Amsterdã, 1º de julho de 2026 – Três atletas da seleção da Holanda foram alvo de mensagens racistas nas redes sociais depois da derrota para Marrocos, que resultou na eliminação da equipe da Copa do Mundo de futebol nesta semana.
Os atacantes Justin Kluivert, Quinten Timber e Crysencio Summerville, que desperdiçaram cobranças de pênalti na decisão, viram seus perfis inundados por comentários com emojis e gifs de macaco. Diante da enxurrada de ofensas, os jogadores restringiram a área de comentários de suas publicações.
A Federação de Futebol dos Países Baixos (KNVB) emitiu nota condenando as manifestações de ódio: “O racismo e a discriminação não têm lugar em nossa sociedade”, registrou a entidade, que prometeu oferecer apoio aos atletas.
Fenômeno reiterado na Europa
Casos semelhantes ocorreram em outras seleções europeias nos últimos anos. Em 2021, os ingleses Bukayo Saka, Marcus Rashford e Jadon Sancho foram insultados depois de falharem na final da Eurocopa. O francês Kylian Mbappé também sofreu ataques após perder pênalti contra a Suíça, na mesma competição.
Para o professor de Relações Internacionais da UFF Adriano Freixo, o ciclo se repete sempre que um time é derrotado. Ele resume o movimento como “europeu quando ganha, imigrante quando perde”, destacando que atletas negros ou filhos de imigrantes costumam virar “bodes expiatórios” nos momentos de frustração esportiva.
Composição das seleções
A presença de descendentes de imigrantes nas equipes nacionais é crescente. Segundo levantamento citado pelo portal, mais de 75% da convocação francesa e cerca de metade do elenco holandês para a Copa de 2026 têm origem familiar fora do país.

Imagem: Internet
Para o cientista político Maurício Santoro, o futebol é um dos espaços mais meritocráticos e, por isso, tende a refletir a diversidade populacional. Ele avalia que as federações precisam promover uma visão positiva sobre essa realidade, enquanto a sociedade europeia “aprende a conviver” com elencos cada vez mais internacionalizados.
O avanço de grupos de extrema direita e de discursos anti-imigração no continente, entretanto, alimenta ataques virtuais como os dirigidos a Kluivert, Timber e Summerville.
Com informações de G1