
Resumo da Notícia
- Trump disse em comício em Nebraska que a gasolina cara por causa da guerra com o Irã é “um pequeno preço a pagar” pela segurança
- A declaração provocou reação dura do governador da Califórnia, Gavin Newsom
- A fala ocorre em meio ao impasse com o Irã e aos impactos da guerra no preço do petróleo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na noite de segunda-feira (5) que o preço elevado da gasolina pago pelos americanos por causa da guerra com o Irã é “um pequeno preço a pagar” pela segurança do país. A declaração foi feita durante um comício em Grand Island, no estado de Nebraska, e provocou forte reação — incluindo uma resposta dura do governador da Califórnia, Gavin Newsom.
“Lembrem-se, com a guerra, é algo artificial. Está um pouco alto. É um pequeno preço a pagar para manter o mundo seguro, para manter nosso país seguro”, disse Trump à plateia, segundo relatos da imprensa americana que acompanhou o evento.
O comício, realizado no recinto da feira estadual de Nebraska, reuniu apoiadores às vésperas das eleições de meio de mandato de novembro nos Estados Unidos. Trump subiu ao palco para fazer campanha ao lado do senador republicano Pete Ricketts e do governador Jim Pillen, mas dedicou boa parte do discurso à guerra com o Irã e aos seus reflexos na economia americana.
“Podem levar Los Angeles, San Diego”
O trecho mais controverso do discurso veio logo em seguida. Ao defender que o custo econômico da guerra era aceitável diante da ameaça representada pelo Irã, Trump afirmou que o país poderia suportar até mesmo um ataque iraniano a cidades americanas.
“Eles podem tirar uma cidade do mapa. Deixem levar Los Angeles, deixem levar San Diego. Este é um preço muito pequeno a pagar”, disse o presidente, arrancando aplausos de parte da plateia.
A fala gerou indignação imediata. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, respondeu em uma rede social: “Depois de enviar a Guarda Nacional e os fuzileiros navais para ocupar a Califórnia, Donald Trump agora diz que nossos inimigos estrangeiros deveriam ‘tirar do mapa’ Los Angeles e San Diego. Ele é desequilibrado e perigoso.”
Críticos nas redes sociais classificaram a declaração como uma afronta a cidades americanas e às famílias que vivem nelas. Apoiadores do presidente, por outro lado, interpretaram a fala como uma hipérbole retórica para ilustrar que nenhum custo seria alto demais para impedir o Irã de obter uma arma nuclear.
A guerra e o bolso do americano
O contexto da declaração é o impacto direto do conflito com o Irã no custo de vida dos americanos. A guerra desorganizou os mercados internacionais de energia, em especial por causa das restrições ao Estreito de Ormuz — a via navegável por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo e que segue sob pressão iraniana.
O diesel, em particular, tornou-se um tema sensível em estados agrícolas como Nebraska, onde agricultores e transportadoras dependem fortemente do combustível. Trump reconheceu que os preços estavam elevados, mas os caracterizou como temporários.
No mesmo discurso, o presidente previu que os preços cairiam rapidamente com o fim da guerra. “Vai acabar muito em breve e vai acabar de um jeito ou de outro”, disse sobre o conflito. “Vai terminar muito rapidamente e os preços vão cair de forma acentuada. Vocês vão dizer: ‘por favor, por favor, senhor, está caindo rápido demais!'”
Trump afirmou ainda que o petróleo está mais barato do que na gestão anterior e creditou à Marinha americana o mérito de manter o fluxo de energia pelo Estreito de Ormuz. “Estamos tirando mais petróleo do Estreito agora do que antes da guerra”, declarou. “É incrível o que nossa Marinha fez, o que nossos militares fizeram.”
Durante o comício, Trump também defendeu uma medida para baratear o diesel tingido de vermelho — usado em máquinas agrícolas — permitindo sua compra sem impostos por qualquer pessoa, uma proposta voltada diretamente ao eleitorado rural de Nebraska.
“Estamos dando uma surra no Irã”
Em tom característico, Trump usou linguagem agressiva para descrever o conflito. “Estamos dando uma surra no Irã”, disse à plateia, antes de prever que a guerra terminaria em breve.
O presidente também voltou a apresentar o confronto como uma necessidade para impedir que Teerã obtenha uma arma nuclear. “Estamos salvando este país de um problema, e o Oriente Médio, e Israel e todo mundo. Estamos salvando o mundo do que poderia ser uma das piores tragédias de todos os tempos; não vamos deixá-los ter — isso está decidido — eles não terão uma arma nuclear”, afirmou.
Do outro lado, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian tem rejeitado reiteradamente negociações diretas com Washington. Em declarações recentes, inclusive na Assembleia Geral da ONU, o líder iraniano afirmou que o país “não se ajoelhou” e não entrará em conversas conduzidas sob ameaça — um impasse diplomático que mantém o Estreito de Ormuz sob tensão e os mercados de energia em alerta.
A linha do “pequeno preço”
A expressão usada por Trump em Nebraska não é nova. Segundo a Reuters, o presidente vem reiterando a linha do “pequeno preço” desde maio de 2026, sempre que questionado sobre o custo econômico da guerra para os americanos. A declaração específica feita em Grand Island, porém, ganhou repercussão ampliada por combinar o argumento econômico com a menção às cidades californianas.
Analistas observam que o tema dos combustíveis se tornou um dos principais pontos de vulnerabilidade política de Trump às vésperas das eleições de meio de mandato. O preço na bomba é um dos indicadores mais visíveis da economia para o eleitor comum — e a tentativa de enquadrá-lo como sacrifício patriótico divide opiniões até mesmo dentro da base republicana.
Em estados agrícolas como Nebraska, onde o diesel move colheitadeiras e caminhões, o discurso do “pequeno preço” soa diferente do que em Wall Street. Foi justamente para esse público que Trump dirigiu a promessa de preços “caindo rápido demais” — uma aposta de que o fim do conflito, que ele garante estar próximo, trará alívio imediato ao bolso.
Resta saber se a previsão se confirma. Com o impasse diplomático sem solução à vista e o Estreito de Ormuz ainda sob pressão, os mercados de energia seguem voláteis — e o “pequeno preço” continua sendo pago, dia após dia, nos postos de gasolina de todo os Estados Unidos.
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