores como bancos, montadoras, empresas de tecnologia e grandes varejistas passam a ser os alvos naturais — mas nenhum deles, historicamente, pagou valores próximos aos praticados pelas casas de apostas. O mercado publicitário do futebol precisará se reinventar, e o Atlético é o primeiro grande clube a enfrentar esse desafio de frente.

Enquanto isso, a torcida atleticana acompanha a novela comercial com a mesma ansiedade dos jogos: a camisa do Galo, que até sábado carregava a marca da H2bet no peito, agora tem um espaço vazio — e uma conta de R$ 180 milhões interrompida no meio do caminho.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.