
Resumo da Notícia
- Argentina venceu Benin por 3 a 0 no Monumental na despedida de Messi da seleção: o craque marcou de pênalti e deu as assistências para os gols de Otamendi e Nico Paz
- A noite teve camisa gigante com “Gracias”, queima de fogos, homenagens no estádio lotado com 85 mil torcedores e a entrada em campo com os três filhos
- Messi encerra a carreira na seleção com 208 jogos e 126 gols, além dos títulos da Copa do Mundo de 2022, das Copas América de 2021 e 2024 e da Finalíssima de 2022
O último tango foi uma festa. Lionel Messi se despediu da seleção argentina nesta terça-feira (6) com uma atuação de gala: gol de pênalti e duas assistências na vitória por 3 a 0 sobre Benin, em amistoso no estádio Monumental, em Buenos Aires, diante de 85 mil torcedores. A noite marcou o fim de mais de 20 anos do camisa 10 com a camisa albiceleste.
Todos os gols saíram no segundo tempo: Otamendi abriu o placar aos 3 minutos, Nico Paz ampliou aos 16 e Messi fechou a conta de pênalti aos 25 — segundo a ficha técnica do Jogada10. O craque participou diretamente dos três gols e jogou os 90 minutos, ovacionado do aquecimento ao apito final.
Uma noite de homenagens
A despedida foi cercada de homenagens à altura do maior jogador da história da seleção. Uma camisa gigante número 10 com a palavra “Gracias” entrou em campo; houve queima de fogos antes do hino e aos 10 minutos de jogo — em referência ao número dele; e a AFA confeccionou uma camisa especial só para a ocasião, segundo o Jogada10. Messi entrou em campo com os três filhos.
Nas tribunas, a mãe e a esposa do craque acompanharam a despedida, além de ex-companheiros como Di María e Agüero e dos jogadores e familiares do elenco campeão da Copa de 2022, de acordo com o USA Today e a Gazeta Esportiva. Os ingressos se esgotaram em cerca de 90 minutos quando foram colocados à venda, e uma carga extra também acabou dias depois.
“I leave in peace. I gave everything” (“Saio em paz. Dei tudo de mim”), disse Messi antes do jogo, segundo a Reuters. Nas arquibancadas, a emoção era visível: “Chorei porque pude vir ver o Messi no último jogo dele”, disse o torcedor Jose Garracedo, de 19 anos, à Reuters. “As últimas alegrias que tivemos como povo argentino, devemos a ele”, completou Isaias Zenas, de 27.
A decisão de parar
Messi havia anunciado a aposentadoria da seleção em agosto, dois meses e meio depois de perder a final da Copa do Mundo de 2026 para a Espanha. “Dei tudo de mim. Não tenho mais nada a dar e, além disso, estão vindo aí garotos muito bons que merecem estar aqui”, disse ele no anúncio, segundo a Gazeta Esportiva.
O técnico Lionel Scaloni revelou que se empenhou ao máximo para convencer Messi a voltar para a despedida em casa, pois não sabia se ainda estaria no comando da seleção mais tarde. “Acredito que um jogador como ele merece isso… Se temos que prestar homenagem, temos que fazê-lo neste momento”, disse Scaloni à Reuters em setembro.
Na véspera do jogo, o treinador resumiu o sentimento: “Será um dia inesquecível para todos… Tê-lo em campo é algo único; o que ele transmite dentro das quatro linhas… é algo que não vi em mais ninguém”, segundo o esportenewsmundo. Messi foi convocado exclusivamente para este jogo — não atuou nos dois amistosos anteriores da Data Fifa, contra Bolívia (4 a 0) e Burkina Faso (7 a 0).
Por que Benin?
O adversário modesto tem explicação: Scaloni reclamou publicamente da dificuldade de encontrar adversários de peso para a última Data Fifa do ano, e Benin — 93º colocado no ranking da Fifa — foi o adversário possível. O apelido dado à partida, “The Last Tango” (“El Último Tango”), virou até verbete na Wikipedia.
Os números de uma era
Messi encerra a carreira na seleção como recordista absoluto: 208 jogos e 126 gols com a camisa argentina, segundo o USA Today — o maior número de partidas, o maior artilheiro e o maior assistente da história da seleção. (Os números de assistências variam entre as fontes no pós-jogo; antes da partida, eram 207 jogos, 125 gols e 68 assistências, segundo a AP.)
Os títulos contam a história da redenção: depois de anos de frustrações com a seleção, Messi liderou a Argentina ao ouro olímpico de Pequim 2008, às Copas América de 2021 e 2024, à Finalíssima de 2022 contra a Itália e, sobretudo, à Copa do Mundo de 2022 no Catar — o título que faltava e que o colocou definitivamente entre os maiores de todos os tempos. Foi eleito o melhor jogador das Copas de 2014 e 2022 e é o segundo maior artilheiro da história dos Mundiais, com 21 gols. Amargou ainda os vices mundiais de 2014 e 2026.
O futuro
A despedida foi da seleção — não do futebol. Messi tem contrato com o Inter Miami até 2028 e volta a jogar pelo clube americano já no sábado, contra o D.C. United, segundo o USA Today.
A noite no Monumental também marcou despedidas paralelas: foi o último jogo de Otamendi, de 38 anos, vice-capitão da equipe, e De Paul e Lo Celso foram convocados apenas para esta partida — podendo ter sido a última deles também. Scaloni, com contrato até dezembro, negocia a renovação com o presidente da AFA, Claudio Tapia, segundo a Reuters e a Gazeta Esportiva.
Para a Argentina, começa agora a era pós-Messi. Para o futebol, fica a noite em que o Monumental parou para dizer “gracias” ao maior de todos.
