Resumo da Notícia

  • O supertufão Champi atingiu ventos sustentados de 296 km/h e pressão central de 895 hPa, tornando-se a tempestade mais forte de 2026 em velocidade do vento.
  • Taiwan emitiu alertas de mar e de terra para quatro condados, cancelou cerca de 125 voos e suspendeu balsas; a aproximação máxima ocorre entre sexta (23) e sábado (24).
  • Filipinas e China também estão em alerta: a PAGASA prevê ondas de até 12 metros em Batanes, e o centro meteorológico chinês emitiu aviso de tufão para a costa leste.

O Oceano Pacífico produziu nesta semana a tempestade mais forte de 2026. O supertufão Champi alcançou ventos sustentados de cerca de 296 km/h, com rajadas estimadas em até 361 km/h, e pressão atmosférica central de apenas 895 hPa — uma combinação que o coloca no topo da escala de intensidade dos ciclones tropicais. Depois de passar perto da ilha de Guam, o sistema avança agora pelo Mar das Filipinas em direção a Taiwan, à costa leste da China e ao norte das Filipinas, com aproximação máxima prevista entre sexta-feira (23) e sábado (24).

Segundo a MetSul Meteorologia, o Champi se tornou a tempestade tropical mais poderosa do planeta em 2026 quando o critério é a velocidade do vento. De acordo com o Centro Conjunto de Alerta de Tufões dos Estados Unidos (JTWC, na sigla em inglês), o ciclone atingiu o pico de intensidade na terça-feira (20), com força equivalente à de um furacão de categoria 5, a mais alta da escala Saffir-Simpson.

Um recorde com uma ressalva

A marca do Champi superou a do furacão Polo, que havia registrado 285 km/h no Pacífico Oriental e detinha até então o título de tempestade mais forte do ano em velocidade do vento. Segundo uma publicação da Nasa, a agência espacial norte-americana, que cita um levantamento do The Weather Network, o Champi é o sétimo ciclone de categoria 5 registrado no mundo em 2026.

Há, porém, uma ressalva importante. Pelo critério da pressão central — quanto menor, mais intensa a tempestade —, o Polo continua na frente: seu centro chegou a 892 hPa, contra os 895 hPa do Champi. Ou seja, o título de tempestade mais forte do ano depende do parâmetro adotado: em ventos, o recordista é o Champi; em pressão, segue sendo o Polo.

O olho que cresceu de 10 para 56 quilômetros

Um dos aspectos mais impressionantes do Champi é a transformação do seu olho, a região de relativa calmaria no centro da tempestade. Quando o ciclone passou perto de Guam, no domingo (18), o olho tinha apenas 8 a 10 quilômetros de largura, segundo o Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos na ilha. Dias depois, as imagens de satélite mostravam um olho com cerca de 56 quilômetros.

A mudança ocorreu durante uma reorganização interna comum em tempestades muito fortes, conhecida como ciclo de substituição da parede do olho: uma nova faixa de nuvens carregadas se forma mais afastada do centro e passa a envolver a parede original, onde se concentram os ventos mais violentos e as chuvas mais intensas. Mesmo sem atingir Guam em cheio — o olho passou a cerca de 20 quilômetros da costa —, o tufão arrancou telhados e derrubou árvores na ilha, onde abrigos de emergência foram abertos e portos, fechados.

Por que o Champi ficou tão forte

O combustível do Champi foi um ambiente quase ideal para ciclones tropicais. Segundo a MetSul, o sistema ganhou força sobre águas com temperaturas próximas de 30 °C, ligeiramente acima do normal para o período. O calor da superfície do mar fornece a energia que alimenta essas tempestades, e a combinação de umidade abundante com baixo cisalhamento vertical do vento — a variação de velocidade e direção dos ventos com a altitude — permitiu que a estrutura do ciclone permanecesse organizada por dias.

Desde quarta-feira (21), o Champi começou a perder força gradualmente, mas segue extremamente perigoso. Segundo a Administração Central de Meteorologia de Taiwan (CWA), o tufão se desloca para oeste-noroeste pelo Mar das Filipinas e estava a cerca de 250 quilômetros a sudeste do condado de Yilan, com ventos ainda acima de 227 km/h nas rajadas.

Taiwan em alerta máximo

Taiwan é o território mais ameaçado neste momento. A CWA emitiu alertas de mar e de terra, e o aviso em terra cobre os condados de Yilan, Hualien, Taitung e Pingtung, no leste e no sul da ilha. Cerca de 125 voos, a maioria domésticos, foram cancelados, as balsas costeiras foram suspensas e atrações turísticas fecharam as portas. O presidente de Taiwan, Lai Ching-te, pediu à população que evite áreas de montanha e o litoral durante a passagem do sistema.

Segundo a Reuters, cidades costeiras receberam alertas por celular avisando sobre ondas que podem passar de 6 metros e chuvas que podem se aproximar de 1 metro acumulado nas áreas montanhosas do norte. De acordo com a AccuWeather, a chuva mais intensa é esperada entre a noite de quinta-feira e o sábado, com acumulados de até 450 milímetros no nordeste da ilha e pontos isolados que podem chegar a 900 milímetros. As rajadas na costa leste podem atingir 190 km/h, com picos localizados de até 255 km/h, e há risco de inundações costeiras.

Os meteorologistas observam que a topografia de Taiwan pode alterar o comportamento da tempestade na aproximação final: a expectativa mais recente é de uma curva para o norte um pouco mais cedo, o que pode poupar a ilha de um impacto direto do centro do ciclone — embora o tamanho do sistema garanta efeitos severos mesmo assim.

Filipinas e China também se preparam

Ao norte das Filipinas, as bandas externas do Champi já provocam chuva forte. De acordo com a PAGASA, a agência meteorológica filipina, as ondas podem chegar a 12 metros na costa da província de Batanes e a 9 metros nas ilhas Babuyan. O órgão alertou que a chuva adicional pode agravar alagamentos em áreas já encharcadas por precipitações anteriores.

Na China, o Centro Meteorológico Nacional emitiu um alerta azul de tufão, o primeiro nível do sistema de quatro estágios do país. A previsão indica chuva intensa na costa leste, incluindo a região de Xangai, entre sexta-feira e domingo, com ventos fortes a partir da noite de quinta. A província de Zhejiang iniciou o planejamento de evacuações preventivas. Depois de passar por Taiwan e pela costa chinesa, o sistema deve seguir em direção ao sul do Japão, com a região de Kyushu na rota provável no início da próxima semana, já bastante enfraquecido.

Enquanto a Ásia se prepara para o Champi, agências internacionais lidam com emergências simultâneas em outras frentes — como o corte de ajuda humanitária do PMA em Gaza, que deixou 500 mil pessoas sem assistência mensal.

E o Brasil? Nenhum impacto direto

Apesar da dimensão do fenômeno, o Champi não tem qualquer relação com o tempo no Brasil: a tempestade está restrita ao hemisfério norte e ao Pacífico Ocidental. O fim de semana brasileiro será influenciado por sistemas próprios — ciclones extratropicais em formação no Sul e no Sudeste, sem ligação com o tufão asiático.

O noticiário nacional desta semana teve seus próprios destaques, da apreensão de lotes falsificados do medicamento Keytruda pela Anvisa ao desempenho brasileiro no esporte, com a seleção na final por equipes do Mundial de Ginástica. Para o Champi, a atenção agora se volta às próximas 48 horas: é entre sexta e sábado que Taiwan, a costa leste da China e o extremo norte das Filipinas devem sentir o pior da tempestade mais forte de 2026.

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Escobar Oliver é o responsável pelo conteúdo do RSO Notícias, portal de notícias do Brasil e do mundo.